Questão de Português — Morfologia - Verbos — RBO 2022
Português›Morfologia - Verbos
Código
qq801054
Banca
RBO
Órgão
Prefeitura de Belo Horizonte - MG
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Auditor Fiscal de Tributos Municipais
Considere o poema abaixo para responder à questão.“Mais que todos deserdamosdeste nosso oblíquo modoum menino inda não nado(e melhor não fora nado)que de nada lhe daremossua parte de nonadae que nada, porém nadao há de ter desenganado.”(Carlos Drummond de Andrade, “Os bens e o sangue”, em CLARO ENIGMA, Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1992, p. 230)Sobre o emprego do vocábulo “nado” na estrofe acima é correto afirmar que
Acorresponde a uma forma do particípio passado do verbo “nascer” mais próxima da expressão oral, o que é ratificado pelo vocábulo “nonada”, também muito utilizado na língua falada.
Bcorresponde a um substantivo originado de uma derivação imprópria e que, no contexto da estrofe, gera uma intencional ambiguidade remetendo tanto ao passado quanto ao presente.
Cconstitui uma variante menos usual do particípio passado do verbo “nascer” e poderia ser substituída por “nascido” ou “nato”, sem que houvesse alteração de sentido em suas duas ocorrências.
Ddesempenha funções morfológicas diferentes nas duas ocasiões em que foi empregado, devendo ser entendido como particípio passado do verbo “nascer” e como substantivo, respectivamente.
Eilustra um jogo lúdico de palavras às quais soma-se o substantivo “nonada”, produzindo um efeito de non sense e distanciando-se de qualquer sentido implícito ou explícito.
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GabaritoC — constitui uma variante menos usual do particípio passado do verbo “nascer” e poderia ser substituída por “nascido” ou “nato”, sem que houvesse alteração de sentido em suas duas ocorrências.
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Análise do vocábulo "nado" no poema
Gabarito: Letra C. O vocábulo "nado" é uma variante do particípio passado do verbo nascer, podendo ser substituído por "nascido" ou "nato" sem alteração de sentido nas duas ocorrências no poema.
Comprovação no texto
"um menino inda não nado" "e melhor não fora nado"
Em ambas as ocorrências, "nado" equivale a "nascido" (ou "nato"), pois se refere ao estado de ter nascido. A forma "nado" é uma variante clássica/poética do particípio, ao lado de "nato" (que também aparece em compostos como "inato").
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta Afirma que "nado" é forma mais próxima da expressão oral e que "nonada" a ratifica. Na verdade, "nado" é variante literária, não oral, e "nonada" (substantivo que significa 'nada') não valida o uso de "nado". A alternativa extrapola ao estabelecer relação não justificada.
Alternativa B — ❌ Incorreta Trata "nado" como substantivo derivado por derivação imprópria e fala em ambiguidade temporal. Ocorre que "nado" é particípio (forma verbal) nas duas passagens, não substantivo. A ambiguidade entre passado e presente não existe; o sentido é de 'nascido'.
Alternativa C — ✅ Correta Reconhece "nado" como variante menos usual do particípio de nascer e afirma que pode ser substituído por "nascido" ou "nato" sem alteração de sentido. Isso se sustenta: nos versos, a troca mantém o significado, comprovando a equivalência.
Alternativa D — ❌ Incorreta Diz que "nado" tem funções morfológicas diferentes: particípio na primeira e substantivo na segunda. Na verdade, ambas as ocorrências são do particípio, como mostra a estrutura "não nado" e "fora nado" (construção com verbo auxiliar). Não há mudança de classe.
Alternativa E — ❌ Incorreta Sugere um jogo lúdico que produz nonsense e se distancia de sentido. O poema, embora utilize a sonoridade, tem sentido claro: trata da privação (deserdar) de algo a um menino não nascido. "Nonada" reforça o tema da ausência, mas não há nonsense.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar variantes de particípios, lembre-se de que verbos como nascer, morrer, aceitar possuem formas regulares e eruditas (ex.: nascido/nado/nato; morrido/morto; aceitado/aceito). O contexto poético frequentemente emprega as variantes menos usuais.
Conclusão: A única alternativa coerente com o emprego textual e a gramática normativa é a letra C.