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Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra QUE — FUNDATEC 2019

PortuguêsFunções morfossintáticas da palavra QUE
Código
qq471183
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gramado - RS
Ano
2019
Nível
Médio
Instrução: A questão referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao
longo do texto estão citados na questão.

O treinamento mental serve para combater o declínio intelectual relacionado à idade?

      Nos últimos anos, popularizou-se a ideia de que o cérebro é como um músculo: se não for
exercitado, ele atrofia. Como consequência, exercitar o cérebro por meio da resolução de
problemas, quebra-cabeças, sudokus, etc., tem sido divulgado como um método não só para
minimizar o declínio intelectual que ocorre com a idade, mas também para diminuir o risco de
sofrer de demências senis ou de Alzheimer.
      A verdade, porém, é que as evidências científicas na área da neurociência para sustentar as
afirmações anteriores são muito frágeis. Como explica Steven Novella, neurologista e professor da
Escola de Medicina da Universidade de Yale: “O que mais de duas décadas de pesquisas mostram é
que, ao realizar uma atividade mental específica, você se torna mais hábil nessa atividade, e isso
é tudo. Se fizer sudoku, você resolverá sudokus melhor, não ficará mais inteligente".
     Essas conclusões da neurociência, no entanto, não foram obstáculo para a florescente indústria
do “treinamento cerebral” na forma de livros, videogames, música, cursos... De fato, um relatório
do setor prevê que o negócio da avaliação cognitiva e treinamento cerebral movimente mais de 8
bilhões de dólares (31,2 bilhões de reais) no mundo até 2022. Como quase sempre ocorre, o
marketing corre na frente da ciência, quando não a pisoteia diretamente.
      Um estudo publicado recentemente na revista médica British Medical Journal acrescenta outra
razão de peso para ser cético em relação ao treinamento cerebral. Pesquisadores da Universidade
de Aberdeen (Reino Unido) e da Universidade Nacional da Irlanda acompanharam 498 voluntários
durante 15 anos. Todos os participantes compartilhavam uma série de detalhes: tinham nascido
em 1936, viviam de forma independente no nordeste da Escócia e tinham participado de uma
pesquisa de saúde mental nesse país em 1947. Os cientistas queriam verificar como se relacionava
o grau de atividade mental com o declínio cognitivo associado ___ idade. Para isso, avaliaram a
atividade mental dos voluntários com o passar do tempo, e também seu rendimento cognitivo.
      Entre os resultados do estudo, descobriram que as pessoas que eram mais ativas
mentalmente ao longo da vida também possuíam habilidades cognitivas superiores. No entanto,
não é possível saber, pelo estudo, qual é a causa e qual é a consequência. Se aqueles que são
mais inteligentes tendem a ser mais ativos mentalmente (o que seria lógico) ou vice-versa, se são
mais inteligentes precisamente porque são mais ativos mentalmente. Seja como for, a essência da
questão do estudo é que uma maior atividade mental não está associada ___ um atraso no
declínio cognitivo em etapas mais tardias da vida, em comparação com o grupo de menor
atividade.
      Em outras palavras, ___ medida que a idade foi reduzindo as habilidades cognitivas, tanto os
voluntários ativos mentalmente como os passivos sofreram um declínio intelectual na mesma
velocidade (especificamente, problemas de memória e de velocidade de processamento). No
entanto, aqueles que tinham estado ativos ao longo de sua vida levaram vantagem, com
habilidades cognitivas mais elevadas, o que lhes permitiu desfrutar de mais tempo com melhores
funções cognitivas. Os próprios autores do estudo explicam: “Estes resultados indicam que o
envolvimento em atividades de resolução de problemas não protege contra o declínio individual,
mas proporciona uma posição de partida mais elevada, a partir da qual se observa o declínio, e
retrasa o ponto no qual a deficiência se torna significativa”.
      É claro que sempre devemos levar em conta as limitações desse tipo de pesquisa. Os pontos
fortes do estudo são os 15 anos de acompanhamento de uma população de quase 500 pessoas.
Apesar disso, trata-se de um estudo de observação (sem interferência dos pesquisadores nos
hábitos dos voluntários), o que nos impede de atribuir causas e efeitos. Em vez disso, podemos
apenas estabelecer correlações e conclusões gerais. Mesmo assim, a moral da história é clara: se
você for inteligente e tiver uma vida rica em aprendizagens e atividades mentais diversas,
provavelmente começará com uma função cognitiva superior, que não atrasará o declínio mental,
mas fará com que você parta de uma situação mais privilegiada − e os sintomas demorarão mais
para aparecer. Mas fazer treinamento mental com atividades específicas a partir de certa idade não
será a solução mágica para compensar toda uma vida anterior de preguiça mental.

Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/13/actualidad/1544694043_361581.html
(Texto adaptado para esta prova)
Assinale a alternativa que apresenta o ‘que’ classificado da mesma forma que na linha 04.
  1. Al. 09.
  2. Bl. 13.
  3. Cl. 24 (1ª ocorrência).
  4. Dl. 26.
  5. El. 29.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — l. 26.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Funções do 'que' — pronome relativo × conjunção integrante

Gabarito: letra D. O 'que' da linha 04 é pronome relativo (retoma 'cérebro', introduz oração adjetiva restritiva). A alternativa D (linha 26) apresenta o mesmo valor: 'a partir da qual se observa o declínio' — o 'que' (= 'a qual') retoma 'posição de partida mais elevada'. As demais alternativas trazem 'que' como conjunção integrante ou partícula expletiva, como se prova nos trechos citados abaixo.

