Questão de Biologia — Problemas ambientais e medidas de conservação — INSTITUTO AOCP 2020
Biologia›Problemas ambientais e medidas de conservação
Código
qq602670
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Betim - MG
Ano
2020
Nível
Superior
Cargo
Professor - Ciências
Dentre os mais variados impactos negativos do homem no ambiente, o garimpo é um dos que mais provocam danos ao meio ambiente, devido à alta produção de dejetos tóxicos. No garimpo de ouro, para separar esse elemento de impurezas, é utilizado o mercúrio, que é aquecido e evapora ou é liberado na água. Em relação ao que essa prática provoca, assinale a alternativa correta.
ACausa diminuição da imunidade e aumento de doenças cardíacas de animais silvestres.
BO mercúrio, no solo, se ativa nas raízes de plantas, diminuindo a captação de nitrogênio e provoca enegrecimento de plantas, podendo matar árvores de grande porte.
CO mercúrio passa pela cadeia alimentar provocando doenças somente em mamíferos de grande porte e no homem.
DEm contato com a água, o mercúrio é consumido por bactérias que produzem o metilmercúrio, que é tóxico e é acumulado nos organismos ao longo da cadeia alimentar.
EEm contato com o ar, o mercúrio acelera o processo de decomposição de animais.
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GabaritoD — Em contato com a água, o mercúrio é consumido por bactérias que produzem o metilmercúrio, que é tóxico e é acumulado nos organismos ao longo da cadeia alimentar.
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Contaminação por mercúrio no garimpo: biomagnificação na cadeia alimentar
Gabarito: letra D. No garimpo de ouro, o mercúrio metálico lançado nos rios é convertido por bactérias em metilmercúrio, forma altamente tóxica que se acumula nos organismos e se concentra ao longo da cadeia alimentar (biomagnificação), atingindo principalmente os níveis tróficos superiores, incluindo o ser humano. Esse é o mecanismo clássico de contaminação por mercúrio descrito em Ecologia.
O mercúrio (Hg) é um metal pesado utilizado no garimpo para amalgamar o ouro. Quando lançado nos corpos d'água, bactérias anaeróbias presentes nos sedimentos o transformam em metilmercúrio (CH₃Hg⁺), uma forma orgânica lipossolúvel e muito mais tóxica. O metilmercúrio é absorvido pelo fitoplâncton e, como não é facilmente excretado, acumula-se nos tecidos dos organismos. A cada nível trófico, a concentração aumenta — fenômeno chamado biomagnificação ou magnificação trófica. Por isso, os predadores de topo (peixes grandes, aves, mamíferos e o homem) apresentam as maiores concentrações, sofrendo danos neurológicos, renais e reprodutivos.
A banca explora exatamente esse conceito: a alternativa correta descreve a conversão bacteriana em metilmercúrio e o acúmulo ao longo da cadeia. As demais alternativas trazem efeitos genéricos ou incorretos, sem relação direta com o mecanismo real da contaminação mercurial.
1Mercúrio lançado na água
2Bactérias produzem metilmercúrio
3Acúmulo nos organismos
4Biomagnificação na cadeia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o mercúrio causa diminuição da imunidade e aumento de doenças cardíacas em animais silvestres. Não há relação direta e específica entre a contaminação por mercúrio e esses efeitos. O mercúrio é um neurotóxico: seus principais efeitos são sobre o sistema nervoso, causando tremores, perda de coordenação, alterações sensoriais e, em casos graves, danos cerebrais irreversíveis. Não é um efeito imunológico ou cardíaco primário.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que o mercúrio no solo se ativa nas raízes das plantas, diminuindo a captação de nitrogênio e provocando enegrecimento das plantas. Não há fundamento ecológico para essa afirmação. O mercúrio não "ativa" nas raízes dessa forma, nem causa enegrecimento característico. O problema do mercúrio está na contaminação da água e na biomagnificação, não em um efeito direto sobre a nutrição vegetal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o mercúrio passa pela cadeia alimentar provocando doenças somente em mamíferos de grande porte e no homem. O erro está no termo "somente": a biomagnificação afeta todos os níveis tróficos superiores, incluindo aves, peixes e outros animais, não apenas mamíferos de grande porte. Além disso, os efeitos tóxicos não se restringem a doenças — incluem morte, redução da fertilidade e danos neurológicos.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve com precisão o mecanismo: em contato com a água, o mercúrio é consumido por bactérias que produzem o metilmercúrio, tóxico e acumulado nos organismos ao longo da cadeia alimentar. É exatamente o processo de metilação bacteriana e biomagnificação, conforme descrito na literatura e cobrado em provas de Biologia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que, em contato com o ar, o mercúrio acelera o processo de decomposição de animais. Não há qualquer relação entre mercúrio e decomposição. O mercúrio é um poluente tóxico, não um acelerador de processos biológicos de decomposição. A decomposição é realizada por fungos e bactérias decompositoras, sem influência do mercúrio.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato com efeitos genéricos e inespecíficos (imunidade, coração, plantas, decomposição) para desviar do mecanismo central: a biomagnificação. O aluno que decora apenas "mercúrio é tóxico" pode marcar qualquer alternativa que cite um dano, mas a questão exige o conhecimento do processo específico — metilação bacteriana e acúmulo trófico. Fique atento: quando a questão falar de metal pesado em cadeia alimentar, a resposta quase sempre envolve biomagnificação.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de contaminação por metais pesados (mercúrio, chumbo, cádmio) e pesticidas (DDT), lembre-se do fluxo: poluente → produtores → consumidores → biomagnificação nos níveis superiores. Se a alternativa mencionar "acúmulo ao longo da cadeia" ou "concentração nos níveis tróficos superiores", é forte candidata a correta. Revise também a diferença entre biomagnificação (aumento de concentração entre níveis) e bioacumulação (acúmulo dentro de um organismo ao longo da vida).