Processamento e obtenção do plasma: critérios técnicos
Gabarito: letra A. A unidade de plasma destinada a fins transfusionais deve apresentar volume superior a 180 mL, conforme os critérios de qualidade estabelecidos pela legislação sanitária brasileira (RDC da Anvisa). As demais alternativas apresentam erros técnicos em relação à temperatura de armazenamento, à possibilidade de obtenção por aférese, ao efeito do congelamento sobre os fatores de coagulação e à definição do PFC24.
O plasma é o componente líquido do sangue, obtido por centrifugação do sangue total ou por aférese, e sua principal utilidade transfusional é a reposição de fatores de coagulação. Para que o plasma mantenha a atividade hemostática, é essencial que seja processado e armazenado sob condições rigorosas de temperatura e tempo. A legislação brasileira, por meio da RDC nº 34/2014 da Anvisa, estabelece critérios específicos para a obtenção, o processamento e o armazenamento dos hemocomponentes, incluindo o plasma fresco congelado (PFC), o plasma isento de crioprecipitado e o plasma fresco congelado de 24 horas (PFC24).
O PFC é definido como o plasma separado do sangue total ou obtido por aférese, congelado em até 8 horas após a coleta, e deve ser armazenado a temperatura igual ou inferior a -20°C. O congelamento rápido é fundamental para preservar a atividade dos fatores de coagulação lábeis, como os fatores V e VIII. O plasma isento de crioprecipitado, por sua vez, é obtido após o descongelamento do PFC e a remoção do crioprecipitado, e também deve ser armazenado a temperaturas muito baixas, tipicamente -20°C ou menos. O PFC24 é o plasma separado do sangue total por centrifugação entre 8 e 24 horas após a coleta, e deve ser congelado em até 4 horas após a separação, conforme a RDC nº 34/2014.
A questão exige o conhecimento detalhado desses critérios técnicos, que são frequentemente cobrados em provas de residência e concursos na área de hematologia e hemoterapia. A banca explora a confusão entre as diferentes temperaturas de armazenamento e os prazos de congelamento, além de testar o conhecimento sobre a possibilidade de obtenção do PFC por aférese. É fundamental que o candidato memorize os valores exatos de volume, temperatura e tempo, pois são dados objetivos e passíveis de cobrança literal.
A pegadinha central desta questão está na alternativa E, que descreve o PFC24 com um prazo de congelamento incorreto, e na alternativa B, que indica uma temperatura de armazenamento inadequada para o plasma isento de crioprecipitado. A alternativa A, por sua vez, apresenta o valor correto de volume mínimo para o plasma transfusional, que é um critério de qualidade estabelecido pela legislação. Guarde esses parâmetros: volume > 180 mL, temperatura de armazenamento ≤ -20°C, e prazos de congelamento de 8 horas para o PFC e 4 horas para o PFC24.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A está correta porque a RDC nº 34/2014 da Anvisa estabelece que a unidade de plasma para uso transfusional deve ter volume superior a 180 mL. Esse é um critério de qualidade que garante a dose adequada de fatores de coagulação para o paciente. O volume mínimo é um requisito técnico que deve ser verificado no momento da liberação do hemocomponente para uso clínico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B está incorreta porque o plasma isento de crioprecipitado deve ser armazenado a temperatura igual ou inferior a -20°C, e não a "no mínimo, 5ºC negativos" (ou seja, -5°C). A temperatura de -5°C é insuficiente para preservar a atividade dos fatores de coagulação lábeis, como os fatores V e VIII, que são degradados em temperaturas menos rigorosas. O armazenamento adequado a -20°C ou menos é essencial para manter a qualidade do hemocomponente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C está incorreta porque o Plasma Fresco Congelado (PFC) pode sim ser obtido por processamento em equipamentos automáticos de aférese. A aférese é um método válido e amplamente utilizado para a obtenção de plasma, que permite a coleta seletiva do componente desejado, devolvendo os demais elementos do sangue ao doador. A RDC nº 34/2014 prevê expressamente a obtenção do PFC por aférese, além da centrifugação do sangue total.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D está incorreta porque o congelamento em temperatura menor que 10ºC negativos (ou seja, abaixo de -10°C) não promove a quebra dos fatores de coagulação; pelo contrário, o congelamento rápido e a temperaturas muito baixas (como -20°C ou menos) é o que preserva a atividade desses fatores. A quebra dos fatores de coagulação ocorre com o descongelamento inadequado ou com o armazenamento em temperaturas insuficientemente baixas, que permitem a degradação enzimática.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E está incorreta porque, embora descreva corretamente o PFC24 como o plasma separado do sangue total por centrifugação entre 8 e 24 horas após a coleta, o prazo de congelamento está errado. O PFC24 deve ser congelado em até 4 horas após a separação, e não "no máximo em 4 horas" a partir da coleta. A redação da alternativa sugere que o congelamento deve ocorrer em até 4 horas após a coleta, o que não corresponde à definição técnica. O prazo de 4 horas é contado a partir da separação do plasma, não da coleta do sangue.
Gabarito: letra A