Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — FUNDATEC 2022
- Código
- qq731855
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- Prefeitura de Taquari - RS
- Ano
- 2022
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor de Ciências
- AF – V – F.
- BV – F – V.
- CV – F – F.
- DF – F – V.
- EV – V – V.
GabaritoB — V – F – V.
Gabarito: letra B — sequência V – F – V. A primeira assertiva é verdadeira porque o desmatamento e as queimadas reduzem a fixação de carbono pela fotossíntese e liberam CO₂ na atmosfera, intensificando o efeito estufa; a segunda é falsa porque a perda de biodiversidade na Amazônia não é compensada por outros biomas, que também sofrem pressão; e a terceira é verdadeira porque a maior parte da produtividade primária líquida do planeta vem dos oceanos, não das florestas — por isso a Amazônia não é o "pulmão do mundo".
O texto-base do enunciado já antecipa o tema central: a destruição da Floresta Amazônica ameaça a biodiversidade e agrava o aquecimento global, mas a ideia de que a floresta seria o "pulmão do mundo" é um equívoco científico. Para resolver a questão, é preciso dominar três conceitos ecológicos: (1) o papel das florestas no ciclo do carbono, (2) o conceito de biodiversidade e a insubstituibilidade de cada bioma, e (3) o conceito de produtividade primária líquida (PPL).
1. Florestas e o ciclo do carbono. As plantas realizam fotossíntese, retirando CO₂ da atmosfera e fixando carbono em sua biomassa. Quando uma floresta é desmatada ou queimada, esse carbono estocado é liberado de volta para a atmosfera na forma de CO₂ (gás carbônico), e a capacidade futura de fixação é reduzida ou eliminada. O resultado é duplo: menos carbono é retirado da atmosfera e mais carbono é emitido — exatamente o que a primeira assertiva descreve. Esse processo contribui diretamente para o agravamento do efeito estufa e do aquecimento global, como aponta o texto de apoio sobre aquecimento global, que destaca a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento como principais fontes de emissão de gases de efeito estufa.
2. Biodiversidade e a insubstituibilidade dos biomas. A biodiversidade não é distribuída uniformemente; cada bioma abriga um conjunto único de espécies e interações ecológicas. A perda de habitat na Amazônia — seja por desmatamento, queimadas ou fragmentação — representa uma perda irreversível de espécies e de serviços ecossistêmicos. A assertiva II afirma que outros biomas, como Mata Atlântica e Cerrado, "conseguem contrabalançar as perdas amazônicas". Isso é falso por dois motivos: primeiro, porque a biodiversidade não é um recurso fungível — espécies endêmicas da Amazônia não existem em outros biomas; segundo, porque a Mata Atlântica e o Cerrado também são gravemente ameaçados, sendo considerados hotspots de biodiversidade justamente por sua riqueza e pelo alto grau de degradação. O texto de apoio menciona a Mata Atlântica como área vulnerável e o Cerrado como bioma brasileiro, reforçando que ambos estão sob pressão, não em condições de "compensar" perdas alheias.
3. Produtividade primária líquida e o "pulmão do mundo". A produtividade primária líquida (PPL) é a quantidade de energia química (biomassa) produzida pelos produtores (plantas, algas, cianobactérias) em um ecossistema, descontada a energia gasta na respiração. Embora as florestas tropicais tenham alta produtividade, os oceanos, por sua imensa extensão, respondem pela maior parte da PPL global. Estima-se que cerca de metade da produção primária líquida da Terra ocorra nos oceanos, principalmente pelo fitoplâncton. Portanto, dizer que a Amazônia é o "pulmão do mundo" é um erro: o oxigênio que respiramos vem majoritariamente do fitoplâncton marinho, e não das florestas. A assertiva III captura exatamente essa ideia.
A assertiva afirma que o desmatamento e as queimadas reduzem a fixação de carbono e aumentam a emissão de CO₂, agravando o aquecimento global. Isso está correto: as árvores, ao realizarem fotossíntese, retiram CO₂ da atmosfera e o incorporam à biomassa. Quando a floresta é derrubada ou queimada, o carbono estocado é liberado (na queima, diretamente como CO₂; na decomposição, também), e a área perde sua capacidade de sequestrar carbono no futuro. O texto de apoio sobre aquecimento global confirma que o desmatamento é uma das causas das emissões de gases de efeito estufa. Portanto, a assertiva é verdadeira.
A assertiva afirma que o desmatamento da Amazônia não ameaça a biodiversidade global porque outros biomas (Mata Atlântica e Cerrado) "conseguem contrabalançar as perdas amazônicas". Isso é falso por dois motivos: (1) a biodiversidade não é fungível — espécies endêmicas da Amazônia não existem em outros biomas, portanto a perda é irreversível; (2) a Mata Atlântica e o Cerrado também são gravemente ameaçados, sendo hotspots de biodiversidade justamente por sua riqueza e pelo alto grau de degradação. O texto de apoio lista a Mata Atlântica e o Cerrado como áreas vulneráveis, indicando que ambos estão sob pressão, não em condições de "compensar" perdas alheias. Portanto, a assertiva é falsa.
A assertiva afirma que é um erro dizer que a Amazônia é o pulmão do mundo porque a maior parte da produtividade primária líquida mundial se refere à produtividade oceânica. Isso está correto: embora as florestas tropicais tenham alta produtividade, os oceanos, por sua imensa extensão, respondem pela maior parte da PPL global, principalmente pelo fitoplâncton. O oxigênio que respiramos vem majoritariamente do fitoplâncton marinho, não das florestas. Portanto, a assertiva é verdadeira.
A banca explora a confusão entre "biodiversidade" e "produtividade primária". O candidato pode achar que a assertiva II é verdadeira porque Mata Atlântica e Cerrado são hotspots, mas a questão quer que você perceba que a perda de biodiversidade não é compensável — cada bioma é único. Além disso, a assertiva III inverte a intuição: muita gente acredita que a Amazônia produz a maior parte do oxigênio, mas a ciência mostra que os oceanos lideram a PPL. Fique atento a essas trocas conceituais!
Para questões sobre "pulmão do mundo", lembre-se: o oxigênio atmosférico vem principalmente do fitoplâncton marinho, não das florestas. E para questões sobre biodiversidade, lembre-se de que cada bioma é insubstituível — a perda de um não é compensada por outro. Anote esses dois pontos e revise antes da prova.
Gabarito: letra B — sequência V – F – V.
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