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Questão de Português — Ortografia — INSTITUTO AOCP 2021

PortuguêsOrtografia
Código
qq661524
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
PC-PA
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Investigador de Polícia Civil

Entrevista com Maria Silvia Bolguese e Ricardo Moreno


Maria Silvia Bolguese, psicanalista e membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae


CULT – O que é a depressão?

Maria Silvia Bolguese – Em relação à psicanálise, quero destacar que a depressão pode ser compreendida considerando-se um espectro que vai desde os estados depressivos considerados normais, ou seja, reações de recolhimento do sujeito frente a dificuldades da vida, por um lado, ou angústias e desequilíbrios advindos de instabilidades internas; até as manifestações melancólicas graves, que impedem, inibem as possibilidades do existir.


CULT – Por que a depressão pode ser considerada um sintoma social?

Maria Silvia Bolguese – Sujeitos deprimidos e medicados são os sujeitos conformados à lógica dominante, que visam apenas a partir de si mesmos corrigir seu mal-estar. A passividade contemporânea em relação às condições sociais e políticas é decorrência dessa ideologia da culpabilização e responsabilização dos sujeitos. Claro está que os estados depressivos graves e melancólicos devem ser tratados pelo que produzem de sofrimento a seus portadores, mas não se pode deixar de considerar em nenhum caso as condições de vida a que esses mesmos sujeitos estão submetidos.


Ricardo Moreno, psiquiatra e coordenador do Programa de Transtornos Afetivos do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (IPQ)

CULT – Sob o ponto de vista da psiquiatria, o que é a depressão?

Ricardo Moreno – Depressão é uma doença que tem como base uma disfunção química do cérebro, ou seja, os sistemas de neurotransmissão são comprometidos. Ela se caracteriza por uma série de sinais e sintomas. Ela tende a recorrer ao longo da vida e tem uma série de prejuízos em vários níveis. Depressão não é tristeza, não é uma reação emocional a um evento qualquer.


CULT – A depressão pode ser motivada por fatores sociais?

Ricardo Moreno – Não. Isso é uma coisa que se fala há muito tempo, principalmente algumas vertentes interpretativas, mas a depressão não pode ser causada por fatores sociais. O que nós sabemos das causas da depressão: primeiro, há uma causa genética – 40% dos pacientes com depressão têm um fator genético envolvido. Mas não é somente o componente genético, tem de haver um componente psicossocial e psicológico. O que se sabe é que indivíduos que têm predisposição a ter depressão, quando submetidos a estresse, físico ou psicológico, podem ou não desenvolver a doença, dependendo da vulnerabilidade genética que eles têm e a capacidade psicológica de lidar com o estresse.


Adaptado de: https://revistacult.uol.com.br/home/entrevista__trashed/. Acesso em: 14 jan 2021.

Assinale a alternativa correta sobre o excerto “Isso é uma coisa que se fala há muito tempo [...]”.
  1. AAo utilizar a expressão “se fala”, o entrevistado se exime da obrigação de explicitar qual o agente que executa a ação de falar.
  2. BO pronome demonstrativo “isso” retoma um referente que está fora do texto e próximo da pessoa a quem se fala (o entrevistador) e não da pessoa que fala (o entrevistado).
  3. CA expressão “há muito tempo” poderia ser substituída por “muito tempo atraz”, sem que isso infringisse qualquer norma gramatical.
  4. DA substituição de “se fala” por “fala-se” causaria um prejuízo semântico ao excerto.
  5. EA utilização do verbo “fala” no presente do indicativo sinaliza uma ação que ocorre simultaneamente ao momento em que o entrevistado profere sua resposta.
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GabaritoA — Ao utilizar a expressão “se fala”, o entrevistado se exime da obrigação de explicitar qual o agente que executa a ação de falar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise do excerto “Isso é uma coisa que se fala há muito tempo”

Gabarito: letra A. A única alternativa correta é a letra A, pois a construção “se fala” é uma forma de indeterminar o sujeito (voz passiva sintética ou impessoal), eximindo o falante de apontar quem realiza a ação de falar – exatamente como afirma a alternativa. As demais alternativas apresentam incorreções de interpretação, gramática ou ortografia.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Isso é uma coisa que se fala há muito tempo [...]”

No excerto, o verbo “falar” é empregado na terceira pessoa do singular acompanhado do pronome “se”. Essa estrutura, em língua portuguesa, pode veicular voz passiva sintética (sujeito indeterminado) ou impessoalidade, dependendo da transitividade. Aqui, “se fala” tem valor de sujeito indeterminado: não se especifica quem fala, apenas se afirma que a ideia é recorrente. Portanto, o entrevistado não precisa explicitar o agente da fala, o que torna a alternativa A perfeitamente ajustada ao texto e à análise gramatical.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O pronome demonstrativo “isso” retoma um referente presente no texto: a tese de que a depressão pode ser motivada por fatores sociais. O próprio Ricardo Moreno inicia sua resposta com “Não. Isso é uma coisa que se fala há muito tempo [...]”, referindo‑se ao conteúdo da pergunta anterior do entrevistador. Logo, não se trata de referente externo, e a afirmação de que “isso” está próximo da pessoa a quem se fala (entrevistador) é equivocada: o pronome é catafórico? Não, é anafórico, remetendo ao discurso imediatamente anterior. A alternativa contradiz o texto (erro: contradiz_texto).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A substituição de “há muito tempo” por “muito tempo atraz” infringiria a norma gramatical porque a grafia correta é “atrás” (com “s”). Além disso, há diferença semântica sutil: “há muito tempo” indica período decorrido até o presente, enquanto “muito tempo atrás” localiza um ponto distante no passado. Independentemente disso, a questão de ortografia já invalida a troca. A alternativa é falsa por desconsiderar a regra ortográfica (erro: troca_conceito – confunde ortografia).

Alternativa D — ❌ Incorreta

No português brasileiro contemporâneo, “se fala” e “fala‑se” são variantes posicionais da mesma construção (próclise vs. ênclise) e não alteram o sentido. Em contextos formais, a ênclise é mais comum, mas a mensagem permanece idêntica: sujeito indeterminado. Portanto, substituir “se fala” por “fala‑se” não causa prejuízo semântico algum. A alternativa D contraria o fato gramatical (erro: contradiz_texto).

Alternativa E — ❌ Incorreta

O verbo “fala” no presente do indicativo, no excerto, não indica ação simultânea à fala do entrevistado. A expressão “se fala há muito tempo” revela um costume ou uma ideia que se repete ao longo do tempo, ou seja, valor habitual / iterativo. Se o entrevistado quisesse marcar a simultaneidade, usaria “está se falando” ou outro recurso. Portanto, a alternativa E impõe um valor temporal que não existe no texto (erro: contradiz_texto).

Conclusão: Apenas a alternativa A está em conformidade com o texto e com a gramática normativa. Gabarito: letra A.

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