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Questão de Português — Morfologia - Verbos — FUNDATEC 2022

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
qq735220
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Tunas - RS
Ano
2022
Nível
Médio

Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.


Aviãozinho


Por Luís Fernando Verissimo


  1. A estratégia do falso aviãozinho que todas as mães do mundo ― literalmente: todas ―
  2. usam para convencer o bebê a comer sua papinha e é tão antiga quanto o próprio avião, não
  3. tem nenhuma lógica. Para começar, é pouco provável que um bebê na idade de comer papinha
  4. sequer saiba o que é um avião. A mãe fazer o ruído do motor enquanto aproxima o
  5. pseudoaviãozinho da sua boca não ajuda em nada, o bebê também não sabe como é barulho de
  6. avião. Para ele, aquilo é apenas outro barulho de mãe.
  7. Em segundo lugar, não há qualquer razão para um bebê aceitar papinha de um avião que
  8. não aceitaria de uma colher. No seu universo, avião e colher é a mesma coisa. Navio e colher é
  9. a mesma coisa. Se o bebê, por um fenômeno de precocidade, se desse conta do surrealismo da
  10. cena ― "Abre a boquinha que lá vai o aviãozinho"?! ― isso seria mais causa para espanto do
  11. que para abrir a boca. Quem quer comer papinha com um avião se aproximando da sua boca,
  12. fazendo barulho?
  13. Pensando bem, nossa infância era cheia de surrealismo inconsciente, de ameaças e
  14. sentenças que só não nos paralisavam de medo ou perplexidade porque não pensávamos muito
  15. a respeito. Não me lembro de ficar muito impressionado com a informação de que eu só não
  16. perdia a cabeça porque ela estava presa no corpo, por exemplo. Hoje, sim, penso naquela terrível
  17. possível consequência da minha distração ir embora e deixar a cabeça em algum lugar! Ou,
  18. já que o cérebro estava na cabeça, pelo menos a maior parte, me dar conta de que meu corpo
  19. tinha me esquecido. Sem poder gritar, sem poder sequer assoviar, já que os pulmões tinham ido
  20. junto. Uma cabeça abandonada no mundo, incapaz de sequer se alimentar.
  21. A não ser, claro, que um aviãozinho surgisse, misteriosamente, do passado, carregado
  22. de papinha, para me salvar. Pulseira dourada Mais lembranças inúteis. Tinha eu meus 7 anos...
  23. Se você quiser parar por aqui, tudo bem. Não, não, nenhum constrangimento. Vá ler o resto do
  24. jornal, aqui você só estaria perdendo tempo. O que é isso? Eu entendo. Numa boa. Eu mesmo
  25. só fico porque preciso botar o ponto final. Mas tinha eu meus 7 anos e morávamos em Los
  26. Angeles. Meu pai lecionava na UCLA, eu e minha irmã frequentávamos uma escola perto de casa.
  27. E me apaixonei por uma menina da escola. Uma daquelas paixões dos 7 anos, terrível e, no meu
  28. caso, secreta e silenciosa. Os donos da casa que alugávamos tinham deixado uma bijuteria mal
  29. escondida atrás de uns livros, numa prateleira da sala. Uma pulseira dourada dentro de uma
  30. caixa. Um dia, tomei a decisão. Meu amor justificava tudo, até o crime. Peguei a pulseira e a
  31. levei, escondida, para a escola. Na saída, entreguei a caixa para ___ menina ― e saí correndo.
  32. Em casa nunca deram falta da pulseira. A menina nunca disse nada sobre o presente. Eu,
  33. obviamente, nunca mencionei o fato para ninguém, muito menos para a menina ― com quem,
  34. aliás, nunca troquei nem um tímido "hello". A história termina aqui. Eu avisei que você ia perder
  35. tempo. Mas ___ vezes penso naquela pulseira e imagino coisas. Chegar, um dia, nos Estados
  36. Unidos e alguém da imigração americana consultar um computador e dizer "Há a questão de
  37. certa pulseira dourada na Califórnia, Mr. Verissimo...". Estar assistindo ___ entrevista de alguma
  38. atriz famosa na TV e ela contar que um dia, quando tinha 7 anos, um garoto estranho lhe
  39. entregara uma pulseira e saíra correndo, e mostrar a pulseira dourada, que lhe dera sorte, que
  40. era responsável pelo seu sucesso, e que ela nunca pudera agradecer... Pelo menos minha vida
  41. de crimes acabou ali. Post scriptum tipo nada a ver com nada. Muitos anos depois visitei o bairro
  42. em que morávamos em Los Angeles e fui procurar a escola, palco do meu gesto tresloucado.
  43. Tinha sido destruída por um terremoto.


