Questão de Português — Morfologia - Pronomes — IBADE 2017
PortuguêsMorfologia - Pronomes
- Código
- qq272035
- Banca
- IBADE
- Órgão
- Prefeitura de Manaus - AM
- Ano
- 2017
- Nível
- Superior
Memórias de um aprendiz de escritorEscrevo há muito tempo. Costumo dizer que, se ainda não aprendi — e acho mesmo que não aprendi, a gente nunca para de aprender -, não foi por falta de prática. Porque comecei muito cedo. Na verdade, todas as minhas recordações estão ligadas a isso, a ouvir e contar histórias. Não só as histórias dos personagens que me encantaram, o SaciPererê, o Negrinho do Pastoreio, a Cuca, Hércules, Tarzan, os piratas. Mas também as minhas próprias histórias, as histórias de meus personagens, essas criaturas reais ou imaginárias, com quem convivi desde a infância.“Na verdade”, eu escrevi ali em cima. Verdade é uma palavra muito relativa para um escritor de ficção. O que é verdade, o que é imaginação? No colégio onde fiz o segundo grau, havia um rapaz que tinha fama de mentiroso. Fama, não; ele era mentiroso. Todo mundo sabia que ele era mentiroso. Todo mundo, menos ele.Certa vez, o rádio deu uma notícia alarmante: um avião em dificuldades sobrevoava Porto Alegre. Podia cair a qualquer momento. Fomos para o colégio, naquele dia, preocupados; e conversávamos sobre o assunto, quando apareceu ele, o Mentiroso. Pálido:— Vocês nem podem imaginar!Uma pausa dramática, e logo em seguida:— Sabem esse avião que estava em perigo?Caiu perto da minha casa. Escapamos por pouco. Gente, que coisa horrível!E começou a descrever o avião incendiando, o piloto gritando por socorro... Uma cena impressionante. Aí veio um colega correndo, com a notícia: o avião acabara de aterrissar, são e salvo. Todo mundo começou a rir. Todo mundo, menos o Mentiroso:— Não pode ser! — repetia incrédulo, irritado. — Eu vi o avião cair!Agora, quando lembro este fato, concluo que não estava mentindo. Ele vira, realmente, o avião cair. Com os olhos da imaginação, decerto; mas para ele o avião tinha caído, e tinha incendiado, e tudo o mais. E ele acreditava no que dizia, porque era um ficcionista. Tudo que precisava, naquele momento, eram um lápis e um papel. Se tivesse escrito o que dizia, seria um escritor; como não escrevera, tratava-se de um mentiroso. Uma questão de nomes, de palavras.SCLIAR, Moacyr. Memórias de um aprendiz de escritor. São Paulo: Ed. Nacional, 1984.Sobre o fragmento “Com os olhos da imaginação, decerto; mas para ele o avião tinha caído, e tinha incendiado, e tudo o mais.” Leia as afirmativas.I. A palavra ELE, é um pronome pessoal do caso reto.II. TINHA CAÍDO e TINHA INCENDIADO estão flexionados no pretérito mais-que-perfeito composto.III. A palavra O em tudo o mais retoma o termo AVIÃO, em claro processo de coesão.Está correto apenas o que se afirma em:
- AII.
- BI.
- CII e III.
- DI e II.