Questão de Direito Penal — Crimes contra a dignidade sexual — INSTITUTO AOCP 2022
Direito Penal›Crimes contra a dignidade sexual
Código
qq763042
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
PC-GO
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Papiloscopista Policial da 3ª Classe
Sobre os crimes contra a dignidade sexual, conforme a jurisprudência dos tribunais superiores, assinale a alternativa correta.
AO princípio da insignificância é aplicável aos crimes contra a dignidade sexual.
BA prática de crime ou contravenção penal contra a dignidade sexual impossibilita a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.
CO crime de estupro de vulnerável se configura com a conjunção carnal ou prática de ato libidinoso com menor de 14 anos, sendo irrelevante eventual consentimento da vítima para a prática do ato, sua experiência sexual anterior ou existência de relacionamento amoroso com o agente.
DA configuração do crime de importunação sexual independe da prova da efetiva importunação da vítima, por se tratar de delito formal.
EÉ inadmissível aplicar, no estupro qualificado pelo concurso de agentes, a majorante do estupro coletivo.
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GabaritoC — O crime de estupro de vulnerável se configura com a conjunção carnal ou prática de ato libidinoso com menor de 14 anos, sendo irrelevante eventual consentimento da vítima para a prática do ato, sua experiência sexual anterior ou existência de relacionamento amoroso com o agente.
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Crimes contra a dignidade sexual – Jurisprudência dos Tribunais Superiores
Gabarito: letra C. O crime de estupro de vulnerável (art. 217-A do CP) configura-se com a conjunção carnal ou ato libidinoso com menor de 14 anos, sendo irrelevante o consentimento da vítima, sua experiência anterior ou relacionamento amoroso, conforme firme jurisprudência do STJ (paralelismo com o teor da Súmula 593/STJ).
A banca testa o conhecimento de entendimentos consolidados sobre crimes sexuais. Vamos analisar cada alternativa:
Crimes contra a dignidade sexual
1Estupro de vulnerável (art. 217-A)
Conjunção carnal ou ato libidinoso
Menor de 14 anos
Irrelevante consentimento
Irrelevante experiência anterior
Irrelevante relacionamento amoroso
2Importunação sexual (art. 215-A)
Crime material
Exige ato libidinoso efetivo
3Princípio da insignificância
Não se aplica
4Substituição por restritiva de direitos
Súmula 588/STJ
Violência ou grave ameaça
Ambiente doméstico
Contra a mulher
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O princípio da insignificância não é aplicável aos crimes contra a dignidade sexual, dada a gravidade e a proteção especial do bem jurídico. O STJ reitera que a dignidade sexual é um bem indisponível, incompatível com o princípio da bagatela.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A impossibilidade de substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, quando se trata de crime ou contravenção contra a mulher, é restrita ao ambiente doméstico e com violência ou grave ameaça, nos termos da Súmula 588 do STJ:
JURISPRUDÊNCIA
STJ Súmula 588
Súmula 588 do STJ: A prática de crime ou contravenção penal contra a mulher com violência ou grave ameaça no ambiente doméstico impossibilita a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.
A alternativa generaliza para qualquer crime contra a dignidade sexual, sem as condições exigidas (violência/grave ameaça e ambiente doméstico), sendo portanto incorreta.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmação reproduz exatamente o entendimento consolidado do STJ (Súmula 593) e do STF: o crime de estupro de vulnerável (art. 217-A do CP) é de natureza objetiva, não exigindo qualquer análise da vontade ou conduta da vítima menor de 14 anos. O consentimento, a experiência sexual anterior ou a existência de relacionamento amoroso são irrelevantes para a tipificação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O crime de importunação sexual (art. 215-A do CP) é material, exigindo a prática efetiva de ato libidinoso contra a vítima sem seu consentimento. Não se trata de delito formal, pois depende da comprovação da importunação concreta. A alternativa afirma o contrário, errando ao classificar o crime como formal.
Alternativa E — ❌ Incorreta
No estupro qualificado pelo concurso de agentes (art. 226, III, do CP), a majorante do estupro coletivo – que é exatamente a mesma causa de aumento – é perfeitamente aplicável. Não há qualquer vedação jurisprudencial; ao contrário, o STJ aplica a fração de 1/3 a 1/2 quando há dois ou mais agentes. A alternativa afirma que é "inadmissível" aplicar a majorante, o que contraria a jurisprudência pacífica.
PEGA ESSA DICA!
Memorize as súmulas do STJ sobre crimes sexuais: Súmula 593 (estupro de vulnerável), Súmula 588 (substituição de pena em violência doméstica) e a inaplicabilidade do princípio da insignificância. Esses são os pontos mais cobrados.