Questão de Português — Interpretação de Textos — CIESP 2021
PortuguêsInterpretação de Textos
- Código
- qq630691
- Banca
- CIESP
- Órgão
- CIESP
- Ano
- 2021
- Nível
- Superior
- Cargo
- Veterinário
A substituição do haver por ter em construções existenciais, no português do Brasil, corresponde a um dos processos mais característicos da história da língua portuguesa, paralelo ao que já ocorrera em relação à aplicação do domínio de ter na área semântica de “posse”, no final da fase arcaica.Mattos e Silva (2001:136) analisa as vitórias de ter sobre haver e discute a emergência de ter existencial, tomando por base a obra pedagógica de João de Barros. Em textos escritos nos anos quarenta e cinquenta do século XVI, encontram-se evidências, embora raras, tanto de ter “existencial”, não mencionado pelos clássicos estudos de sintaxe histórica, quanto de haver como verbo existencial com concordância, lembrado por Ivo Castro, e anotado como “novidade” no século XVIII por Said Ali.Como se vê, nada é categórico e um purismo estreito só revela um conhecimento deficiente da língua. Há mais perguntas que respostas. Pode-se conceber uma norma única e prescritiva? É válido confundir o bom uso e a norma com a própria língua e dessa forma fazer uma avaliação crítica e hierarquizante de outros usos e, através deles, dos usuários? Substitui-se uma norma por outra?Para a autora, a substituição de “haver” por “ter” em diferentes contextos evidencia que:
- Aos estudo clássicos de sintaxe histórica enfatizam a variação e a mudança na língua.
- Ba avaliação crítica e hierarquizante dos usos da língua fundamenta a definição da norma.
- Ca adoção de uma única norma revela uma atitude adequada para os estudos linguísticos.
- Dos comportamentos puristas são prejudiciais à compreensão da constituição linguística.