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O ponto que separa os dois enunciados foi empregado para produzir ênfase em
ASucesso dos anos 90, não à toa, o filme transcendeu sua época e até hoje é muito comentado entre as gerações z e millennial. Mas a marca que este filme deixou no meu interior foi muito maior e devastadora do que a presença da Dionne (linhas 11 a 14).
BSe puder criar um termo aqui e agora eu diria que nós, adolescentes dos anos 90, vivemos uma agressiva beauty wash* durante a Sessão da Tarde. Não só o filme das patricinhas, mas a maioria dos filmes que assistimos contribuiu para ferrar com o conceito que temos sobre o nosso corpo (linhas 17 a 20).
CIsso fez com que uma geração de mulheres aprendesse que felicidade só se alcança quando atingimos um determinado ideal de beleza. É como se existisse um passaporte pela felicidade e ele fosse um extreme makeover** (linhas 25 a 27).
DQuanto maiores os nossos avanços na ocupação de espaços para os quais fomos historicamente excluídas, maiores são as exigências de beleza expostas nas capas de revistas, nas novelas, nos filmes. Consequentemente, maiores são os números de cirurgias plásticas realizadas pelas mulheres (linhas 39 a 42).
EEu queria terminar este texto com uma receita mágica do que fazer pra sair deste sentimento pesado de infelicidade do agora em busca da felicidade do amanhã que eu nem sei se existe, mas eu não tenho essa receita. Eu só sei dizer que você é linda do jeito que você é (linhas 69 a 72).
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GabaritoA — Sucesso dos anos 90, não à toa, o filme transcendeu sua época e até hoje é muito comentado entre as gerações z e millennial. Mas a marca que este filme deixou no meu interior foi muito maior e devastadora do que a presença da Dionne (linhas 11 a 14).
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Uso do ponto para ênfase no texto
Gabarito: letra A. O ponto foi empregado antes da conjunção "Mas" para produzir ênfase no contraste entre as duas ideias, destacando o impacto pessoal do filme sobre a autora. Como se lê no trecho:
Sucesso dos anos 90, não à toa, o filme transcendeu sua época e até hoje é muito comentado entre as gerações z e millennial. Mas a marca que este filme deixou no meu interior foi muito maior e devastadora do que a presença da Dionne (linhas 11 a 14).
A pausa criada pelo ponto antes de "Mas" intensifica a oposição, recurso estilístico comum para dar relevo à segunda afirmação. A questão exige identificar em qual alternativa esse uso enfático ocorre — não basta que haja um ponto, é preciso que ele sirva para realçar uma virada argumentativa.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
No trecho, o ponto separa uma constatação geral (o sucesso do filme) de uma revelação pessoal e contrastante (a marca devastadora). A conjunção "Mas" após o ponto sinaliza oposição, e a pausa maior (ponto final em vez de vírgula) dá ênfase ao contraste, fazendo o leitor pausar e absorver a virada. É exatamente o que o enunciado pede: emprego do ponto para produzir ênfase.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Se puder criar um termo aqui e agora eu diria que nós, adolescentes dos anos 90, vivemos uma agressiva beauty wash durante a Sessão da Tarde. Não só o filme das patricinhas, mas a maioria dos filmes que assistimos contribuiu para ferrar com o conceito que temos sobre o nosso corpo (linhas 17 a 20).
O ponto aqui separa a introdução da tese da explicação subsequente. A segunda frase inicia com "Não só...", estrutura de adição, não de oposição enfática. Não há contraste realçado; a pausa é neutra, apenas organiza a exposição. A ênfase não é o objetivo primário — a banca considera que o ponto não foi usado com essa finalidade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Isso fez com que uma geração de mulheres aprendesse que felicidade só se alcança quando atingimos um determinado ideal de beleza. É como se existisse um passaporte pela felicidade e ele fosse um extreme makeover (linhas 25 a 27).
O ponto separa uma conclusão de uma comparação explicativa ("É como se..."). A segunda frase apenas desenvolve a primeira, sem oposição ou virada argumentativa. Não há ênfase; há continuidade. O ponto é meramente estrutural.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Quanto maiores os nossos avanços na ocupação de espaços para os quais fomos historicamente excluídas, maiores são as exigências de beleza expostas nas capas de revistas, nas novelas, nos filmes. Consequentemente, maiores são os números de cirurgias plásticas realizadas pelas mulheres (linhas 39 a 42).
O ponto antecede "Consequentemente", conectivo de consequência lógica. A pausa é natural e esperada em textos dissertativos; não há intenção enfática. A ênfase, se houvesse, recairia sobre a consequência, mas o ponto não é usado como recurso estilístico de destaque — é pontuação padrão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Eu queria terminar este texto com uma receita mágica do que fazer pra sair deste sentimento pesado de infelicidade do agora em busca da felicidade do amanhã que eu nem sei se existe, mas eu não tenho essa receita. Eu só sei dizer que você é linda do jeito que você é (linhas 69 a 72).
A primeira frase já contém um "mas" interno, e o ponto separa a constatação da falta de receita de uma afirmação consoladora. Embora haja contraste entre querer e não ter, o ponto não está realçando uma oposição; ele simplesmente passa a uma nova ideia. A ênfase não é o recurso empregado.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de pontuação estilística, observe a relação lógica entre as partes separadas pelo ponto. Se há uma conjunção adversativa (mas, porém, todavia) após o ponto, provavelmente o autor quis dar ênfase ao contraste. Conectivos de adição (não só..., mas também) ou de consequência (consequentemente) geralmente não geram ênfase com o ponto.