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Questão de Direito Processual Penal — Prova testemunhal — INSTITUTO AOCP 2022

Direito Processual PenalProva testemunhal
Código
qq762980
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
PC-GO
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Delegado de Polícia Substituto
Vige, em nosso sistema, o princípio do livre convencimento motivado ou da persuasão racional, segundo o qual compete ao juiz da causa valorar com ampla liberdade os elementos de prova constantes dos autos, desde que o faça motivadamente, com o que se permite a aferição dos parâmetros de legalidade e razoabilidade adotados nessa operação intelectual. Com base no regime probatório do Código de Processo Penal, assinale a alternativa correta.
  1. AA ausência do réu na audiência de oitiva da vítima constitui nulidade de modo a comprometer o ato processual, na medida em que a presença do acusado constitui exaurimento do direito à ampla defesa.
  2. BA ausência do laudo pericial impede que seja reconhecida a materialidade do delito de lesão corporal de natureza grave por outros meios carentes de cientificidade.
  3. CDurante a fase de investigação, quando os crimes em apuração não estão perfeitamente delineados, cumpre ao juiz do processo apreciar os requerimentos sujeitos à reserva judicial levando em consideração as expectativas probatórias da investigação. Se, posteriormente, for constatado que os crimes descobertos e provados são da competência de outro juízo, não se confirmando a inicial expectativa probatória, o processo deve ser declinado, cabendo ao novo juiz ratificar os atos já praticados.
  4. DO reconhecimento fotográfico tem valor probante pleno mesmo quando desacompanhado de outros elementos de convicção.
  5. EConfigura-se o ato criminoso ainda que a preparação do flagrante pela polícia torne impossível sua configuração.
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GabaritoC — Durante a fase de investigação, quando os crimes em apuração não estão perfeitamente delineados, cumpre ao juiz do processo apreciar os requerimentos sujeitos à reserva judicial levando em consideração as expectativas probatórias da investigação. Se, posteriormente, for constatado que os crimes descobertos e provados são da competência de outro juízo, não se confirmando a inicial expectativa probatória, o processo deve ser declinado, cabendo ao novo juiz ratificar os atos já praticados.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Prova penal no Código de Processo Penal

Gabarito: letra C. A alternativa C reflete o mecanismo de declinação de competência e ratificação de atos previsto no CPP: quando o juiz, durante a investigação, pratica atos sob reserva judicial com base em expectativas probatórias e posteriormente constata que os crimes são de outra competência, o processo é declinado, cabendo ao novo juiz ratificar os atos já praticados. Essa sistemática decorre da necessidade de eficiência e validade dos atos praticados perante juízo incompetente, sendo expressamente admitida pelo art. 108 do CPP.

A banca testa o conhecimento de regras probatórias e processuais específicas, exigindo a correta aplicação do princípio do livre convencimento motivado (art. 155 CPP) e o tratamento de nulidades, provas e competência.

Alternativa

Conteúdo

Correção

Fundamento

A

A ausência do réu na audiência de oitiva da vítima constitui nulidade absoluta.

❌ Incorreta

A nulidade depende de prejuízo efetivo (pas de nullité sans grief); a presença do réu não é obrigatória para validade do ato, desde que assegurado o contraditório com defensor.

B

A ausência do laudo pericial impede o reconhecimento da materialidade do delito de lesão corporal grave por outros meios.

❌ Incorreta

O art. 167 CPP admite prova testemunhal quando impossível o exame de corpo de delito, desde que justificada a impossibilidade.

C

Durante a investigação, o juiz aprecia medidas cautelares com base em expectativas probatórias; se depois constatar competência diversa, declina e o novo juiz ratifica os atos.

✅ Correta

Art. 108 CPP: os atos praticados perante juízo incompetente são válidos, cabendo ratificação pelo juiz competente.

D

O reconhecimento fotográfico tem valor probante pleno mesmo desacompanhado de outros elementos.

❌ Incorreta

O reconhecimento fotográfico é prova frágil e deve ser corroborado por outros elementos de convicção (STJ, HC 598.886).

E

Configura-se o ato criminoso ainda que a preparação do flagrante pela polícia torne impossível sua configuração.

❌ Incorreta

A preparação do flagrante (provocação policial que induz o crime) é ilegal e não configura crime (flagrante preparado – Súmula 145 STF).

Alternativa A — ❌ Incorreta

A ausência do réu na audiência de oitiva da vítima não constitui nulidade automática. O direito de presença do acusado é garantia de ampla defesa, mas não é absoluto: a oitiva da vítima é ato instrutório que pode ocorrer sem a presença do réu, desde que assegurado o contraditório (ciência e possibilidade de participação do defensor). A nulidade por ausência do réu só se configura se houver prejuízo efetivo (pas de nullité sans grief). Portanto, a alternativa erra ao afirmar que a ausência compromete o ato processual de modo absoluto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A materialidade do delito de lesão corporal de natureza grave exige, em regra, exame de corpo de delito (art. 158 CPP). Contudo, não é correto afirmar que a ausência do laudo pericial impede o reconhecimento por outros meios. O art. 167 CPP admite a prova testemunhal quando impossível realizar o exame direto ou indireto – desde que justificada a impossibilidade. A alternativa ainda qualifica esses outros meios como "carentes de cientificidade", o que é impreciso e não é requisito para sua admissibilidade.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está perfeita. Durante a investigação, o juiz pode apreciar medidas cautelares (reserva judicial) mesmo sem crimes perfeitamente delineados, baseando-se em expectativas probatórias. Se, posteriormente, constatar-se que os crimes descobertos e provados são de competência de outro juízo, o correto é declinar da competência, preservando os atos praticados, que poderão ser ratificados pelo juiz competente (art. 108, § 2º CPP). Isso evita repetição desnecessária de atos e respeita o princípio da economia processual.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O reconhecimento fotográfico não tem valor probante pleno quando desacompanhado de outros elementos. O CPP regula o reconhecimento de pessoas no art. 226, estabelecendo formalidades e exigindo que seja realizado com observância de procedimentos que assegurem sua confiabilidade. A jurisprudência do STJ (Súmula 455) relativiza o valor probatório do reconhecimento fotográfico, exigindo que seja corroborado por outras provas. Logo, não se pode atribuir-lhe valor pleno de forma isolada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O flagrante preparado (ou provocado) é aquele em que a polícia induz o agente à prática do crime, tornando impossível sua consumação. Nesse caso, a doutrina e a jurisprudência (STF, HC 69.443) entendem que não se configura o ato criminoso, por aplicação do art. 17 do CP (crime impossível por absoluta impropriedade do objeto ou ineficácia do meio). Portanto, a alternativa erra ao afirmar que o crime se configura.

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Ilícitas (8 letras) = Material (8 letras); Ilegítimas (10 letras) = Processual (10 letras)

Macete por contagem de letras para diferenciar provas ilegais: prova ILÍCITA (8 letras) é a obtida com violação a norma de Direito MATERIAL (8 letras); prova ILEGÍTIMA (10 letras) é a que viola norma de Direito PROCESSUAL (10 letras).

— Provas ilícitas x provas ilegítimas (prova ilegal)

Gabarito: letra C.

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