Pular para o conteúdo principal

Questão de Direito Penal — Legislação Penal Especial — Instituto Acesso 2019

Direito PenalLegislação Penal Especial
Código
qq521682
Banca
Instituto Acesso
Órgão
PC-ES
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Delegado de Polícia - Anulado
Assinale a alternativa correta em relação aos delitos previstos na Lei 4898/65.
  1. AA pessoa jurídica poderá ser vítima do crime de abuso de autoridade.
  2. BDe acordo com essa Lei, constitui abuso de autoridade o ato de o delegado de polícia deixar de comunicar, imediatamente, a prisão ou a detenção de qualquer pessoa ao juiz e a alguém de sua família.
  3. COs crimes de abuso de autoridade são delitos de empreendimento.
  4. DA perda do cargo público é um efeito automático da condenação nos crimes previstos nessa Lei.
  5. ECaso o policial civil abusando de sua autoridade, determine, sem nenhuma justificativa, o encarceramento da vítima na delegacia, cometerá o delito previsto nessa Lei (art. 3º, “a”).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — A pessoa jurídica poderá ser vítima do crime de abuso de autoridade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Lei de Abuso de Autoridade (Lei 13.869/2019)

Gabarito: letra A. A pessoa jurídica pode ser vítima do crime de abuso de autoridade, pois a lei não restringe o sujeito passivo a pessoas naturais. A alternativa A está correta; as demais contêm erros quanto à tipificação, classificação ou efeitos da condenação com base na lei vigente (Lei 13.869/2019), que revogou a Lei 4.898/65.

A banca cobra o conhecimento da nova lei, que entrou em vigor em setembro de 2019. É fundamental atentar para as alterações, especialmente a não automaticidade da perda do cargo.

Alternativa

Conteúdo da Afirmação

Classificação (Correta/Incorreta)

Fundamento (Lei 13.869/2019)

A

A pessoa jurídica poderá ser vítima do crime de abuso de autoridade.

✅ Correta (Gabarito)

A lei não restringe o sujeito passivo a pessoas naturais; protege bens jurídicos de entes coletivos (art. 1º).

B

Constitui abuso de autoridade o ato de o delegado deixar de comunicar, imediatamente, a prisão ao juiz e a alguém da família.

❌ Incorreta

O art. 12 exige comunicação injustificada e no prazo legal; a comunicação à família é conduta autônoma (parágrafo único, II).

C

Os crimes de abuso de autoridade são delitos de empreendimento.

❌ Incorreta

São, em regra, delitos de mera conduta (formais), consumando-se com a ação descrita, sem necessidade de resultado naturalístico.

D

A perda do cargo público é efeito automático da condenação.

❌ Incorreta

A perda do cargo não é automática; depende de reincidência e deve ser declarada motivadamente na sentença (art. 4º, III c/c parágrafo único).

E

O policial que, sem justificativa, determinar o encarceramento da vítima comete o delito do art. 3º, “a”.

❌ Incorreta

A conduta se enquadra em outro tipo penal (art. 9º, caput, da Lei 13.869/2019), e não no art. 3º, “a”, que foi revogado.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O crime de abuso de autoridade pode ter como vítima pessoa jurídica, pois a lei protege bens jurídicos que também pertencem a entes coletivos (ex.: liberdade, inviolabilidade domiciliar). A doutrina e a jurisprudência majoritárias admitem, e a lei (art. 1º) não limita o sujeito passivo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Na Lei 13.869/2019, o art. 12 caput exige que a comunicação da prisão em flagrante à autoridade judiciária seja feita injustificadamente e no prazo legal — requisitos omitidos na alternativa. Além disso, o parágrafo único, II, prevê a comunicação à família como conduta autônoma, mas a alternativa as une como se fossem uma única exigência. Na lei antiga (4.898/65) não havia essa tipificação. Portanto, a descrição é imprecisa e incompleta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Os crimes de abuso de autoridade são, em regra, delitos de mera conduta (formais), consumando-se com a prática da ação descrita, independentemente de resultado naturalístico. A expressão "delitos de empreendimento" é inadequada; ela se refere a crimes em que se pune o início da execução como consumação (ex.: antigo art. 2º da Lei de Segurança Nacional), o que não se aplica aqui.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A perda do cargo público não é automática na lei vigente (Lei 13.869/2019). Conforme o art. 4º, III c/c parágrafo único, a perda do cargo é condicionada à reincidência e deve ser declarada motivadamente na sentença. Na lei revogada (4.898/65) era automática, mas a questão deve ser respondida com base na lei atual.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A conduta descrita (encarcerar sem justificativa) é típica, mas o dispositivo indicado está errado. Na Lei 13.869/2019, o crime é o art. 9º (decretar medida de privação da liberdade em manifesta desconformidade com as hipóteses legais). A menção ao "art. 3º, a" refere-se à lei revogada (4.898/65). Mesmo que a conduta se enquadre materialmente, a referência normativa é incorreta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a revogação da Lei 4.898/65 pela Lei 13.869/2019. O candidato que estudou apenas a lei antiga pode considerar a alternativa D como correta (já que a perda do cargo era automática) e a alternativa E como correta (pelo art. 3º, a). É essencial conhecer as alterações trazidas pela nova lei, especialmente a não automaticidade dos efeitos da condenação (art. 4º, parágrafo único).

Gabarito: letra A.

Link permanente: /questoes/qq521682