(Disponível em: Cultura Genial – https://www.culturagenial.com/cronicas-engracadas-de-luis-fernando-verissimo-comentadas/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que indica a correta transposição do trecho a seguir para a voz passiva: “Os donos da casa que alugávamos tinham deixado uma bijuteria mal escondida atrás de uns livros”.
  1. AUma bijuteria tinha sido deixada mal escondida atrás de uns livros pelos donos da casa que alugávamos.
  2. BAlguém havia deixado uma bijuteria mal escondida atrás de uns livros.
  3. CUma bijuteria deixou-se mal escondida atrás de uns livros pelos donos da casa que alugávamos.
  4. DOs donos da casa que alugávamos deixam uma bijuteria mal escondida atrás de uns livros.
  5. EUma bijuteria deixa-se mal escondida atrás de uns livros pelos donos da casa que alugávamos.
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GabaritoA — Uma bijuteria tinha sido deixada mal escondida atrás de uns livros pelos donos da casa que alugávamos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transposição para a voz passiva — Gabarito: letra A.

A alternativa A é a única que converte corretamente a oração ativa para a voz passiva analítica, preservando o tempo composto (mais-que-perfeito composto do indicativo) e mantendo o agente da passiva ("pelos donos da casa que alugávamos"). A transposição exige: o objeto direto vira sujeito paciente, o verbo principal vai para o particípio e o auxiliar "ter" é substituído por "ser" no mesmo tempo — daí "tinham deixado" → "tinha sido deixada".

A frase original é:

"Os donos da casa que alugávamos tinham deixado uma bijuteria mal escondida atrás de uns livros."

O verbo "tinham deixado" é uma locução de pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo (auxiliar "ter" no pretérito imperfeito + particípio). Na passiva analítica, o auxiliar "ter" é trocado por "ser" no mesmo tempo: "tinha sido deixada". O sujeito da ativa ("os donos da casa que alugávamos") vira agente da passiva, introduzido pela preposição "por". O objeto direto ("uma bijuteria") vira sujeito paciente.

1Estrutura
Sujeito paciente (objeto direto da ativa)
Verbo ser + particípio
Agente da passiva (sujeito da ativa)
2Transposição
Mantém tempo composto
"tinham deixado" → "tinha sido deixada"
Particípio concorda com o sujeito
3Erros comuns
Passiva sintética com agente da passiva
Mudança de tempo
Permanecer na voz ativa
Voz passiva analítica
LEVELsoulevel.com.br
Voz passiva analítica: Estrutura (Sujeito paciente (objeto direto da ativa), Verbo ser + particípio, Agente da passiva (sujeito da ativa)); Transposição (Mantém tempo composto, "tinham deixado" → "tinha sido deixada", Particípio concorda com o sujeito); Erros comuns (Passiva sintética com agente da passiva, Mudança de tempo, Permanecer na voz ativa)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Uma bijuteria tinha sido deixada mal escondida atrás de uns livros pelos donos da casa que alugávamos."

Perfeita: mantém o tempo composto ("tinha sido deixada"), o particípio concorda com o sujeito feminino singular ("deixada"), e o agente da passiva aparece corretamente com "pelos". Nada foi suprimido ou alterado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Alguém havia deixado uma bijuteria mal escondida atrás de uns livros."

Erro: troca de agente e perda do agente da passiva. A frase troca o sujeito "os donos da casa" por "alguém" (indefinido) e elimina o agente da passiva. Além disso, usa "havia deixado" (pretérito mais-que-perfeito composto com "haver") — gramaticalmente possível, mas não é a transposição pedida, pois não mantém o agente explícito e altera o sujeito lógico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Uma bijuteria deixou-se mal escondida atrás de uns livros pelos donos da casa que alugávamos."

Erro: uso indevido da voz passiva sintética. A forma "deixou-se" é passiva sintética (com pronome apassivador "se"), mas o verbo "deixar" não admite essa construção com agente da passiva explícito. Além disso, o tempo mudou: "deixou-se" é pretérito perfeito simples, não o mais-que-perfeito composto do original. A passiva sintética não aceita agente da passiva — "pelos donos" torna a frase agramatical.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Os donos da casa que alugávamos deixam uma bijuteria mal escondida atrás de uns livros."

Erro: mudança de tempo e permanência na voz ativa. O verbo "deixam" está no presente do indicativo, enquanto o original está no pretérito mais-que-perfeito composto. Além disso, a frase continua na voz ativa — não houve transposição alguma.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Uma bijuteria deixa-se mal escondida atrás de uns livros pelos donos da casa que alugávamos."

Erro: mesmo problema da C, com tempo errado. "Deixa-se" é presente do indicativo na passiva sintética, e o original exige tempo composto. Além disso, a passiva sintética com agente da passiva explícito é inválida. O tempo e a estrutura estão incorretos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura voz passiva sintética (com "se") e analítica (com "ser + particípio") e testa se você mantém o tempo composto. A passiva sintética não admite agente da passiva — qualquer alternativa com "se" + "pelos donos" já está errada.

PEGA ESSA DICA!

Para transpor para a passiva, identifique primeiro o tempo e o modo do verbo da ativa. Aqui, "tinham deixado" = mais-que-perfeito composto; na passiva, o auxiliar "ser" deve ficar no mesmo tempo: "tinha sido deixada". Desconfie de qualquer forma simples ("deixou", "deixa").

Gabarito: letra A.

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