Questão de Biologia — Biologia como ciência — IBFC 2022
- Código
- qq749961
- Banca
- IBFC
- Órgão
- EBSERH
- Ano
- 2022
- Nível
- Superior
- Cargo
- Biólogo
- AI e II, apenas
- BI e III, apenas
- CII e III, apenas
- DI, II e III
- EI, apenas
GabaritoC — II e III, apenas
Gabarito: letra C — estão corretas apenas as afirmativas II e III. A afirmativa I é falsa porque o cálculo do tamanho da amostra é etapa essencial do planejamento de qualquer pesquisa clínica, e não existe um número fixo mínimo (como 1000 indivíduos) que valha para todos os estudos; o tamanho ideal depende de fatores como a variabilidade do desfecho, a magnitude do efeito esperado e os níveis de significância e poder estatístico adotados.
A questão trata de um princípio fundamental da bioestatística aplicada à pesquisa clínica: a inferência estatística. Como é inviável (ou impraticável) examinar toda a população de interesse, estuda-se uma amostra — um subconjunto representativo — e, a partir dela, generalizam-se as conclusões para a população. Para que essa generalização seja válida, a amostra precisa ser representativa (ou seja, refletir as características relevantes da população) e ter tamanho adequado: grande o suficiente para detectar diferenças reais (poder estatístico) e pequeno o suficiente para não desperdiçar recursos nem expor participantes a riscos desnecessários. O cálculo amostral é a ferramenta que equilibra esses dois extremos, e por isso é indispensável na fase de planejamento.
A afirmativa III traz um ponto contraintuitivo e muito cobrado: não é verdade que estudar a população inteira (censo) sempre garanta mais precisão. Na prática, os erros de coleta, digitação e manuseio de um volume enorme de dados podem superar a imprecisão amostral. Uma amostra bem selecionada, com técnica adequada, pode produzir estimativas mais confiáveis do que um censo mal executado. O que realmente importa é a representatividade da amostra, não o seu tamanho absoluto.
A afirmativa I afirma que o cálculo do tamanho da amostra não é necessário e que o tamanho ideal é sempre igual ou maior que 1000 indivíduos. Isso é duplamente errado:
O cálculo amostral é obrigatório no planejamento de pesquisas clínicas, pois é ele que garante que o estudo tenha poder estatístico suficiente para detectar diferenças reais, sem expor participantes a riscos desnecessários.
Não existe um número mágico como 1000. O tamanho da amostra é calculado com base em parâmetros específicos de cada estudo: variabilidade do desfecho, diferença mínima clinicamente relevante, nível de significância (α) e poder estatístico (1 − β). Estudos com desfechos raros ou efeitos pequenos podem exigir muito mais que 1000; outros, com efeitos grandes e variabilidade baixa, podem precisar de menos.
A afirmativa II está correta: é praticamente impossível examinar todos os elementos da população de interesse na maioria das pesquisas. Isso ocorre por limitações de tempo, custo, acessibilidade e até por questões éticas (não se pode expor toda a população a um procedimento experimental). Por isso, a amostragem é a estratégia adotada: estuda-se uma parte representativa e faz-se a inferência para o todo.
A afirmativa III está correta e traz uma ideia importante: é errôneo pensar que o censo (estudar toda a população) sempre traz mais precisão. Os erros de coleta e manuseio de um grande volume de dados podem ser maiores do que a imprecisão amostral. Uma amostra bem selecionada, com técnica adequada, pode produzir estimativas mais confiáveis do que um censo mal executado. O que realmente importa é a representatividade da amostra, não o seu tamanho absoluto.
Conclusão: corretas apenas as afirmativas II e III → Gabarito: letra C.
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