Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Avança SP 2023
- Código
- qq832885
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- Prefeitura de Americana - SP
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Cardiologista
- AAustin-Flint.
- BCorrigan.
- CCarey Coombs.
- DMayne.
- EFinn.
GabaritoA — Austin-Flint.
Gabarito: letra A. O sopro de Austin-Flint é o sopro diastólico em rufla (mesodiastólico, de baixa frequência) auscultado no foco mitral, decorrente do jato de regurgitação aórtica que colide com o folheto anterior da valva mitral, impedindo sua abertura completa — exatamente o mecanismo descrito no enunciado. Os demais eponímios listados referem-se a outros fenômenos semiológicos da insuficiência aórtica (pulso de Corrigan, sinal de Mayne) ou a outros sopros (Carey Coombs), não a este sopro específico.
O sopro de Austin-Flint é um achado clássico da insuficiência aórtica (IAo) crônica grave. Para entendê-lo, é preciso revisar a fisiopatologia: na diástole, o sangue reflui da aorta para o ventrículo esquerdo (VE) através da valva aórtica incompetente. Esse jato regurgitante, de alta velocidade, dirige-se contra o folheto anterior da valva mitral, que está localizado logo abaixo da via de saída do VE. O impacto do jato sobre o folheto mitral gera dois efeitos: (1) um ruído de baixa frequência, audível no foco mitral, chamado de sopro de Austin-Flint; e (2) um estreitamento funcional da abertura mitral, que pode até mesmo causar fechamento prematuro da valva mitral em casos graves. Por isso, o sopro é descrito como "ruflar diastólico" — timbre rude, de baixa frequência, mais bem auscultado com a campânula do estetoscópio, em decúbito lateral esquerdo.
A importância clínica do sopro de Austin-Flint está na sua diferenciação do sopro da estenose mitral orgânica. Ambos são sopros diastólicos em rufla no foco mitral, mas apresentam diferenças fundamentais: no Austin-Flint, não há estalido de abertura, a primeira bulha (B1) não é hiperfonética e, principalmente, o sopro é consequência da regurgitação aórtica — portanto, manobras que aumentam a resistência vascular periférica (como handgrip ou agachamento) intensificam o sopro de Austin-Flint, enquanto não alteram o sopro da estenose mitral orgânica. Essa distinção é crucial na prática clínica, pois o tratamento das duas condições é completamente diferente.
A banca explora justamente a confusão entre os eponímios da insuficiência aórtica. O pulso de Corrigan (alternativa B) é um sinal periférico — pulso em martelo d'água, de amplitude aumentada e colapso rápido — e não um sopro. O sinal de Mayne (alternativa D) é outro sinal periférico: queda de pelo menos 15 mmHg na pressão arterial diastólica quando o braço é elevado atrás da cabeça. O sopro de Carey Coombs (alternativa C) é um sopro diastólico mitral associado à cardite reumática aguda, mas por mecanismo diferente: é devido à inflamação valvar (valvulite), não ao jato regurgitante aórtico. A alternativa E (Finn) não corresponde a nenhum sinal ou sopro clássico da insuficiência aórtica.
Guarde a distinção essencial: o sopro de Austin-Flint é um sopro diastólico em rufla no foco mitral, causado pelo jato de regurgitação aórtica que impede a abertura completa da valva mitral — é exatamente o mecanismo descrito no enunciado. Os demais eponímios são sinais periféricos ou outros sopros, que não se encaixam na descrição.
O enunciado descreve com precisão o mecanismo do sopro de Austin-Flint: o jato da insuficiência aórtica colide com o folheto anterior da valva mitral, impedindo sua abertura completa, o que gera um sopro diastólico em rufla (mesodiastólico, de baixa frequência) no foco mitral. Esse sopro é característico da insuficiência aórtica crônica grave e recebe o nome de Austin-Flint. A alternativa está correta porque descreve exatamente esse fenômeno.
O pulso de Corrigan (ou pulso em martelo d'água) é um sinal periférico da insuficiência aórtica, caracterizado por amplitude aumentada e colapso rápido do pulso arterial. Não é um sopro, e sim uma alteração do pulso periférico. A banca troca o eponímio do sopro pelo eponímio de um sinal periférico, induzindo o candidato que memorizou apenas os nomes sem associá-los ao fenômeno correto.
O sopro de Carey Coombs é um sopro diastólico mitral associado à cardite reumática aguda, decorrente da inflamação (valvulite) das cúspides da valva mitral. Embora também seja um sopro diastólico em rufla no foco mitral, o mecanismo é diferente: não é causado pelo jato regurgitante aórtico, mas sim pela inflamação valvar. A banca troca o mecanismo — no Austin-Flint, o jato aórtico impede a abertura mitral; no Carey Coombs, a inflamação valvar é a causa.
O sinal de Mayne é um sinal periférico da insuficiência aórtica: queda de pelo menos 15 mmHg na pressão arterial diastólica quando o braço é posicionado atrás da cabeça. Não é um sopro. A banca troca o eponímio do sopro pelo eponímio de um sinal periférico, explorando a confusão entre os diversos sinais e sopros associados à insuficiência aórtica.
A alternativa E (Finn) não corresponde a nenhum sinal, sopro ou fenômeno semiológico clássico da insuficiência aórtica. É um distrator puro, sem correspondência na literatura médica. O candidato que não conhece os eponímios pode ser induzido a marcar uma alternativa que parece plausível, mas não tem fundamento.
A banca explora a confusão entre os eponímios da insuficiência aórtica: o sopro de Austin-Flint (sopro diastólico em rufla no foco mitral) é trocado por sinais periféricos (pulso de Corrigan, sinal de Mayne) ou por outro sopro de mecanismo diferente (Carey Coombs). Para não cair, associe cada eponímio ao fenômeno correto: Austin-Flint = sopro; Corrigan = pulso; Mayne = pressão arterial; Carey Coombs = cardite reumática. Com treino, você reconhece essas trocas de longe 💪.
Gabarito: letra A
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