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Questão de Português — Interpretação de Textos — INSTITUTO AOCP 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qq762669
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Governo do Distrito Federal
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Policial Penal


O Texto a seguir refere-se ao item. 



ELES NÃO APRENDEM


Estudo monitora psicopatas condenados por crimes violentos e descobre que eles respondem mal a penalizações como forma de aprendizado


        O neurologista norte-americano James Fallon já estudava há décadas o cérebro de pacientes diagnosticados com distúrbios psíquicos quando ficou sabendo de seis assassinatos na família de seu pai. Decidiu, então, fazer uma tomografia, e, ao analisar o resultado, encontrou características semelhantes às apresentadas por psicopatas. “Minha mãe teve quatro abortos espontâneos, então, quando cheguei, me trataram como um garoto de ouro. Se tivesse sido tratado normalmente, talvez fosse hoje meio barra-pesada”, ele diz.

        Fallon agora se reconhece como psicopata. Ele faz parte da corrente que acredita que é possível diagnosticar a psicopatia a partir de anomalias no cérebro, teoria ainda contestada por parte da comunidade médica, mas que acaba de ganhar um reforço importante. Um estudo feito pela Universidade de Montreal e pelo King's College London analisou 12 homens condenados por conduta violenta e diagnosticados clinicamente como psicopatas e outros 20 condenados pelo mesmo motivo, mas diagnosticados apenas como antissociais. Eles jogaram uma espécie de jogo da memória enquanto estavam dentro de uma máquina de ressonância magnética. As regras eram alteradas com frequência, e a ideia era justamente observar como eles se adaptavam a essas mudanças — errar é uma forma de aprendizado, já que o cérebro costuma entender a mensagem, representada no jogo pela perda de pontos, e deixa de repetir o padrão que levou à punição.

        Os psicopatas tiveram mais dificuldades que os antissociais para aprender com as penalidades, e duas áreas do cérebro apresentaram comportamentos anormais. “Nosso estudo desafia a visão de que psicopatas têm baixa sensibilidade neural a punições”, dizem os pesquisadores. “Em vez disso, o problema é que existem alterações no sistema de processamento de informações responsável pelo aprendizado”. A expectativa é que a descoberta seja útil na busca por novos tratamentos para prevenir ações violentas.

Adaptado de: https://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2015/05/psicopatas-podem-se-recuperar-ao-serem-penalizados.html. Acesso em: 16 mar. 2022.

Considerando as ideias veiculadas pelo texto e sua organização, julgue o seguinte item.O texto pertence ao gênero “artigo de opinião”, uma vez que defende, a partir de argumentos, a tese de que os psicopatas não devem ser confundidos com os antissociais, devendo aqueles ser tratados de forma mais branda pelo sistema jurídico.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise do gênero e tese do texto

Gabarito: Errado (alternativa E). A afirmação de que o texto é um "artigo de opinião" que defende a tese de que psicopatas não devem ser confundidos com antissociais e devem ser tratados com brandura é falsa. O texto é uma reportagem expositiva que apresenta resultados de um estudo, sem defender opinião pessoal ou propor tratamento jurídico diferenciado.

O texto, publicado na Revista Galileu, relata uma pesquisa científica:

"Um estudo feito pela Universidade de Montreal e pelo King's College London analisou 12 homens condenados por conduta violenta e diagnosticados clinicamente como psicopatas e outros 20 condenados pelo mesmo motivo, mas diagnosticados apenas como antissociais."

Ele descreve o experimento e os resultados, citando os pesquisadores:

"'Nosso estudo desafia a visão de que psicopatas têm baixa sensibilidade neural a punições', dizem os pesquisadores. 'Em vez disso, o problema é que existem alterações no sistema de processamento de informações responsável pelo aprendizado'."

Não há defesa de tese pelo autor; o texto é objetivo e informativo. A classificação como "artigo de opinião" é equivocada, pois esse gênero exige posicionamento explícito e argumentação subjetiva, o que não ocorre. Além disso, a suposta tese de que psicopatas não devem ser confundidos com antissociais e devem ser tratados de forma mais branda pelo sistema jurídico não é defendida; o texto apenas constata diferenças no aprendizado com penalizações, sem qualquer proposição sobre tratamento jurídico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato confundir um texto expositivo (reportagem) com um artigo de opinião, e ainda atribui ao texto uma tese que ele não defende. A expressão "defende" é a chave: o texto não defende nada, apenas informa.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o gênero, observe a intenção predominante: informar (expositivo) ou persuadir (argumentativo). Além disso, desconfie de afirmações que atribuem ao texto uma opinião não explícita.

Gabarito: letra E.

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