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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Avança SP 2023

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qq832873
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Americana - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico Cardiologista
De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, _______ deve ser o agente de primeira linha a ser empregado, quando houver hipotensão arterial severa (PA sistêmica sistólica <70 mmHg). A imediata reversão destes níveis pressóricos é fundamental, na manutenção da pressão de perfusão coronária por apresentar interação com receptores alfa e beta-adrenérgicos.Assinale a alternativa que preenche, corretamente, a lacuna do texto:
  1. ADopamina.
  2. BNoradrenalina.
  3. CDobutamina.
  4. DAtropina
  5. EAmiodarona.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Noradrenalina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Farmacologia cardiovascular: vasopressores na hipotensão severa

Gabarito: letra B (Noradrenalina). A noradrenalina é o agente de primeira linha na hipotensão arterial severa (PAS < 70 mmHg) por apresentar potente ação vasoconstritora via receptores alfa-adrenérgicos e efeito inotrópico via receptores beta-1, sendo fundamental para manter a pressão de perfusão coronariana. A Sociedade Brasileira de Cardiologia, em sua diretriz de ressuscitação cardiopulmonar, destaca a noradrenalina como catecolamina endógena com potente efeito beta-1 e alfa-agonista, indicada justamente para reverter quadros hipotensivos graves.

A questão aborda o manejo farmacológico da hipotensão severa, um cenário crítico em emergências cardiovasculares. O ponto central é entender que, diante de uma pressão arterial sistólica abaixo de 70 mmHg, a prioridade é restaurar rapidamente a perfusão dos órgãos vitais, especialmente a perfusão coronariana. Para isso, o agente ideal deve combinar vasoconstrição (ação alfa) com algum suporte inotrópico (ação beta-1), sem causar taquicardia excessiva ou aumento descontrolado do consumo de oxigênio pelo miocárdio.

A noradrenalina (norepinefrina) é uma catecolamina endógena que atua predominantemente em receptores alfa-1 e alfa-2 adrenérgicos vasculares e em receptores beta-1 cardíacos. Essa combinação produz vasoconstrição potente — elevando a resistência vascular sistêmica e, consequentemente, a pressão arterial média — com efeito inotrópico moderado. É exatamente esse perfil que a torna a droga de escolha na hipotensão severa, pois aumenta a pressão de perfusão coronariana sem depender de um débito cardíaco elevado. A diretriz da SBC de 2019 descreve a norepinefrina como "catecolamina endógena, com potente efeito beta 1 e alfa-agonistas", e a literatura de suporte avançado de vida recomenda seu uso como primeira linha em choque hipotensivo.

Na prática clínica, a noradrenalina é titulada em infusão contínua, com doses que variam conforme a resposta pressórica. Em pacientes com choque séptico, por exemplo, a PAM alvo é de 65 mmHg, e a noradrenalina é o vasopressor preferencial. No choque cardiogênico grave, é usada para tratar hipotensão hemodinamicamente significativa, especialmente quando há baixa resistência vascular. A via de administração preferencial é a venosa central, embora o uso periférico temporário seja aceito em situações específicas.

A distinção crucial que a banca explora é entre os diferentes agentes vasoativos e seus perfis farmacológicos. Enquanto a noradrenalina é predominantemente vasopressora (alfa > beta), a dobutamina é predominantemente inotrópica (beta-1), a dopamina tem efeito dose-dependente (beta em doses baixas, alfa em doses altas), a atropina é um anticolinérgico usado para bradicardia, e a amiodarona é um antiarrítmico. A pegadinha está em confundir o papel de cada um: o candidato que associa "hipotensão" a "inotrópico" pode escolher a dobutamina, mas ela não é o agente de primeira linha para hipotensão severa porque não tem ação vasoconstritora significativa — pelo contrário, pode até piorar a hipotensão em alguns contextos.

