Questão de Geografia — Geografia Política — IDIB 2020
GeografiaGeografia Política
- Código
- qq600887
- Banca
- IDIB
- Órgão
- Prefeitura de Jaguaribe - CE
- Ano
- 2020
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor - História
Leia o trecho a seguir, de Gilberto Freyre, retirado da obra
China Tropical (2011, p. 184-185):
Por que chamar-se o Brasil “China tropical” quando, a não ser
por sua extensão territorial, pelo seu poder de absorção
cultural e por alguns traços orientais que podem ser
encontrados na civilização brasileira, nosso país é tão
diferente tanto da antiga quanto da moderna China?
Provavelmente porque sempre houve no Brasil algo de oriental
contrastando com suas características ocidentais, algo
“mouro” – como já se demonstrou em capítulo especialmente
dedicado ao assunto, a propósito de sua arquitetura – em
contraste com os traços romanos ou latinos: algo, enfim,
diferente da América republicana (...) Possivelmente também
contribua para certa semelhança do Brasil com a China a atual
tendência por parte de grande número de brasileiros para
considerar suas florestas tropicais amazônicas e, tudo aquilo
que elas contêm, em especial o petróleo e os minerais, como
valores quase que sagrados, que só devem ser tocados pelos
próprios brasileiros.
(FREYRE, Gilberto. Por que China Tropical? In: China tropical / Gilberto
Freyre, 2011, Global Editora, p. 183-184).
A relação que Gilberto Freyre estabelece entre Brasil e China, reforça uma visão:
- AEurocêntrica, revelando o caráter conservador-monárquico que o sociólogo tem quanto à sua interpretação de Brasil.
- BAntiestadunidense, em alguma medida, dado que Gilberto era influenciado pelas ideias de Eduardo Prado e mantinha inclinações contrárias quanto ao regime republicano, reconhecendo nas raízes lusitanas o fundo mouro e panasiático.
- CLimitada quanto ao conhecimento sobre o povo asiático, ao confundir no excerto em questão as cidades de Goa com a cidade de Guan.
- DRelacionada aos grupos republicanos, que mantinham uma visão naturalizada sobre o Brasil, como se o país estivesse sempre fadado a voltar-se à defesa da floresta amazônica, reforçando a concepção do brasileiro animalesco e selvagem que os países do norte sempre nutriram.