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Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra SE — FUNDATEC 2022

PortuguêsFunções morfossintáticas da palavra SE
Código
qq735217
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Tunas - RS
Ano
2022
Nível
Médio

Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.


Aviãozinho


Por Luís Fernando Verissimo


  1. A estratégia do falso aviãozinho que todas as mães do mundo ― literalmente: todas ―
  2. usam para convencer o bebê a comer sua papinha e é tão antiga quanto o próprio avião, não
  3. tem nenhuma lógica. Para começar, é pouco provável que um bebê na idade de comer papinha
  4. sequer saiba o que é um avião. A mãe fazer o ruído do motor enquanto aproxima o
  5. pseudoaviãozinho da sua boca não ajuda em nada, o bebê também não sabe como é barulho de
  6. avião. Para ele, aquilo é apenas outro barulho de mãe.
  7. Em segundo lugar, não há qualquer razão para um bebê aceitar papinha de um avião que
  8. não aceitaria de uma colher. No seu universo, avião e colher é a mesma coisa. Navio e colher é
  9. a mesma coisa. Se o bebê, por um fenômeno de precocidade, se desse conta do surrealismo da
  10. cena ― "Abre a boquinha que lá vai o aviãozinho"?! ― isso seria mais causa para espanto do
  11. que para abrir a boca. Quem quer comer papinha com um avião se aproximando da sua boca,
  12. fazendo barulho?
  13. Pensando bem, nossa infância era cheia de surrealismo inconsciente, de ameaças e
  14. sentenças que só não nos paralisavam de medo ou perplexidade porque não pensávamos muito
  15. a respeito. Não me lembro de ficar muito impressionado com a informação de que eu só não
  16. perdia a cabeça porque ela estava presa no corpo, por exemplo. Hoje, sim, penso naquela terrível
  17. possível consequência da minha distração ir embora e deixar a cabeça em algum lugar! Ou,
  18. já que o cérebro estava na cabeça, pelo menos a maior parte, me dar conta de que meu corpo
  19. tinha me esquecido. Sem poder gritar, sem poder sequer assoviar, já que os pulmões tinham ido
  20. junto. Uma cabeça abandonada no mundo, incapaz de sequer se alimentar.
  21. A não ser, claro, que um aviãozinho surgisse, misteriosamente, do passado, carregado
  22. de papinha, para me salvar. Pulseira dourada Mais lembranças inúteis. Tinha eu meus 7 anos...
  23. Se você quiser parar por aqui, tudo bem. Não, não, nenhum constrangimento. Vá ler o resto do
  24. jornal, aqui você só estaria perdendo tempo. O que é isso? Eu entendo. Numa boa. Eu mesmo
  25. só fico porque preciso botar o ponto final. Mas tinha eu meus 7 anos e morávamos em Los
  26. Angeles. Meu pai lecionava na UCLA, eu e minha irmã frequentávamos uma escola perto de casa.
  27. E me apaixonei por uma menina da escola. Uma daquelas paixões dos 7 anos, terrível e, no meu
  28. caso, secreta e silenciosa. Os donos da casa que alugávamos tinham deixado uma bijuteria mal
  29. escondida atrás de uns livros, numa prateleira da sala. Uma pulseira dourada dentro de uma
  30. caixa. Um dia, tomei a decisão. Meu amor justificava tudo, até o crime. Peguei a pulseira e a
  31. levei, escondida, para a escola. Na saída, entreguei a caixa para ___ menina ― e saí correndo.
  32. Em casa nunca deram falta da pulseira. A menina nunca disse nada sobre o presente. Eu,
  33. obviamente, nunca mencionei o fato para ninguém, muito menos para a menina ― com quem,
  34. aliás, nunca troquei nem um tímido "hello". A história termina aqui. Eu avisei que você ia perder
  35. tempo. Mas ___ vezes penso naquela pulseira e imagino coisas. Chegar, um dia, nos Estados
  36. Unidos e alguém da imigração americana consultar um computador e dizer "Há a questão de
  37. certa pulseira dourada na Califórnia, Mr. Verissimo...". Estar assistindo ___ entrevista de alguma
  38. atriz famosa na TV e ela contar que um dia, quando tinha 7 anos, um garoto estranho lhe
  39. entregara uma pulseira e saíra correndo, e mostrar a pulseira dourada, que lhe dera sorte, que
  40. era responsável pelo seu sucesso, e que ela nunca pudera agradecer... Pelo menos minha vida
  41. de crimes acabou ali. Post scriptum tipo nada a ver com nada. Muitos anos depois visitei o bairro
  42. em que morávamos em Los Angeles e fui procurar a escola, palco do meu gesto tresloucado.
  43. Tinha sido destruída por um terremoto.


