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Questão de Português — Interpretação de Textos — IF-SP 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qq760225
Banca
IF-SP
Órgão
IF-SP
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Assistente de Alunos
Leia os textos a seguir.Texto 1 – Síntese da obra Quarto de despejoO livro de Carolina Maria de Jesus narra de modo fiel o cotidiano passado na favela. Em seu texto, vemos como a autora procura sobreviver como catadora de lixo na metrópole de São Paulo, tentando encontrar naquilo que alguns consideram como sobra o que a mantinha viva.Os relatos foram escritos entre 15 de julho de 1955 e 1 de janeiro de 1960.As entradas no diário são marcadas com dia, mês e ano e narram aspectos da rotina de Carolina.Muitas passagens sublinham, por exemplo, a dificuldade de ser mãe solteira nesse contexto de extrema pobreza. Carolina Maria é mãe de três filhos e dá conta de tudo sozinha. Relata também as brigas dos vizinhos que acabavam em violência contra a mulher, pois do seu barraco era possível ouvir os gritos.Para conseguir alimentar e criar a família, ela se desdobra trabalhando como catadora de papelão, metal e como lavadeira. Apesar de todo o esforço, muitas vezes sente que não dá conta.(Texto adaptado do site: https://www. culturagenial.com/quarto-de-despejo- -carolina-maria-de-jesus. Acesso em 17 fev. 2022).Texto 2 Para representar a favela, uma equipe de pesquisadores fez uso de três músicas: “A carne” (Elza Soares); “O lamento da lavadeira” (Monsueto); “Lata d’água na cabeça” (Marlene), usando um trecho de cada uma que pudesse representar a dificuldade na favela. O resultado foi a criação da poesia a partir das músicas. Lata d’água na cabeça Lá vai Carolina Lá vai Carolina Sobe o morro e não se cansa pela mão leva a criança Lá vai Carolina Sabão, um pedacinho assim Água, um pinguinho assim Roupa, um montão assim Trabalho, um tantão assim Cansaço é bastante sim Dinheiro, um tiquinho assim Mas mesmo assim Ainda guardo o direito De algum antepassado da cor Brigar sutilmente por respeito De algum antepassado da cor Brigar, brigar, brigar Com a lata na cabeça Lá vai Carolina Lá vai Carolina Sobe o morro e não se cansa pela mão leva a criança Lá vai Carolina “Será que quando eu morrer vou morar na favela?”(Trecho extraído do texto: PINANGE,Daniella Sotero de Barros et al. “Quarto de despejo”: relato de uma vivência dialogada “Quarto de despejo”: relato de una vivencia dialogada. Pesqui. prát. psicossociais, São João del-Rei, v. 15, n. 2, p. 1-12, jun. 2020. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S1809- -89082020000200004&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 17 fev. 2022). Considerando o processo de criação do poema, após a leitura do texto 1 – síntese da obra, podemos afirmar que no texto 2:
  1. AHá uma paródia, pois os elaboradores do texto poético conservam elementos exclusivamente da música “Lata d’água na cabeça” para mostrar a condição das lavadeiras do morro – intertexto do livro Quarto de despejo, elucidando o diálogo entre as obras.
  2. BAs músicas usadas para paráfrase retratam a vida de mulheres pobres e as dificuldades enfrentadas, em meio à escassez material, além da violência contra a mulher, citada no livro Quarto de despejo e tão presente na vida das mulheres negras e pobres. A condição do trabalho e as dificuldades em sobreviver no espaço narrado por Maria Carolina de Jesus são ilustradas pelas músicas que compõem a poesia, de modo a assegurar o diálogo explícito entre os textos.
  3. CHá o uso de Intertextualidade implícita, pois não se encontra de imediato o intertexto aplicado, ou seja, é necessária maior atenção do lei tor, uma vez que não aparece a citação do texto-fonte e nenhuma referência direta do tema tratado pelas músicas, além da autora Maria Carolina de Jesus.
  4. DAs músicas são citações diretas do texto de Maria Carolina de Jesus, cujo objetivo é exaltar as músicas e o valor artístico que elas representam para sociedade brasileira, além de retratar a condição periférica das lavadeiras do morro e das cantoras Elza Soares e Marlene.
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GabaritoB — As músicas usadas para paráfrase retratam a vida de mulheres pobres e as dificuldades enfrentadas, em meio à escassez material, além da violência contra a mulher, citada no livro Quarto de despejo e tão presente na vida das mulheres negras e pobres. A condição do trabalho e as dificuldades em sobreviver no espaço narrado por Maria Carolina de Jesus são ilustradas pelas músicas que compõem a poesia, de modo a assegurar o diálogo explícito entre os textos.

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