Análise do excerto “Isso é uma coisa que se fala há muito tempo”
Gabarito: letra A. A única alternativa correta é a letra A, pois a construção “se fala” é uma forma de indeterminar o sujeito (voz passiva sintética ou impessoal), eximindo o falante de apontar quem realiza a ação de falar – exatamente como afirma a alternativa. As demais alternativas apresentam incorreções de interpretação, gramática ou ortografia.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“Isso é uma coisa que se fala há muito tempo [...]”
No excerto, o verbo “falar” é empregado na terceira pessoa do singular acompanhado do pronome “se”. Essa estrutura, em língua portuguesa, pode veicular voz passiva sintética (sujeito indeterminado) ou impessoalidade, dependendo da transitividade. Aqui, “se fala” tem valor de sujeito indeterminado: não se especifica quem fala, apenas se afirma que a ideia é recorrente. Portanto, o entrevistado não precisa explicitar o agente da fala, o que torna a alternativa A perfeitamente ajustada ao texto e à análise gramatical.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O pronome demonstrativo “isso” retoma um referente presente no texto: a tese de que a depressão pode ser motivada por fatores sociais. O próprio Ricardo Moreno inicia sua resposta com “Não. Isso é uma coisa que se fala há muito tempo [...]”, referindo‑se ao conteúdo da pergunta anterior do entrevistador. Logo, não se trata de referente externo, e a afirmação de que “isso” está próximo da pessoa a quem se fala (entrevistador) é equivocada: o pronome é catafórico? Não, é anafórico, remetendo ao discurso imediatamente anterior. A alternativa contradiz o texto (erro: contradiz_texto).
Alternativa C — ❌ Incorreta
A substituição de “há muito tempo” por “muito tempo atraz” infringiria a norma gramatical porque a grafia correta é “atrás” (com “s”). Além disso, há diferença semântica sutil: “há muito tempo” indica período decorrido até o presente, enquanto “muito tempo atrás” localiza um ponto distante no passado. Independentemente disso, a questão de ortografia já invalida a troca. A alternativa é falsa por desconsiderar a regra ortográfica (erro: troca_conceito – confunde ortografia).
Alternativa D — ❌ Incorreta
No português brasileiro contemporâneo, “se fala” e “fala‑se” são variantes posicionais da mesma construção (próclise vs. ênclise) e não alteram o sentido. Em contextos formais, a ênclise é mais comum, mas a mensagem permanece idêntica: sujeito indeterminado. Portanto, substituir “se fala” por “fala‑se” não causa prejuízo semântico algum. A alternativa D contraria o fato gramatical (erro: contradiz_texto).
Alternativa E — ❌ Incorreta
O verbo “fala” no presente do indicativo, no excerto, não indica ação simultânea à fala do entrevistado. A expressão “se fala há muito tempo” revela um costume ou uma ideia que se repete ao longo do tempo, ou seja, valor habitual / iterativo. Se o entrevistado quisesse marcar a simultaneidade, usaria “está se falando” ou outro recurso. Portanto, a alternativa E impõe um valor temporal que não existe no texto (erro: contradiz_texto).
Conclusão: Apenas a alternativa A está em conformidade com o texto e com a gramática normativa. Gabarito: letra A.