(Disponível em: Cultura Genial – https://www.culturagenial.com/cronicas-engracadas-de-luis-fernando-verissimo-comentadas/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

No trecho “Se você quiser parar por aqui” (l. 23), a conjunção “se” indica a ideia de _____ e poderia ser substituída por _____, desde que ______ feitas alterações no período a fim de ser mantida a correção gramatical.Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
  1. Acausa – uma vez que – sejam
  2. Bcausa – uma vez que – não sejam
  3. Ccondição – uma vez que – não sejam
  4. Dcondição – caso – não sejam
  5. Econdição – caso – sejam
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — condição – caso – sejam

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjunção "se" e substituição por "caso" — Gabarito: letra E.

No trecho "Se você quiser parar por aqui", o "se" é conjunção condicional (introduz uma hipótese) e pode ser substituído por "caso", desde que sejam feitas as alterações necessárias no período para manter a correção gramatical. A substituição por "caso" exige que o verbo da oração subordinada fique no presente do subjuntivo ("caso você queira"), e a forma "sejam" concorda com o sujeito "alterações".

Análise do trecho e da substituição

No texto, o autor escreve: "Se você quiser parar por aqui, tudo bem." O "se" estabelece uma condição: a permissão para parar depende da vontade do leitor. Trata-se de uma oração subordinada adverbial condicional, pois expressa uma hipótese necessária para a ocorrência do fato principal.

Ao substituir "se" por "caso", a estrutura muda: "Caso você queira parar por aqui, tudo bem." O verbo "quiser" (futuro do subjuntivo) passa a "queira" (presente do subjuntivo), porque a conjunção "caso" exige o presente do subjuntivo. Já na oração principal, a forma "sejam" (presente do subjuntivo do verbo "ser") é mantida, concordando com o sujeito "alterações" (3ª pessoa do plural).

Alternativas

Conjunção "se"
  • 1Condicional
    • Substituível por "caso"
    • Exige presente do subjuntivo
  • 2Causal
    • Substituível por "uma vez que"
    • Não exige subjuntivo
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Conjunção "se"
  • 1Condicional
    • Substituível por "caso"
    • Exige presente do subjuntivo
  • 2Causal
    • Substituível por "uma vez que"
    • Não exige subjuntivo
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao classificar o "se" como causal e indicar "uma vez que" como substituto. No trecho, não há relação de causa; há uma condição (se você quiser). Além disso, "uma vez que" não exige subjuntivo, e a forma "sejam" estaria correta, mas a classificação já invalida a alternativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Mesmo erro da A: classifica como causal e usa "uma vez que". Ainda acrescenta "não sejam", o que quebraria a concordância com "alterações" (sujeito plural exige "sejam").

Alternativa C — ❌ Incorreta

Acerta ao classificar como condicional e usar "caso", mas erra ao colocar "não sejam". A forma correta é "sejam", pois o sujeito "alterações" é plural e o verbo deve concordar.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Acerta na classificação condicional e na substituição por "caso", mas erra ao usar "não sejam". A negação não é adequada ao sentido do período; o que se quer é que as alterações sejam feitas.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Classifica corretamente o "se" como condicional, substitui por "caso" e usa "sejam", mantendo a concordância com "alterações". A substituição exige ajustes no verbo da subordinada (futuro do subjuntivo → presente do subjuntivo), mas a forma "sejam" permanece adequada.

PEGA ESSA DICA!

Ao trocar "se" por "caso", lembre-se: "caso" exige presente do subjuntivo ("caso você queira"), enquanto "se" pode vir com futuro do subjuntivo ("se você quiser"). Fique atento à concordância com o sujeito.

Gabarito: letra E.

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