Questão de Biologia — Relações ecológicas — Quadrix 2022
- Código
- qq796140
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- SEDF
- Ano
- 2022
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor de Educação Básica - Ciências Naturais - Edital nº 31
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO (E). A relação entre a bactéria intestinal Bacteroides thetaiotaomicron e o ser humano é de mutualismo, não de inquilinismo: ambos se beneficiam — a bactéria obtém abrigo e alimento, e o hospedeiro recebe auxílio na digestão de substâncias que não consegue decompor sozinho. O inquilinismo, por sua vez, é a relação em que uma espécie usa a outra apenas como moradia/suporte, sem beneficiá-la nem prejudicá-la (como as plantas epífitas sobre árvores).
A questão cobra a distinção entre duas relações ecológicas interespecíficas harmônicas que frequentemente se confundem. Vamos entender cada uma:
Inquilinismo: um organismo (inquilino) utiliza outro como abrigo ou suporte, sem causar dano nem trazer benefício ao hospedeiro. O exemplo clássico são as bromélias e orquídeas (epífitas) que vivem sobre troncos de árvores apenas como suporte físico.
Mutualismo: relação obrigatória ou não, em que ambas as espécies são beneficiadas. Pode ser facultativo (protocooperação) ou obrigatório, quando a associação é indispensável para a sobrevivência de um ou ambos.
No caso da Bacteroides thetaiotaomicron, a bactéria auxilia na digestão de carboidratos complexos (como fibras) que o intestino humano não degrada sozinho. Em troca, ela recebe um ambiente estável e nutrientes. Há, portanto, benefício recíproco — o que caracteriza o mutualismo, e não o inquilinismo, em que apenas um lado se beneficia (e o outro não é prejudicado, mas também não ganha nada).
A tabela abaixo resume a diferença entre as relações harmônicas interespecíficas:
Relação | Espécie X | Espécie Y | Exemplo |
|---|---|---|---|
Inquilinismo | Beneficiada (moradia) | Indiferente | Epífitas sobre árvores |
Comensalismo | Beneficiada (restos alimentares) | Indiferente | Abutres e leões |
Mutualismo | Beneficiada | Beneficiada | Bactérias intestinais e humanos |
Protocooperação | Beneficiada (facultativo) | Beneficiada (facultativo) | Caranguejo-eremita e anêmona |
A afirmativa está errada porque classifica a relação como inquilinismo, quando na verdade se trata de mutualismo. No inquilinismo, apenas o inquilino se beneficia (usando o hospedeiro como moradia), enquanto o hospedeiro não é beneficiado nem prejudicado. Já na relação descrita, a bactéria auxilia na digestão de alimentos que o intestino humano não consegue decompor — ou seja, o hospedeiro também é beneficiado. Há, portanto, benefício recíproco, característica central do mutualismo.
A banca explora a confusão entre inquilinismo e mutualismo. O candidato pode associar "bactéria vivendo no intestino" à ideia de "moradia" (inquilinismo), mas o detalhe decisivo é que a bactéria auxilia na digestão — isso configura benefício para o hospedeiro, o que exclui o inquilinismo e caracteriza o mutualismo. Fique atento: se a relação envolve benefício para ambos, nunca é inquilinismo.
Para diferenciar as relações harmônicas, pergunte-se: quem ganha? Se apenas um ganha e o outro é indiferente, é inquilinismo (moradia) ou comensalismo (restos alimentares). Se ambos ganham, é mutualismo (obrigatório) ou protocooperação (facultativo). Essa pergunta resolve a maioria das questões de classificação.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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