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Questão de Medicina — Angiologia — Avança SP 2023

MedicinaAngiologia
Código
qq831649
Banca
Avança SP
Órgão
Fundação de Saúde de Rio Claro - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista Angiologista
A hipertensão arterial grave de longa duração pode desencadear úlceras isquêmicas chamadas úlceras hipertensivas. Estas comumente são muito dolorosas e surgem na face anteroexterna tronculares em geral são normais da panturrilha bilateralmente. As artérias nesses pacientes. A causa dessas úlceras é a:
  1. Asenescência.
  2. Bdesidratação severa.
  3. Carterioloesclerose.
  4. Dinfecção por estafilococos.
  5. Equeratinização da pele.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — arterioloesclerose.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Úlceras hipertensivas: fisiopatologia e diagnóstico diferencial

Gabarito: letra C (arterioloesclerose). A úlcera hipertensiva, também chamada úlcera de Martorell, é uma úlcera isquêmica causada pela arterioloesclerose — o espessamento hialino e a oclusão das arteríolas da derme, que ocorre em pacientes com hipertensão arterial grave de longa duração. As artérias tronculares (de maior calibre) permanecem normais, o que diferencia essa condição da úlcera isquêmica clássica por doença arterial obstrutiva periférica (aterosclerose).

A úlcera hipertensiva é um tipo específico de úlcera isquêmica, mas com fisiopatologia distinta. Enquanto a úlcera isquêmica clássica decorre da arteriosclerose obliterante — que acomete artérias de médio e grande calibre, como as artérias femorais e poplíteas, causando claudicação intermitente e dor em repouso —, a úlcera hipertensiva é causada pela arterioloesclerose, que acomete as arteríolas da pele. Essa distinção é fundamental: na úlcera hipertensiva, os pulsos periféricos e as artérias tronculares são normais, pois a obstrução está nas pequenas arteríolas, não nas grandes artérias.

A hipertensão arterial sistêmica grave e prolongada leva a alterações estruturais nas arteríolas, principalmente hialinose arteriolar (deposição de material hialino na parede) e hiperplasia da íntima, que reduzem o lúmen e comprometem a perfusão tecidual. Esse processo é a arterioloesclerose. A isquemia resultante causa necrose tecidual e ulceração, tipicamente na face anterolateral da perna (terço distal), bilateralmente, e é extremamente dolorosa. O diagnóstico diferencial das úlceras de membros inferiores é essencial para o clínico, e a tabela abaixo resume as principais características:

Tipo de úlcera

Causa

Localização

Dor

Quantidade

Outros dados

Isquêmica

Arteriosclerose obliterante, tromboangeíte, oclusão arterial aguda

Dedos do pé, pé, calcâneo, terço distal da perna

Intensa

Única

Bordas irregulares com base pálida

Venosa

Estase venosa, fístulas arteriovenosas, malformações vasculares

Perimaleolar e medial

Leve

Única

Bordas irregulares, base com granulação, pigmentação

Isquêmica focal

Angeítes sistêmicas, microembolismo, Raynaud

Terço médio da perna e dedos do pé

Moderada a intensa

Várias

Inicia com infartos únicos ou múltiplos da pele

Hipertensiva

Hipertensão arterial sistêmica

Perna distal posterolateral

Extremamente intensa

Única e grande com satélites

Inicia com infartos, progride com áreas purpúricas

Neurotrófica

Neuropatia e trauma repetido

Sob calos plantares e proeminências ósseas

Ausente

Única

Indolente, profunda e infectada

Hematológica

Anemia falciforme, talassemia, esferocitose

Tornozelo e pé

Ausente a leve

Única recorrente

Pode ocorrer em áreas de pigmentação, anemia crônica

A tabela acima, extraída do conteúdo de apoio, mostra que a úlcera hipertensiva tem características próprias: localização na perna distal posterolateral (face anteroexterna da panturrilha), dor extremamente intensa, e início com infartos que progridem com áreas purpúricas. Esses dados clínicos, somados ao fato de as artérias tronculares serem normais, apontam diretamente para a arterioloesclerose como causa.

