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Questão de Criminologia — Criminologia Contemporânea: “Bullying”, Justiça Restaurativa e Mediação Penal, Justiça Terapêutica, Justiça Instantânea, Exame Criminológico e Reintegração Social. Teorias da Pena, Reação Social e Prevenção da Criminalidade. — UEG 2018

CriminologiaCriminologia Contemporânea: “Bullying”, Justiça Restaurativa e Mediação Penal, Justiça Terapêutica, Justiça Instantânea, Exame Criminológico e Reintegração Social. Teorias da Pena, Reação Social e Prevenção da Criminalidade.
Código
qq403461
Banca
UEG
Órgão
PC-GO
Ano
2018
Nível
Superior
Cargo
Delegado de Polícia
Em Vigiar e Punir, Michel Foucault (1926-1984) aborda a transformação dos métodos punitivos a partir de uma tecnologia do corpo, dentre cujos aspectos fundamentais destaca-se
  1. Aa coexistência entre diversas economias políticas do castigo, mas, fundamentalmente, a mudança qualitativa que representou substituição do carcerário pelo patibular.
  2. Bo pensamento criminológico centrado na figura do homem delinquente, o que constitui a força motriz para o surgimento e consolidação da prisão como mecanismo de controle.
  3. Co cumprimento dos fins declarados da pena de prisão na medida em que separa os espaços sociais livres de castigo e os que devem ser objeto da repressão estatal.
  4. Do abandono completo do suplício corporal como tecnologia encarceradora que passa ser utilizada a partir do século XIX.
  5. Eo cárcere como dispositivo preponderante sobre o qual se ergue a sociedade disciplinar.
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GabaritoB — o pensamento criminológico centrado na figura do homem delinquente, o que constitui a força motriz para o surgimento e consolidação da prisão como mecanismo de controle.

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Vigiar e Punir (Foucault) – Transformação dos métodos punitivos

Gabarito: letra B. A obra de Michel Foucault demonstra que a emergência da prisão como pena principal está vinculada ao surgimento de um saber criminológico focado no "homem delinquente", individualizando-o e buscando sua correção disciplinar, consolidando um mecanismo de controle social. Em Vigiar e Punir, Foucault analisa a passagem dos suplícios (punição espetacular sobre o corpo) para a prisão (punição disciplinar sobre a alma), criticando a ideia de que a prisão teria surgido por humanização; na verdade, ela surge como uma tecnologia de poder disciplinar centrada na figura do delinquente.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que houve "substituição do carcerário pelo patibular". Na verdade, o movimento histórico descrito por Foucault é o oposto: o patibular (suplício) foi substituído pelo carcerário (prisão). A mudança qualitativa foi do suplício para a disciplina, não o contrário.

Alternativa B — ✅ Correta ⟜ GABARITO

Corresponde à tese central de Foucault: o surgimento da prisão está ligado ao desenvolvimento de um discurso criminológico que individualiza o delinquente, classifica-o e busca transformá-lo. A prisão não é apenas punição, mas um mecanismo de controle que produz o "delinquente" como categoria.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Sugere que a prisão cumpre seus fins declarados (separar espaços de castigo). Foucault demonstra exatamente o contrário: a prisão é um fracasso declarado – não recupera, produz reincidência, fabrica delinquentes –, mas esse fracasso é funcional para o sistema de controle, pois cria uma delinquência vigiada e útil.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O "abandono completo" do suplício é exagerado e impreciso; houve sim um declínio, mas não completo. Além disso, o suplício não era "tecnologia encarceradora", mas punição corporal espetacular. A tecnologia encarceradora por excelência é a prisão, que ganha força a partir do século XIX.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O cárcere é um dispositivo importante, mas a "sociedade disciplinar" se constitui por uma multiplicidade de instituições (escola, quartel, hospital, fábrica), não apenas pelo cárcere. Foucault vê a prisão como o "modelo" disciplinar, mas não sobre ela que se ergue toda a sociedade. A alternativa generaliza indevidamente.

Gabarito: letra B.

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