Questão de Psicologia — Teorias e Técnicas Psicoterápicas — FAUEL 2019
- Código
- qq454223
- Banca
- FAUEL
- Órgão
- Prefeitura de São José dos Pinhais - PR
- Ano
- 2019
- Nível
- Superior
- Cargo
- Psicólogo
- ASegundo Wilhelm Reich a relação entre clínica e moral pode ser reconhecida, sobretudo por meio do processo de autoconhecimento, resultado esperável para qualquer análise. Para ele, há uma mistura problemática entre o que é demandado de mim pelo outro e o que eu mesmo demando de mim. Nesse sentido, o autoconhecimento significa não apenas se descobrir como agente de valorização moral, mas também distinguir quais são seus próprios imperativos e quais são os dos outros. Segundo esse autor, reconhecermo-nos como agentes da moral e formadores de imperativos são dinamicamente tão relevantes para a personalidade e para o direcionamento de nossa ação quanto reconhecer os objetivos de nossas pulsões e das funções do ego.
- BPara Freud (1939), a ética se justifica pela necessidade de se delimitar os direitos da sociedade contra o indivíduo, os direitos do indivíduo contra a sociedade e os direitos dos indivíduos uns contra os outros. É verdade que Freud (1912-13) admite que o mito do assassinato do pai primevo não precisa ter sido um acontecimento real, pois o desejo e o temor de matá-lo (no Édipo) já são suficientes para que a consciência moral no indivíduo seja instalada. Entretanto, o que importa destacar aqui é que a capacidade de pensamento antecipa as consequências do ato, dispensando sua realização; contudo, o que está em jogo é uma consideração a respeito do outro externo e real, uma consideração que não é de todo desinteressada, pois já se reconhece o quanto o outro é importante para a sobrevivência de si mesmo.
- CPara Klein as relações éticas e a consciência moral surgem de uma necessidade interna e pulsional, revelando um pensamento fortemente inatista. Nesse sentido, a principal implicação clínica da reflexão de Klein acerca da ética e da moral é a importância atribuída à passagem da posição depressiva, que, além de ser parte do desenvolvimento do psiquismo, é objetivo do processo terapêutico e está intimamente implicado no surgimento da ‘consciência moral propriamente dita’.
- DO sujeito, para Lacan, se define pela estrutura simbólica, sendo efeito da linguagem. O sujeito é dito barrado na medida em que a linguagem não dá conta de simbolizar tudo. Essa impossibilidade de simbolização total coloca a falta como inerente e estrutural ao sujeito. Por mais que o sujeito encontre objetos que lhe pareçam responder ao seu desejo – isso será por um momento extremamente fugaz –, haverá sempre um resto não satisfeito, uma falta extremamente importante para o sujeito, pois é o que o mantém vivo e se mexendo sempre em busca de algo que o complete. Nesse sentido, Lacan (1959- 60) afirma que “tudo o que existe vive senão na falta-a-ser”, o que ele introduz de novo no campo da ética é a atenção à barreira que existe em relação à Coisa e ao desejo, a inacessibilidade do objeto enquanto objeto de gozo. A partir da discussão acerca da inacessibilidade da Coisa, Lacan conclui que o “Bem Supremo”, tão almejado na ética filosófica e pela sociedade em geral, não existe, e que nenhum outro bem pode equivaler à Coisa, a qual, além de proibida, é perdida.