Questão de Português — Interpretação de Textos — COPS-UEL 2018
Português›Interpretação de Textos
Código
qq327890
Banca
COPS-UEL
Órgão
PC-PR
Ano
2018
Nível
Superior
Cargo
Escrivão de Polícia
Quanto ao uso do recurso linguístico utilizado, assinale a alternativa correta.
AO emprego de “devida e acuradamente”, no 1º parágrafo, atesta a opção do autor por estilo mais didático e despojado, no qual se dispensa o sufixo marcador de intensidade.
BEm “os indícios nos permitem apenas inferências de certeza relativa, pois expressam somente probabilidade ou possibilidade.”, no 1º parágrafo, o deslocamento de “apenas” para depois de “certeza” configura mudança semântica, ao mesmo tempo em que se caracteriza como transgressão à norma culta.
CNo trecho “O que assim se declara a respeito desse fulano”, no 2º parágrafo, “assim”, por ser advérbio, pode, sem prejuízo gramatical ou semântico, deslocar-se para o início do período em que está inserido, desde que sucedido de vírgula.
DO emprego de “daí”, no 3º parágrafo, constitui evidência da composição do texto, de forte marcação narrativa.
EO deslocamento do advérbio “realmente”, no 4º parágrafo, para depois de “provar” desfaz a ênfase posta sobre “ter” ao mesmo tempo em que passa a modificar a ação de “provar”.
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GabaritoE — O deslocamento do advérbio “realmente”, no 4º parágrafo, para depois de “provar” desfaz a ênfase posta sobre “ter” ao mesmo tempo em que passa a modificar a ação de “provar”.
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Uso do advérbio "realmente" e sua mobilidade
Gabarito: alternativa E. A única alternativa correta é a E, pois descreve precisamente o efeito semântico e gramatical de deslocar o advérbio "realmente" no trecho do 4º parágrafo. A análise se ancora no texto e na gramática normativa, sem extrapolações.
NÃO CAIA NESSA!
As alternativas A, B, C e D tentam confundir o candidato com interpretações equivocadas sobre estilo, transgressão gramatical, mobilidade de advérbios e tipologia textual. A correta exige atenção ao efeito da posição do advérbio.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O emprego de "devida e acuradamente" (1º parágrafo) não indica estilo didático e despojado; ao contrário, as formas terminadas em "-mente" são típicas de registro formal. A expressão é adverbial, sem sufixo de intensidade. A alternativa extrapola ao atribuir uma intenção estilística não confirmada pelo texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Deslocar "apenas" para depois de "certeza" — "inferências de certeza apenas relativa" — alteraria o sentido, mas não constitui transgressão à norma culta. A posição do advérbio é flexível, embora mude o escopo. A alternativa erra ao afirmar que há transgressão gramatical, o que é falso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Assim" no trecho "O que assim se declara..." (2º parágrafo) é advérbio de modo, equivalente a "dessa forma". Se deslocado para o início do período — "Assim, o que se declara..." — passaria a valer como advérbio de conclusão ("portanto"), alterando o sentido. Logo, há prejuízo semântico, ao contrário do que afirma a alternativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O "daí" (3º parágrafo) é um conectivo conclusivo, típico de texto argumentativo, não narrativo. A marcação narrativa não é predominante; o texto disserta sobre fatos e indícios. A alternativa troca o conceito de tipologia textual.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Mas não se pode provar que o acusado tinha, realmente, a intenção de matar"
No original, "realmente" modifica o verbo "ter" (tinha realmente), enfatizando a existência da intenção. Se deslocado para depois de "provar" — "não se pode provar realmente que o acusado tinha a intenção" — o advérbio passaria a modificar "provar", retirando a ênfase de "ter" e atribuindo-a ao ato de provar. A alternativa descreve exatamente essa mudança semântica e de ênfase, sem violar a gramática.