Questão de Literatura — Teoria Literária — INEP 2022
LiteraturaTeoria Literária
- Código
- qq761517
- Banca
- INEP
- Órgão
- ENEM
- Ano
- 2022
- Nível
- Médio
- Cargo
- Exame Nacional do Ensino Médio - Primeiro e Segundo Dia - Digital - Edital
A escrava— Admira-me —, disse uma senhora de sentimentos sinceramente abolicionistas —; faz-me até pasmar como se possa sentir, e expressar sentimentos escravocratas, no presente século, no século dezenove! A moral religiosa e a moral cívica aí se erguem, e falam bem alto esmagando a hidra que envenena a família no mais sagrado santuário seu, e desmoraliza, e avilta a nação inteira! Levantai os olhos ao Gólgota, ou percorrei-os em torno da sociedade, e dizei-me:— Para que se deu em sacrifício o Homem Deus, que ali exalou seu derradeiro alento? Ah! Então não é verdade que seu sangue era o resgate do homem! É então uma mentira abominável ter esse sangue comprado a liberdade!? E depois, olhai a sociedade... Não vedes o abutre que a corrói constantemente!… Não sentis a desmoralização que a enerva, o cancro que a destrói?Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela é, e será sempre um grande mal. Dela a decadência do comércio; porque o comércio e a lavoura caminham de mãos dadas, e o escravo não pode fazer florescer a lavoura; porque o seu trabalho é forçado.REIS, M. F. Úrsula e outras obras. Brasília: Câmara dos Deputados, 2018.Inscrito na estética romântica da literatura brasileira, o conto descortina aspectos da realidade nacional no século XIX ao
- Arevelar a imposição de crenças religiosas a pessoas escravizadas.
- Bapontar a hipocrisia do discurso conservador na defesa da escravidão.
- Csugerir práticas de violência física e moral em nome do progresso material.
- Drelacionar o declínio da produção agrícola e comercial a questões raciais.
- Eironizar o comportamento dos proprietários de terra na exploração do trabalho.