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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — INSTITUTO AOCP 2021

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
qq660353
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Câmara de Teresina - PI
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Assessor Jurídico Legislativo

Como Criamos Significados Na Linguagem Cotidiana?

Lilian Ferrari

   É comum, nos dias atuais, ouvirmos expressões como “maratonar um seriado”, “combater fake news” ou “bloquear um contato no WhatsApp”. E embora não tenhamos nenhuma dificuldade em produzir ou compreender essas expressões, nem sempre nos damos conta de que esses usos, como tantos outros em nossa linguagem cotidiana, não são literais, mas sim metafóricos. Isso porque tudo o que nos foi ensinado sobre metáforas faz com que pensemos que só é possível encontrá-las em textos elaborados, produzidos por especialistas que têm uma habilidade especial no manejo da linguagem, tais como escritores, poetas e afins.

   A verdade, entretanto, é que as metáforas ocorrem na linguagem como reflexo do nosso pensamento. Somos capazes de pensar metaforicamente e, por isso, também falamos metaforicamente. E se é assim, faz sentido que não apenas os textos literários, mas também a nossa linguagem cotidiana seja permeada de metáforas.

   Mas como são esses processos de pensamento? Por que, afinal de contas, temos a habilidade de pensar metaforicamente? A resposta é relativamente simples, e tem a ver com o fato de que temos que lidar com ideias que não fazem parte de nossa experiência corporal mais direta. Se aquilo que podemos ver, ouvir, provar, cheirar ou tocar é acessível à nossa compreensão, o mesmo não acontece quando se trata de uma ideia abstrata como, por exemplo, o tempo. Embora tenhamos que lidar com o tempo em nosso cotidiano – acordamos cedo para trabalhar, tomamos remédios com hora marcada, etc. –, o tempo não é diretamente captável por nossos sentidos. Diferentemente de casas, árvores, carros, livros e tudo o que faz parte de nossa experiência direta, o conceito de tempo é abstrato. E, por isso, para pensarmos sobre o tempo fica mais fácil usar a estratégia de “traduzi-lo” para algo mais familiar. Essa espécie de tradução é justamente a metáfora, que nos permite tratar conceitos abstratos de forma mais concreta.

  No caso do tempo, uma das possibilidades é pensar no tempo como se fosse espaço, e mais especificamente, como se fosse um local. Nesse caso, assim como podemos falar que estamos em um determinado lugar (ex. “Estamos na praça”), podemos nos referir a um período de tempo usando a mesma ideia de local (ex. “Estamos na primavera”). [...]


Adaptado de: <http://www.roseta.org.br/pt/2020/05/29/comocriamos-significados-na-linguagem-cotidiana>. Acesso em: 13 jul. 2020.

A respeito da utilização dos travessões no terceiro parágrafo do texto, assinale a alternativa correta.
  1. AEles indicam a mudança de interlocutor na transcrição de um diálogo.
  2. BEles sinalizam que a informação contida entre eles é mais importante que as demais.
  3. CEles poderiam ser substituídos por parênteses sem que isso causasse prejuízo sintático ao período.
  4. DEles sinalizam que a informação contida entre eles não poderia ser omitida sem que isso causasse prejuízo sintático ao período.
  5. EEles são usados de forma inadequada, já que o sinal de pontuação apropriado seria a vírgula.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Eles poderiam ser substituídos por parênteses sem que isso causasse prejuízo sintático ao período.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso dos travessões no terceiro parágrafo

Gabarito: letra C. Os travessões empregados no trecho "Embora tenhamos que lidar com o tempo em nosso cotidiano – acordamos cedo para trabalhar, tomamos remédios com hora marcada, etc. –, o tempo não é diretamente captável por nossos sentidos" isolam uma explicação/exemplificação intercalada. Essa função é perfeitamente desempenhada por parênteses, sem prejuízo sintático ou semântico. A alternativa C está correta.

Alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Os travessões não indicam mudança de interlocutor; não há diálogo no trecho. O erro é de extrapolação (atribuir função de travessão dialogal a um contexto que não a exige).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A informação entre travessões é um acréscimo explicativo, não o ponto central do período. A tese principal está fora dos travessões. Erro de troca de conceito (confundir intercalação com realce de importância).

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Os parênteses podem substituir os travessões sem alterar a estrutura sintática: ambos servem para isolar elementos intercalados de caráter explicativo ou exemplificativo. O período continua coeso e claro.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A omissão do trecho entre travessões não prejudica a sintaxe: a frase "Embora tenhamos que lidar com o tempo em nosso cotidiano, o tempo não é diretamente captável por nossos sentidos" é gramatical e semanticamente completa. O erro é de afirmação incompleta (inverte a realidade: o trecho é acessório, não essencial).

Alternativa E — ❌ Incorreta

O uso de travessões é adequado; vírgulas também poderiam ser usadas, mas a escolha por travessões não é inadequada. Afirmar o contrário contradiz o texto (não há impropriedade).

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir a função dos travessões (diálogo, realce, substituição por vírgulas) com o que realmente ocorre: intercalação explicativa, substituível por parênteses.

Conclusão: a única alternativa que descreve corretamente a função dos travessões no trecho é a letra C.

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