Questão de História — História do Brasil — Unesc 2021
HistóriaHistória do Brasil
- Código
- qq689879
- Banca
- Unesc
- Órgão
- Prefeitura de Laguna - SC
- Ano
- 2021
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor de História
O historiador Marcos Napolitano no livro 1964: história do regime militar brasileiro, publicado em 2014, assim se refere ao governo Geisel:“Os anos de governo do presidente Ernesto Geisel constituem um particular exercício de compreensão dialética da história, ou seja, aquela que leva em conta as contradições intrínsecas ao período. Tese e antítese convivem neles de maneira tão adensada, cuja melhor expressão encontra-se na fórmula de Elio Gaspari, ao dizer que quando Geisel assumiu “havia uma ditadura sem ditador. No fim do seu governo, havia um ditador sem ditadura”. Talvez a bela formulação, em seu jogo instigante de palavras, seja um tanto questionável como explicação histórica, mas tem seu momento de verdade. O fato é que Geisel passou para a história como o presidente autocrático que iniciou o processo de abertura e, consequentemente, de transição política”. Sobre o período em que questão é incorreto afirmar:
- AFalas como essas, ocorridas depois de terminada a ditadura, consagram uma interpretação eventualmente plausível da trajetória do presidente Geisel, sem dúvida um dos governos mais complexos e dinâmicos do regime militar.
- BNa ocasião de sua morte, em 1996, essa percepção construída ainda sob seu mandato presidencial consagrou-se na memória. A imprensa liberal, artífice e arauto dessa memória, não se cansou de repetir o quadro explicativo que colocou o presidente sob a perspectiva de uma contradição suspensa pelo balanço positivo do saldo final do seu governo para o processo democrático.
- CUm exemplo das contradições do governo de Geisel é que ao mesmo tempo em que abusou da censura para controlar a oposição, patrocinou uma política cultural que beneficiou muitos artistas que eram notoriamente contra o regime.
- DA políticas de Geisel, longe de serem expressões de um governo hesitante ou indefinido, inscrevem-se em uma estratégia clara de reforçar a autoridade do Estado e, consequentemente, dotar o regime e o governo de instrumentos para conduzir a transição para o governo civil com mão de ferro.
- EFoi o responsável pela Lei da Anistia, Lei 6.683/79, que tratou os crimes das partes envolvidas de forma equânime e beneficiou igualmente todos os autores de atos de violência política cometidos durante o Regime Militar.