Questão de Português — Interpretação de Textos — IDIB 2020
Português›Interpretação de Textos
Código
qq599847
Banca
IDIB
Órgão
CRM-MT
Ano
2020
Nível
Superior
Cargo
Auditor
No que se refere às estratégias argumentativas do texto, podese afirmar que o autor do TEXTO I
Aemprega a 1ª pessoa do plural para dar ao texto um caráter afetivo e, ao mesmo tempo, imparcial.
Bfaz uso das aspas para demonstrar certo distanciamento e conferir ao texto ares de impessoalidade.
Cmostra opiniões diversas sobre o assunto discutido, permitindo ao leitor a liberdade de escolher o ponto de vista.
Dutiliza-se de palavras e expressões avaliativas que expressem seu ponto de vista, a fim de que o leitor seja convencido de seus argumentos.
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GabaritoD — utiliza-se de palavras e expressões avaliativas que expressem seu ponto de vista, a fim de que o leitor seja convencido de seus argumentos.
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Estratégias argumentativas no texto de Leandro Karnal
Gabarito: letra D. A estratégia central do autor é utilizar palavras e expressões avaliativas para expressar seu ponto de vista e persuadir o leitor. O texto é argumentativo, marcado por juízos de valor, como se vê em passagens: "eu adoraria", "creio que preferimos sempre o futuro do pretérito" (já no 1º parágrafo), "o mais grave" (2º parágrafo), "insensível, agressivo na voz ou arrogante" (4º parágrafo), "implacável juiz da minha consciência" (6º parágrafo). Essas escolhas lexicais revelam a opinião do autor e buscam convencer o leitor de sua tese — a diferença entre o ideal (futuro do pretérito) e o real.
O comando da questão é de compreensão: o que o texto faz como estratégia argumentativa. As alternativas devem ser testadas quanto à presença ou não dessa estratégia no texto.
Estratégias argumentativas: Central: palavras/expressões avaliativas (Juízos de valor, Convencer o leitor); 1ª pessoa do singular (predominante) (Opinião pessoal, Subjetividade); Aspas (Destaque de expressões, Ironia / citação, Impessoalidade (não ocorre)); Imparcialidade (não ocorre)
Alternativa A — ❌ Incorreta
"emprega a 1ª pessoa do plural para dar ao texto um caráter afetivo e, ao mesmo tempo, imparcial."
A 1ª pessoa do plural aparece no 1º parágrafo ("Os brasileiros, creio que preferimos sempre o futuro do pretérito") e em alguns momentos, mas o texto é predominantemente em 1ª pessoa do singular ("sou brasileiro nato", "explico-me", "fiz algo raríssimo", "costumo dizer"). O uso de "nós" aqui expressa identificação com o grupo, não imparcialidade — muito pelo contrário, o texto é profundamente pessoal e opinativo. Erro: contradiz o texto (atribui imparcialidade a um texto subjetivo) e troca conceito (confunde afetividade com imparcialidade).
Alternativa B — ❌ Incorreta
"faz uso das aspas para demonstrar certo distanciamento e conferir ao texto ares de impessoalidade."
As aspas no texto são usadas para destacar expressões como "praias do Brasil ensolaradas" (citação irônica de uma música), "olhos de fogo" (fala da mãe do autor) e "-Ia" e "-endo" (exemplos de terminações). Elas não têm função de impessoalidade — pelo contrário, marcam a voz do autor ou referências pessoais. O texto é tudo, menos impessoal. Erro: fora do escopo (a função das aspas no texto não é impessoalizar, e o texto não busca impessoalidade).
Alternativa C — ❌ Incorreta
"mostra opiniões diversas sobre o assunto discutido, permitindo ao leitor a liberdade de escolher o ponto de vista."
O texto não apresenta opiniões diversas; ele defende uma tese (a dificuldade de agir no presente versus o ideal do futuro do pretérito) e a ilustra com exemplos pessoais. Não há confronto de pontos de vista nem abertura para o leitor escolher. Erro: extrapola (atribui ao texto uma característica que ele não possui — pluralidade de opiniões).
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"utiliza-se de palavras e expressões avaliativas que expressem seu ponto de vista, a fim de que o leitor seja convencido de seus argumentos."
Essa alternativa descreve exatamente a estratégia do texto. O autor emprega adjetivos e advérbios com carga avaliativa: "raro", "simpático", "grosseiro", "insensível", "agressivo", "arrogante", "sábio", "implacável", "insignificante". Essas palavras revelam seu julgamento e orientam o leitor a concordar com sua reflexão. O objetivo é persuasivo, típico do texto dissertativo-argumentativo. Prova no texto: todo o texto é construído em torno da opinião do autor, que usa exemplos pessoais (a visita ao banco, o evento com a monja Coen) para defender sua tese.
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre estratégias argumentativas, procure marcas de subjetividade (adjetivos, verbos de opinião, modalizadores) e veja se o texto é expositivo ou argumentativo. Texto argumentativo = opinião + tentativa de convencimento.