Questão de Português — Figuras de Linguagem — FUNDATEC 2019
- Código
- qq470895
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- Prefeitura de Chuí - RS
- Ano
- 2019
- Nível
- Médio

- AMetonímia.
- BPersonificação.
- CMetáfora.
- DComparação.
- EHipérbole.

GabaritoC — Metáfora.
Gabarito: letra C. A figura de linguagem presente no trecho é a metáfora, pois a expressão “prazo de validade” é empregada em sentido figurado: atribui-se ao “estar” (posição social) uma característica própria de produtos perecíveis — a de ter um prazo de validade. Essa transferência de sentido é uma comparação implícita, sem conectivo comparativo, o que caracteriza a metáfora.
O texto já anuncia essa ideia na linha 22: “O estar é perecível, apenas o Ser é permanente.” A palavra “perecível” (que se estraga, que tem validade) é retomada na linha 48 com a expressão “prazo de validade”, reforçando a metáfora: o “estar” é tratado como se fosse um produto que vence.
Metáfora é uma figura de palavra que consiste em empregar uma palavra ou expressão fora do seu sentido básico, estabelecendo uma comparação implícita entre dois seres ou ideias, sem o uso de conectivo comparativo (como, tal qual, assim como).
Exemplo: “Ele é um leão no trabalho.” (comparação implícita: ele é valente como um leão)
No trecho: “estar” tem prazo de validade (comparação implícita: o “estar” é perecível como um produto)
A comparação (ou símile) exige um conectivo comparativo explícito (como, tal qual, que nem, etc.). No trecho, não há conectivo; a relação é subentendida. Por isso, não é comparação.
A metonímia é a substituição de um termo por outro com base em uma relação de proximidade lógica (parte pelo todo, autor pela obra, continente pelo conteúdo, etc.). No trecho, não há substituição de um termo por outro; há uma transferência de sentido por semelhança, o que é próprio da metáfora.
A personificação (ou prosopopeia) atribui características humanas a seres inanimados ou irracionais. No trecho, “prazo de validade” não é característica humana; é característica de produtos perecíveis. Portanto, não há personificação.
A hipérbole é o exagero intencional para enfatizar uma ideia. No trecho, não há exagero; há uma constatação metafórica sobre a transitoriedade do “estar”.
Metonímia. Não há substituição de um termo por outro com relação de proximidade (parte/todo, autor/obra, etc.). A expressão “prazo de validade” não substitui “estar” por um termo associado; ela o qualifica metaforicamente.
Personificação. Não se atribui característica humana ao “estar”. “Prazo de validade” é uma propriedade de objetos perecíveis, não de seres humanos. A personificação exigiria, por exemplo, “o estar pensa” ou “o estar sente”.
Metáfora. A expressão “prazo de validade” é usada em sentido figurado, comparando implicitamente o “estar” a um produto perecível. Essa comparação implícita, sem conectivo, é a definição de metáfora. O texto reforça essa leitura na linha 22: “O estar é perecível, apenas o Ser é permanente.”
Comparação. A comparação exige conectivo comparativo explícito (como, tal qual, etc.). No trecho, não há conectivo; a relação é subentendida, o que caracteriza metáfora, não comparação.
Hipérbole. Não há exagero intencional. A afirmação de que o “estar” tem prazo de validade é uma constatação metafórica, não um exagero.
A banca explora a confusão entre metáfora e comparação. A diferença crucial é o conectivo: se houver “como”, é comparação; se não houver, é metáfora. No trecho, não há conectivo, logo é metáfora.
Ao identificar figuras de linguagem, pergunte-se: há comparação explícita com conectivo? Se sim, comparação. Se não, mas há transferência de sentido por semelhança, é metáfora. Desconfie de “prazo de validade”, “perecível”, “leão”, “fera” — são metáforas clássicas.
Gabarito: letra C.
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