Além da morte violenta e natural, temos as mortes de causa suspeita, quando não é possível afastar causa externa para o óbito. Nesse momento, conhecimentos de patologia e anatomofisiopatologia são demandados para o possível diagnóstico diferencial. Sendo assim, marque o que for correto sobre patologia e achados necroscópicos:
AEm casos de morte por doença cardiovascular, as alterações do parênquima cardíaco são visualizadas precocemente, menos de duas horas após o evento, como em um infarto agudo do miocárdio.
BO Aneurisma de Berry, no círculo de Willis, é causa incomum de hemorragia subaracnóidea.
CA hipertensão portal é causa comum de ruptura de varizes esofágicas, o que pode ocasionar hematêmese massiva, com dificuldades para visualização das varizes por seu colabamento.
DNa doença de Addison, a adrenal vai estar hipertrófica e aumentada de tamanho ao exame macroscópico.
ETromboembolismo pulmonar ocorre mais comumente quando um trombo advindo de vasos dos membros inferiores viaja para o coração e árvore pulmonar; não é possível achar o êmbolo durante a autopsia.
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GabaritoC — A hipertensão portal é causa comum de ruptura de varizes esofágicas, o que pode ocasionar hematêmese massiva, com dificuldades para visualização das varizes por seu colabamento.
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Patologia forense e achados necroscópicos
Gabarito: letra C. A alternativa C está correta ao afirmar que a hipertensão portal é causa comum de ruptura de varizes esofágicas e que, após a hematêmese, as varizes colabam, dificultando sua visualização na autópsia. As demais alternativas contêm erros conceituais significativos, conforme analisado abaixo.
A questão aborda conhecimentos de patologia e achados necroscópicos, exigindo do candidato domínio sobre alterações post-mortem e diagnósticos diferenciais.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que alterações do parênquima cardíaco são visualizadas precocemente (menos de 2 horas) no infarto agudo do miocárdio. Na realidade, as alterações macroscópicas do infarto levam de 6 a 12 horas para se tornarem evidentes; antes disso, apenas alterações microscópicas ou histoquímicas são detectáveis. Portanto, a afirmação é falsa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que o Aneurisma de Berry é causa incomum de hemorragia subaracnóidea. Na verdade, os aneurismas saculares (Berry) são a causa mais comum de hemorragia subaracnóidea espontânea, responsáveis por cerca de 85% dos casos. O erro está no termo "incomum".
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hipertensão portal leva ao desenvolvimento de varizes esofágicas. A ruptura dessas varizes causa hematêmese massiva. Após a hemorragia, as varizes colabam (perdem volume), tornando-se difíceis de visualizar durante a necropsia. Essa descrição é precisa e corresponde à fisiopatologia clássica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Na doença de Addison (insuficiência adrenal primária), as glândulas adrenais geralmente estão atróficas (por destruição autoimune) ou ocasionalmente aumentadas em casos de hemorragia ou tumor, mas não há hipertrofia característica. A alternativa inverte o achado macroscópico típico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O tromboembolismo pulmonar comumente se origina de trombos venosos profundos dos membros inferiores, que viajam até a artéria pulmonar. No entanto, a afirmação de que não é possível achar o êmbolo durante a autópsia é falsa: o êmbolo é frequentemente identificado na necropsia, podendo ser visto obstruindo ramos da artéria pulmonar.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de patologia forense, atenção a termos absolutos como "sempre" ou "nunca" e a inversões de prevalência (comum × incomum). Memorize os achados típicos das doenças mais cobradas: infarto (alterações tardias), aneurisma de Berry (causa comum de HSA), Addison (atrofia adrenal) e TEP (êmbolo encontrável).