Questão de Português — Sintaxe — INSTITUTO AOCP 2022
Português›Sintaxe
Código
qq762894
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
PC-GO
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Agente de Polícia
EXERCITAR A MENTE ATIVA É O CAMINHO PARA
MANTÊ-LA SAUDÁVEL
Por Claudio Lottenberg, 31 ago 2022, 15h53
As primeiras transmissões de TV começaram
ao longo da década de 1930. Neste quase um século
decorrido desde então, a televisão se tornou objeto
de discussões, estudos e análises sob diversos
ângulos – do efeito que teria sobre a moral das
populações e seu uso político às mudanças estéticas
que provocaria. Com o computador deu-se o mesmo
– e, numa era digital como a que vivemos, ele tem
uma importância e um efeito inegáveis nas vidas de
todos. Um estudo recente mostrou também que
ambos têm efeitos sobre a saúde – e tais efeitos são
opostos.
Pesquisadores da USC (Universidade do Sul
da Califórnia) publicaram na revista científica
Proceedings of the National Academy of Sciences um
estudo que mostrou que assistir TV por longos
períodos após os 60 anos foi associado a um risco
maior de desenvolver demência. Ler e usar um
computador, por outro lado, foram apontados como
uma forma de se proteger contra a doença. O estudo
aponta que as três atividades envolvem ficar sentado
por horas. No caso das duas últimas, no entanto, a
estimulação intelectual proporcionada é relativamente
maior – o que de certa forma neutralizaria o efeito
negativo de uma redução no fluxo sanguíneo no
cérebro devido à posição.
As conclusões a que chegaram os
pesquisadores ajudam a desfazer um pouco a ideia
mais difundida que ter um cérebro saudável seria
resultado de ter uma vida menos sedentária – ou
seja, mais ocupada com exercícios físicos. De fato,
sedentarismo não faz bem algum, seja para os
músculos, seja para o cérebro, ou para qualquer parte
do corpo. Mas isso não conta toda a história.
Manter a mente ativa, com estímulos
intelectuais, é de enorme importância. O
desenvolvimento da demência, é preciso lembrar,
envolve vários riscos – diabetes, hipertensão arterial,
obesidade e doenças cardiovasculares são apenas
alguns exemplos. Mas a leitura ajuda a firmar
conexões neuronais nas regiões do cérebro que
registram nossas memórias. Uso de computadores,
como mostrou o estudo, também proporciona
estímulo intelectual.
Na era digital em que vivemos, aprender será
algo que faremos em boa parte do tempo,
independentemente da idade. Fazer uso dos recursos
que a conectividade com o conhecimento nos traz,
como se vê, pode nos ajudar a manter a mente
saudável. A diversão televisiva, claro, tem seu espaço
– mas, como em tudo, a moderação só faz bem.
Adaptado de: https://veja.abril.com.br/coluna/coluna-claudiolottenberg/exercitar-a-mente-ativa-e-o-caminho-para-mante-lasaudavel/. Acesso em: 30 nov. 2022.
Sobre a regência de alguns termos empregados no texto, assinale a alternativa correta.
AEm “[...] redução no fluxo sanguíneo no cérebro devido à posição.”, o sinal indicativo de crase é facultativo, visto que a presença da preposição “a” não é exigida pelo termo “devido”.
BEm “As conclusões a que chegaram os pesquisadores [...]”, a omissão da preposição “a” causaria prejuízo sintático ao excerto.
CEm “[...] assistir TV por longos períodos [...]”, a ausência da preposição “a” após o verbo “assistir” causa um problema de compreensão para o leitor.
DEm “[...] recursos que a conectividade com o conhecimento nos traz [...], o verbo “traz” é transitivo direto, não exigindo a presença de uma preposição.
EEm “[...] assistir TV por longos períodos após os 60 anos foi associado a um risco [...]”, a preposição “a” não poderia ser substituída por “com” sem que isso causasse prejuízo sintático ao excerto.
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GabaritoB — Em “As conclusões a que chegaram os pesquisadores [...]”, a omissão da preposição “a” causaria prejuízo sintático ao excerto.
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Regência de termos no texto
Gabarito: letra B. A alternativa B está correta porque a preposição "a" é exigida pela regência do verbo "chegar" (chegar a algo). No trecho "As conclusões a que chegaram os pesquisadores", omitir essa preposição tornaria a frase agramatical, causando prejuízo sintático. As demais alternativas apresentam afirmações falsas ou imprecisas, como se demonstra a seguir.
Regência verbal: Verbo "chegar" (Exige preposição "a", Ex.: "conclusões a que chegaram", Omissão → agramatical); Verbo "assistir" (ver) (Transitivo direto (PB), Ex.: "assistir TV", Preposição "a" não exigida); Verbo "trazer" (Bitransitivo, Objeto direto: "recursos", Objeto indireto: "nos" (a + nós)); "devido a" (Exige preposição "a", "posição" admite artigo, Crase obrigatória)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Em "devido à posição", o sinal indicativo de crase é obrigatório, não facultativo. A palavra "devido" exige a preposição "a" (devido a algo), e "posição" é um substantivo feminino que admite artigo definido "a". Portanto, a crase ocorre por fusão obrigatória da preposição com o artigo. O texto confirma: "[...] redução no fluxo sanguíneo no cérebro devido à posição." A alternativa erra ao afirmar que a crase é facultativa.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
No trecho "As conclusões a que chegaram os pesquisadores", o verbo "chegar" rege a preposição "a" (chegar a algum lugar). A oração relativa tem como antecedente "conclusões", e o pronome relativo "que" exige a preposição "a" para que a regência seja satisfeita. Se a preposição fosse omitida, teríamos "As conclusões que chegaram os pesquisadores" — construção agramatical. Logo, a omissão causa prejuízo sintático, conforme afirma a alternativa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Em "assistir TV", o verbo "assistir" é usado no sentido de "ver, presenciar". Nesse sentido, a regência é transitiva direta (assistir algo) no português brasileiro contemporâneo, não exigindo a preposição "a". Assim, a ausência da preposição não causa problema de compreensão. A alternativa incorre ao sugerir que há prejuízo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Em "recursos que a conectividade com o conhecimento nos traz", o verbo "trazer" é transitivo direto e indireto (bitransitivo): o pronome "que" é objeto direto (os recursos), e "nos" é objeto indireto (a nós). O objeto indireto "nos" já incorpora a preposição "a" (a + nós). Dizer que "não exigindo a presença de uma preposição" é impreciso, pois o verbo exige preposição para o complemento indireto, ainda que ela esteja contraída no pronome. Portanto, a afirmação é falsa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Em "foi associado a um risco", a regência do verbo "associar" exige a preposição "a" (associar algo a algo). Embora a substituição por "com" possa ser aceita em alguns contextos informais, ela altera a regência e, em norma culta, é considerada inadequada. Contudo, a alternativa afirma que a substituição "não poderia ser substituída [...] sem que isso causasse prejuízo sintático". Na prática, a troca por "com" geraria uma estrutura gramaticalmente possível (embora semanticamente diferente), razão pela qual a afirmação categórica de impossibilidade é incorreta. Assim, a alternativa E é falsa.
Conclusão: A única alternativa correta é a B, pois descreve com precisão a necessidade da preposição "a" na regência de "chegar" no trecho analisado.