Questão de Medicina Legal — Genética forense — INSTITUTO AOCP 2019
Medicina Legal›Genética forense
Código
qq515382
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
PC-ES
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Perito Oficial Criminal - Área 5
De acordo com o mapa da violência, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2017, foram registrados mais de 60 mil casos de estupro em todo o país. A prova pericial é fundamental para a confirmação do crime e indicação de autoria. Tanto o exame clínico realizado pelo Médico Legista quanto os exames laboratoriais ou a perícia no local do crime, que ficam a cargo dos Peritos Criminais, são indispensáveis para fundamentar os Laudos Periciais. Em relação aos procedimentos e técnicas empregadas no exame de casos de crimes sexuais, assinale a alternativa correta.
AO método de extração diferencial do DNA é empregado em casos de violência sexual com intuito de separar o DNA masculino (FE - Fração Espermática) do DNA feminino (FNE – Fração Não Espermática), presentes em amostras de secreção vaginal e outras secreções e amostras coletadas do corpo de vítimas de estupro.
BA pesquisa de Espermatozoide foi substituída pelo exame de PSA nas unidades periciais Brasileiras.
CA liberação de resultado positivo para a presença de traços de sêmen no corpo de vítimas de estupro só deverá ser confirmada quando ambos os exames, PSA e Fosfatase ácida, forem reativos.
DO crime de estupro ainda não se enquadra dentre os crimes que, de acordo com a Lei n° 12.654/2012, preveem a coleta de DNA de condenados e inclusão em um banco de perfis genéticos criminais.
EO exame de PSA resulta não reativo para amostras de sêmen oriundas de indivíduos vasectomizados, visto que estes deixam de liberar espermatozoides.
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GabaritoA — O método de extração diferencial do DNA é empregado em casos de violência sexual com intuito de separar o DNA masculino (FE - Fração Espermática) do DNA feminino (FNE – Fração Não Espermática), presentes em amostras de secreção vaginal e outras secreções e amostras coletadas do corpo de vítimas de estupro.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Genética Forense em Crimes Sexuais
Gabarito: letra A. A extração diferencial de DNA é a técnica padrão para separar DNA masculino (frações espermática e não espermática) em amostras de vestígios de violência sexual, permitindo análise separada do perfil do agressor e da vítima. A banca testa o conhecimento de métodos periciais específicos e a correta aplicação de exames complementares.
Método/Exame
Função
Aplicação em Crimes Sexuais
Observação
Extração diferencial de DNA
Separar DNA masculino (FE) do DNA feminino (FNE)
Amostras de secreção vaginal e outras com mistura celular
Técnica padrão para atribuir perfis genéticos do agressor e da vítima
Pesquisa de espermatozoides
Exame microscópico para visualização direta
Confirmação da presença de sêmen
Não foi substituída; complementar ao PSA
PSA (antígeno prostático específico)
Teste imunoquímico de triagem para sêmen
Detecção de sêmen, mesmo em vasectomizados
Mais sensível e específico que a fosfatase ácida
Fosfatase ácida
Teste enzimático para sêmen
Triagem, mas com possíveis reações cruzadas
Resultado positivo isolado não é suficiente para confirmação definitiva
1Coleta da amostra
2Lise das células epiteliaisFNE (DNA feminino)
3Centrifugação
4Lise dos espermatozoidesFE (DNA masculino)
5Análise separada dos perfis
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O método de extração diferencial explora as diferenças na membrana celular entre espermatozoides e células epiteliais vaginais. Inicialmente, lisa-se as células epiteliais (fáceis de romper) com detergente suave e proteinase K, liberando DNA feminino (FNE). Após centrifugação, os espermatozoides intactos (mais resistentes) são tratados com agentes redutores (DTT) para liberar o DNA masculino (FE). Essa separação é fundamental para atribuir perfis genéticos em casos de estupro.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A pesquisa de espermatozoides (exame microscópico) não foi substituída pelo exame de PSA. O PSA (antígeno prostático específico) é um teste imunoquímico de triagem para detectar sêmen, mas a confirmação ainda depende da visualização de espermatozoides ou de outros marcadores (como cDNA de espermatozoides). Ambos são complementares e utilizados em rotina pericial.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A liberação de resultado positivo para sêmen não exige que ambos os exames (PSA e fosfatase ácida) sejam reativos. O PSA é mais sensível e específico que a fosfatase ácida (que pode ter reações cruzadas com secreções vaginais). Um resultado positivo em apenas um dos exames, especialmente o PSA, já é considerado indicativo de presença de sêmen, embora a confirmação por outro marcador seja desejável. A afirmação de que "só" quando ambos são reativos é excessivamente restritiva.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O crime de estupro está sim incluído no rol de crimes que autorizam a coleta de DNA de condenados e inclusão no banco de perfis genéticos, conforme a Lei nº 12.654/2012. Essa lei alterou a Lei de Execução Penal (art. 9º-A) para prever a identificação de perfil genético em condenados por crimes violentos ou de grave ameaça, incluindo estupro (art. 213, CP).
Alternativa E — ❌ Incorreta
O exame de PSA permanece reativo em amostras de sêmen de indivíduos vasectomizados. O PSA é produzido pela próstata, não pelos testículos. A vasectomia interrompe o transporte de espermatozoides, mas não altera a produção de PSA. Portanto, o sêmen de homens vasectomizados ainda contém PSA e é detectado no exame. A afirmativa erra ao associar a não reatividade à ausência de espermatozoides.
NÃO CAIA NESSA!
A alternativa E explora a confusão entre vasectomia (que elimina espermatozoides) e a produção de PSA (que é prostática e independente). Lembre-se: PSA é marcador de sêmen, não de espermatozoides. Já a alternativa C exige atenção ao termo "só" — em perícia, raramente se exige dupla reatividade como condição exclusiva.