A hipertensão arterial grave de longa duração pode desencadear úlceras isquêmicas chamadas úlceras hipertensivas. Estas comumente são muito dolorosas e surgem na face anteroexterna tronculares em geral são normais da panturrilha bilateralmente. As artérias nesses pacientes. A causa dessas úlceras é a:
Asenescência.
Bdesidratação severa.
Carterioloesclerose.
Dinfecção por estafilococos.
Equeratinização da pele.
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GabaritoC — arterioloesclerose.
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Úlceras hipertensivas: fisiopatologia e diagnóstico diferencial
Gabarito: letra C (arterioloesclerose). A úlcera hipertensiva, também chamada úlcera de Martorell, é uma úlcera isquêmica causada pela arterioloesclerose — o espessamento hialino e a oclusão das arteríolas da derme, que ocorre em pacientes com hipertensão arterial grave de longa duração. As artérias tronculares (de maior calibre) permanecem normais, o que diferencia essa condição da úlcera isquêmica clássica por doença arterial obstrutiva periférica (aterosclerose).
A úlcera hipertensiva é um tipo específico de úlcera isquêmica, mas com fisiopatologia distinta. Enquanto a úlcera isquêmica clássica decorre da arteriosclerose obliterante — que acomete artérias de médio e grande calibre, como as artérias femorais e poplíteas, causando claudicação intermitente e dor em repouso —, a úlcera hipertensiva é causada pela arterioloesclerose, que acomete as arteríolas da pele. Essa distinção é fundamental: na úlcera hipertensiva, os pulsos periféricos e as artérias tronculares são normais, pois a obstrução está nas pequenas arteríolas, não nas grandes artérias.
A hipertensão arterial sistêmica grave e prolongada leva a alterações estruturais nas arteríolas, principalmente hialinose arteriolar (deposição de material hialino na parede) e hiperplasia da íntima, que reduzem o lúmen e comprometem a perfusão tecidual. Esse processo é a arterioloesclerose. A isquemia resultante causa necrose tecidual e ulceração, tipicamente na face anterolateral da perna (terço distal), bilateralmente, e é extremamente dolorosa. O diagnóstico diferencial das úlceras de membros inferiores é essencial para o clínico, e a tabela abaixo resume as principais características:
Bordas irregulares, base com granulação, pigmentação
Isquêmica focal
Angeítes sistêmicas, microembolismo, Raynaud
Terço médio da perna e dedos do pé
Moderada a intensa
Várias
Inicia com infartos únicos ou múltiplos da pele
Hipertensiva
Hipertensão arterial sistêmica
Perna distal posterolateral
Extremamente intensa
Única e grande com satélites
Inicia com infartos, progride com áreas purpúricas
Neurotrófica
Neuropatia e trauma repetido
Sob calos plantares e proeminências ósseas
Ausente
Única
Indolente, profunda e infectada
Hematológica
Anemia falciforme, talassemia, esferocitose
Tornozelo e pé
Ausente a leve
Única recorrente
Pode ocorrer em áreas de pigmentação, anemia crônica
A tabela acima, extraída do conteúdo de apoio, mostra que a úlcera hipertensiva tem características próprias: localização na perna distal posterolateral (face anteroexterna da panturrilha), dor extremamente intensa, e início com infartos que progridem com áreas purpúricas. Esses dados clínicos, somados ao fato de as artérias tronculares serem normais, apontam diretamente para a arterioloesclerose como causa.
A banca explora a confusão entre arteriosclerose (acomete grandes artérias, causa úlcera isquêmica clássica) e arterioloesclerose (acomete arteríolas, causa úlcera hipertensiva). O candidato que não domina essa distinção pode marcar a alternativa A (senescência), pensando que a úlcera é consequência do envelhecimento, ou a alternativa D (infecção por estafilococos), confundindo com uma infecção secundária. A chave é lembrar que a hipertensão arterial grave de longa duração causa lesão específica nas arteríolas, e é essa lesão que leva à úlcera.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca arteriosclerose (doença das grandes artérias, causa da úlcera isquêmica clássica) por arterioloesclerose (doença das arteríolas, causa da úlcera hipertensiva). O enunciado descreve exatamente a úlcera hipertensiva: face anteroexterna da panturrilha, bilateral, muito dolorosa, com artérias tronculares normais. Se as artérias tronculares são normais, a obstrução está nas arteríolas — logo, arterioloesclerose. Fique atento: a banca adora inverter esses conceitos para confundir. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪
Úlceras de membros inferiores: Úlcera hipertensiva (Martorell) (Causa: arterioloesclerose, Artérias tronculares normais, Dor extremamente intensa, Face anteroexterna da panturrilha); Úlcera isquêmica clássica (Causa: arteriosclerose obliterante, Acomete grandes artérias, Dedos, pé, calcâneo); Úlcera venosa (Causa: estase venosa, Perimaleolar e medial); Úlcera neurotrófica (Causa: neuropatia + trauma, Indolente, sob calos plantares)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A senescência (envelhecimento) não é a causa direta da úlcera hipertensiva. Embora o envelhecimento possa contribuir para alterações vasculares, a úlcera hipertensiva é causada especificamente pela arterioloesclerose, que é uma consequência da hipertensão arterial grave de longa duração, não do envelhecimento em si. A senescência pode estar associada a outras alterações, mas não é o mecanismo fisiopatológico central dessa úlcera.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A desidratação severa não causa úlceras isquêmicas. A desidratação pode levar a hipovolemia e redução da perfusão tecidual, mas não é a causa da úlcera hipertensiva, que tem como mecanismo a arterioloesclerose. A desidratação severa pode causar outros problemas, como insuficiência renal aguda, mas não úlceras de membros inferiores com as características descritas.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A arterioloesclerose é a causa da úlcera hipertensiva. A hipertensão arterial grave de longa duração causa lesão nas arteríolas, com hialinose e hiperplasia da íntima, reduzindo o lúmen e comprometendo a perfusão tecidual. Isso leva à isquemia e ulceração, tipicamente na face anteroexterna da panturrilha, bilateralmente, com dor intensa. As artérias tronculares permanecem normais, pois a obstrução está nas arteríolas, não nas grandes artérias.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A infecção por estafilococos não é a causa primária da úlcera hipertensiva. Embora as úlceras possam ser secundariamente infectadas por bactérias, incluindo estafilococos, a infecção é uma complicação, não a causa. A úlcera hipertensiva é causada pela arterioloesclerose, e a infecção pode ocorrer como consequência da perda de integridade da pele.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A queratinização da pele não tem relação com a úlcera hipertensiva. A queratinização é um processo fisiológico de formação de queratina na epiderme, e sua alteração pode estar associada a outras condições dermatológicas, mas não causa úlceras isquêmicas. A úlcera hipertensiva é causada pela arterioloesclerose, não por alterações na queratinização.