Guarde o critério decisivo: na hipotensão severa com PAS < 70 mmHg, o que importa é a pressão de perfusão, e isso se consegue com vasoconstrição — logo, o agente de escolha é aquele com potente ação alfa-adrenérgica, que é a noradrenalina. É exatamente nessa fronteira entre vasopressor e inotrópico que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A dopamina é uma catecolamina endógena que estimula receptores alfa-1 e beta-1, mas seu efeito é dose-dependente: em doses baixas (2-5 mcg/kg/min) predomina ação beta (aumento do inotropismo e cronotropismo), em doses intermediárias (5-10 mcg/kg/min) há efeito beta e alfa, e apenas em doses altas (10-20 mcg/kg/min) a ação alfa (vasoconstrição) se torna relevante. Essa imprevisibilidade e o risco de taquicardia e arritmias fazem dela uma opção inferior à noradrenalina na hipotensão severa. A diretriz da SBC indica dopamina para choque cardiogênico, choque distributivo e hipotensão em recém-nascidos prematuros, mas não como agente de primeira linha na hipotensão grave do adulto.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A noradrenalina é o agente de primeira linha na hipotensão arterial severa (PAS < 70 mmHg). Seu perfil farmacológico combina potente vasoconstrição (receptores alfa-1 e alfa-2) com efeito inotrópico moderado (receptores beta-1), o que aumenta a resistência vascular sistêmica e a pressão arterial média, mantendo a perfusão coronariana. A diretriz da SBC de 2019 a descreve como "catecolamina endógena, com potente efeito beta 1 e alfa-agonistas", e a literatura de emergências a recomenda como primeira linha no choque hipotensivo, revertendo a vasodilatação e melhorando a função miocárdica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A dobutamina é uma catecolamina sintética que age principalmente em receptores beta-1, com algum efeito alfa e beta-2. Seu papel é melhorar o inotropismo cardíaco (força de contração), com pouco efeito cronotrópico e pouca ação vasoconstritora. É indicada no choque cardiogênico e na insuficiência cardíaca congestiva com aumento das pressões de enchimento, mas não é o agente de primeira linha na hipotensão severa, pois não eleva significativamente a resistência vascular sistêmica — pode até reduzir a pressão arterial em pacientes hipovolêmicos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A atropina é um anticolinérgico (antagonista muscarínico) usado no tratamento da bradicardia sintomática e em paradas cardíacas com ritmo de bradicardia. Seu mecanismo de ação é bloquear a ação da acetilcolina, aumentando a frequência cardíaca. Não tem efeito vasoconstritor nem inotrópico direto, portanto não é indicada para hipotensão severa. A confusão pode ocorrer porque a atropina é usada em emergências, mas seu alvo é a frequência cardíaca, não a pressão arterial.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A amiodarona é um antiarrítmico classe III, usado no tratamento de taquiarritmias ventriculares e fibrilação atrial. Seu mecanismo de ação envolve bloqueio de canais de potássio, sódio e cálcio, prolongando o potencial de ação. Não tem efeito vasopressor nem inotrópico significativo — pelo contrário, pode causar hipotensão como efeito adverso. É totalmente inadequada para o tratamento da hipotensão severa. A pegadinha aqui é associar "emergência cardíaca" a "amiodarona", mas o contexto é de pressão arterial, não de arritmia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre vasopressores e inotrópicos. O candidato que pensa "hipotensão = precisa de inotrópico" escolhe a dobutamina (letra C), mas ela não tem ação vasoconstritora significativa. O que a hipotensão severa exige é vasoconstrição para manter a perfusão — e isso é função da noradrenalina, com sua potente ação alfa-adrenérgica. Lembre-se: na PAS < 70 mmHg, o agente de primeira linha é o vasopressor, não o inotrópico.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar os agentes vasoativos, foque no receptor predominante: noradrenalina = alfa (vasoconstrição) + beta-1 (inotropismo); dobutamina = beta-1 (inotropismo); dopamina = dose-dependente (beta → alfa); atropina = anticolinérgico (cronotropismo); amiodarona = antiarrítmico. Na prova, leia o contexto: se o problema é pressão baixa, escolha o vasopressor; se é bomba cardíaca fraca, escolha o inotrópico.

Gabarito: letra B

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