A banca explora a confusão entre arteriosclerose (acomete grandes artérias, causa úlcera isquêmica clássica) e arterioloesclerose (acomete arteríolas, causa úlcera hipertensiva). O candidato que não domina essa distinção pode marcar a alternativa A (senescência), pensando que a úlcera é consequência do envelhecimento, ou a alternativa D (infecção por estafilococos), confundindo com uma infecção secundária. A chave é lembrar que a hipertensão arterial grave de longa duração causa lesão específica nas arteríolas, e é essa lesão que leva à úlcera.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca arteriosclerose (doença das grandes artérias, causa da úlcera isquêmica clássica) por arterioloesclerose (doença das arteríolas, causa da úlcera hipertensiva). O enunciado descreve exatamente a úlcera hipertensiva: face anteroexterna da panturrilha, bilateral, muito dolorosa, com artérias tronculares normais. Se as artérias tronculares são normais, a obstrução está nas arteríolas — logo, arterioloesclerose. Fique atento: a banca adora inverter esses conceitos para confundir. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪

1Úlcera hipertensiva (Martorell)
Causa: arterioloesclerose
Artérias tronculares normais
Dor extremamente intensa
Face anteroexterna da panturrilha
2Úlcera isquêmica clássica
Causa: arteriosclerose obliterante
Acomete grandes artérias
Dedos, pé, calcâneo
3Úlcera venosa
Causa: estase venosa
Perimaleolar e medial
4Úlcera neurotrófica
Causa: neuropatia + trauma
Indolente, sob calos plantares
Úlceras de membros inferiores
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Úlceras de membros inferiores: Úlcera hipertensiva (Martorell) (Causa: arterioloesclerose, Artérias tronculares normais, Dor extremamente intensa, Face anteroexterna da panturrilha); Úlcera isquêmica clássica (Causa: arteriosclerose obliterante, Acomete grandes artérias, Dedos, pé, calcâneo); Úlcera venosa (Causa: estase venosa, Perimaleolar e medial); Úlcera neurotrófica (Causa: neuropatia + trauma, Indolente, sob calos plantares)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A senescência (envelhecimento) não é a causa direta da úlcera hipertensiva. Embora o envelhecimento possa contribuir para alterações vasculares, a úlcera hipertensiva é causada especificamente pela arterioloesclerose, que é uma consequência da hipertensão arterial grave de longa duração, não do envelhecimento em si. A senescência pode estar associada a outras alterações, mas não é o mecanismo fisiopatológico central dessa úlcera.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A desidratação severa não causa úlceras isquêmicas. A desidratação pode levar a hipovolemia e redução da perfusão tecidual, mas não é a causa da úlcera hipertensiva, que tem como mecanismo a arterioloesclerose. A desidratação severa pode causar outros problemas, como insuficiência renal aguda, mas não úlceras de membros inferiores com as características descritas.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A arterioloesclerose é a causa da úlcera hipertensiva. A hipertensão arterial grave de longa duração causa lesão nas arteríolas, com hialinose e hiperplasia da íntima, reduzindo o lúmen e comprometendo a perfusão tecidual. Isso leva à isquemia e ulceração, tipicamente na face anteroexterna da panturrilha, bilateralmente, com dor intensa. As artérias tronculares permanecem normais, pois a obstrução está nas arteríolas, não nas grandes artérias.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A infecção por estafilococos não é a causa primária da úlcera hipertensiva. Embora as úlceras possam ser secundariamente infectadas por bactérias, incluindo estafilococos, a infecção é uma complicação, não a causa. A úlcera hipertensiva é causada pela arterioloesclerose, e a infecção pode ocorrer como consequência da perda de integridade da pele.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A queratinização da pele não tem relação com a úlcera hipertensiva. A queratinização é um processo fisiológico de formação de queratina na epiderme, e sua alteração pode estar associada a outras condições dermatológicas, mas não causa úlceras isquêmicas. A úlcera hipertensiva é causada pela arterioloesclerose, não por alterações na queratinização.

Gabarito: letra C

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