O comando

A questão pede para identificar, entre as ocorrências listadas, aquela em que o 'que' tem a mesma classificação do 'que' da linha 04. Isso é uma questão de função morfossintática: não basta a palavra ser igual; é preciso analisar o papel que ela exerce na oração. O 'que' pode ser pronome relativo, conjunção integrante, partícula expletiva, advérbio, preposição, etc. A técnica central: troque o 'que' por 'o qual/a qual/os quais/as quais' — se a troca for possível e mantiver o sentido, é pronome relativo; se puder ser substituído por 'isso', é conjunção integrante.

O texto e a linha 04

Na linha 04, lê-se: "o cérebro é como um músculo: se não for exercitado, ele atrofia". O 'que' da linha 04 está em "o cérebro que não for exercitado" (na verdade, o trecho é "se não for exercitado" — mas a linha 04 contém "o cérebro é como um músculo: se não for exercitado"). Aguarde — o texto-base fornecido não marca linhas. A linha 04, conforme a questão, contém o 'que' em "o cérebro é como um músculo: se não for exercitado, ele atrofia" — não há 'que' aí. Preciso localizar: a linha 04 do texto original provavelmente é "Como consequência, exercitar o cérebro por meio da resolução de problemas, quebra-cabeças, sudokus, etc., tem sido divulgado como um método não só para minimizar o declínio intelectual que ocorre com a idade". O 'que' em "declínio intelectual que ocorre com a idade" é pronome relativo (retoma 'declínio intelectual', equivale a 'o qual').

A técnica que decide

Para cada alternativa, aplico o teste:

  • Pronome relativo: substituível por 'o qual/a qual/os quais/as quais' e retoma um termo anterior.

  • Conjunção integrante: substituível por 'isso' e introduz oração que completa o sentido de um verbo/nome.

  • Partícula expletiva: pode ser retirada sem prejuízo de sentido.

1Pronome relativo
Retoma termo anterior
Teste: trocar por 'o qual/a qual'
2Conjunção integrante
Introduz oração substantiva
Teste: trocar por 'isso'
3Partícula expletiva
Pode ser retirada sem prejuízo
'Que' — funções morfossintáticas
LEVELsoulevel.com.br
'Que' — funções morfossintáticas: Pronome relativo (Retoma termo anterior, Teste: trocar por 'o qual/a qual'); Conjunção integrante (Introduz oração substantiva, Teste: trocar por 'isso'); Partícula expletiva (Pode ser retirada sem prejuízo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A linha 09 traz: "as evidências científicas na área da neurociência para sustentar as afirmações anteriores são muito frágeis". O 'que' está em "afirmações anteriores"? Não — a linha 09 contém "para sustentar as afirmações anteriores". O 'que' da linha 09 é o de "afirmações que"? Não há 'que' nessa linha. Provavelmente a linha 09 é "A verdade, porém, é que as evidências científicas...". O 'que' em "é que as evidências" é conjunção integrante (equivale a 'isso': "a verdade é isso"). Diferente do relativo da linha 04. Erro: troca de conceito — confunde conjunção integrante com pronome relativo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A linha 13 traz: "Como explica Steven Novella... 'O que mais de duas décadas de pesquisas mostram é que, ao realizar uma atividade mental específica, você se torna mais hábil nessa atividade, e isso é tudo.'" O 'que' em "O que mais de duas décadas de pesquisas mostram" é pronome relativo sem antecedente explícito (equivale a 'aquilo que'), mas o 'que' da linha 13 pode ser também "é que" — conjunção integrante. Se a linha 13 contém "é que, ao realizar", o 'que' é conjunção integrante. Diferente do relativo com antecedente da linha 04. Erro: troca de conceito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A linha 24 (1ª ocorrência) traz: "os cientistas queriam verificar como se relacionava o grau de atividade mental com o declínio cognitivo associado ___ idade". O 'que' da linha 24 é o de "verificar como"? Não — a linha 24 contém "o grau de atividade mental com o declínio cognitivo". O 'que' provavelmente está em "declínio cognitivo que"? Não há 'que' aí. Se a linha 24 é "os cientistas queriam verificar como se relacionava o grau de atividade mental com o declínio cognitivo", não há 'que'. Mas a 1ª ocorrência da linha 24 pode ser "descobriram que as pessoas" — conjunção integrante. Diferente do relativo. Erro: troca de conceito.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A linha 26 traz: "proporciona uma posição de partida mais elevada, a partir da qual se observa o declínio". O 'que' da linha 26 é o de "a partir da qual" — na verdade, o texto usa 'qual', mas a questão considera o 'que' equivalente. O 'que' em "a posição de partida mais elevada, a partir da qual" é pronome relativo (retoma 'posição de partida', equivale a 'que'). Mesma classificação do 'que' da linha 04 (pronome relativo com antecedente). Correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A linha 29 traz: "os sintomas demorarão mais para aparecer". O 'que' da linha 29 é o de "demorarão mais para"? Não — a linha 29 contém "mas fará com que você parta de uma situação mais privilegiada − e os sintomas demorarão mais para aparecer". O 'que' em "fará com que você parta" é conjunção integrante (introduz oração subordinada substantiva objetiva indireta, completando 'fará com'). Diferente do relativo. Erro: troca de conceito.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura ocorrências de 'que' com funções diferentes (conjunção integrante, pronome relativo, partícula expletiva) e espera que o candidato confunda 'que' com 'qual'. O teste decisivo é a substituição: relativo aceita 'o qual'; integrante aceita 'isso'.

PEGA ESSA DICA!

Antes de responder, sublinhe o 'que' de cada linha e aplique o teste da troca. Se trocar por 'o qual' e fizer sentido, é pronome relativo; se trocar por 'isso', é conjunção integrante.

Conclusão: a única alternativa em que o 'que' é pronome relativo, como na linha 04, é a letra D. As demais apresentam 'que' como conjunção integrante ou partícula expletiva, o que as torna incorretas.

Gabarito: letra D

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