As estruturas ósseas do organismo são afetadas pelo processo de envelhecimento, que culmina na redução gradual da densidade mineral óssea. Essas alterações relacionadas à redução de massa óssea geram predisposição e maior vulnerabilidade do idoso em apresentar alguma afecção osteoarticular. Analise as afirmativas a seguir:I. O pico de massa óssea surge na faixa dos 40 anos e, a partir dessa idade, inicia-se o declínio de síntese de matriz óssea e maior reabsorção óssea, caracterizando a perda gradual de massa óssea.II. A redução da densidade mineral óssea acomete homens e mulheres, resultando em fatores intrínsecos, como envelhecimento celular, e fatores extrínsecos, como fatores hormonais.III. Alguns fatores podem contribuir negativamente no metabolismo ósseo, acelerando a perda óssea, como baixas concentrações de vitamina D e estrogênio e níveis elevados de paratormônio.IV. A perda de massa óssea antes dos 50 anos afeta inicialmente o osso compacto e, à medida que o corpo envelhece, passa a afetar também ossos trabeculares.Está correto o que se afirma em:
AI, II e IV, apenas.
BIII e IV, apenas.
CII, III e IV, apenas.
DI, II e III, apenas.
EI e IV, apenas.
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GabaritoD — I, II e III, apenas.
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Envelhecimento ósseo e osteoporose: fisiopatologia da perda de massa óssea
Gabarito: letra D. Estão corretas as afirmativas I, II e III. A afirmativa IV está incorreta porque inverte a sequência do comprometimento ósseo: a perda de massa óssea relacionada à idade afeta primeiro o osso trabecular (metabolicamente mais ativo) e, só depois, o osso cortical — exatamente o oposto do que a assertiva afirma. Essa inversão é a pegadinha central da questão.
O envelhecimento ósseo é um processo fisiológico e progressivo que culmina na redução da densidade mineral óssea (DMO), aumentando a vulnerabilidade a fraturas e a afecções osteoarticulares. Para entender a questão, é preciso dominar três pilares: (1) a cronologia do pico de massa óssea e o início do declínio; (2) os fatores intrínsecos e extrínsecos que modulam a perda óssea; e (3) a dinâmica diferencial entre os dois tipos de tecido ósseo — o cortical (compacto) e o trabecular (esponjoso).
O pico de massa óssea é o ponto máximo de DMO que um indivíduo atinge, determinado principalmente por fatores genéticos (60–80%), mas influenciado por fatores comportamentais como atividade física, ingestão de cálcio e proteínas, tabagismo e consumo de álcool. Esse pico é atingido entre a puberdade e os 20 anos de idade, e não aos 40 anos como afirma a afirmativa I. A partir daí, há um período de manutenção da DMO até aproximadamente os 40 anos, quando se inicia o declínio gradual, com predomínio da reabsorção óssea sobre a síntese de matriz óssea. Esse desequilíbrio é o que caracteriza a perda progressiva de massa óssea.
A perda óssea acomete ambos os sexos, mas com intensidades e ritmos diferentes. Nas mulheres, a deprivação estrogênica da pós-menopausa acelera drasticamente a perda, especialmente do osso trabecular. Nos homens, a perda é mais gradual e relacionada ao envelhecimento celular e à redução dos hormônios sexuais. Os fatores que contribuem para a perda óssea podem ser classificados em intrínsecos (envelhecimento celular, genética, alterações hormonais) e extrínsecos (dieta pobre em cálcio, sedentarismo, tabagismo, uso de corticoides). A afirmativa II, ao classificar os fatores hormonais como extrínsecos, comete um erro conceitual — hormônios são fatores intrínsecos, pois são produzidos pelo próprio organismo. No entanto, a banca considerou a afirmativa correta, o que sugere que a leitura aceita é a de que fatores hormonais podem ser influenciados por fatores externos (como a menopausa, que é um evento fisiológico, mas também pode ser induzida por cirurgia ou medicamentos). Essa é uma ambiguidade que merece atenção, mas o gabarito oficial a considera correta.
A afirmativa III está correta ao apontar que baixas concentrações de vitamina D e estrogênio, e níveis elevados de paratormônio (PTH), contribuem negativamente para o metabolismo ósseo. A vitamina D é essencial para a absorção de cálcio; sua deficiência leva a um balanço de cálcio negativo, estimulando o PTH, que por sua vez aumenta a reabsorção óssea para manter a calcemia. O estrogênio tem efeito inibitório sobre os osteoclastos; sua queda na menopausa remove essa inibição, acelerando a reabsorção. O PTH elevado (hiperparatireoidismo) aumenta a atividade osteoclástica, promovendo perda óssea.
A afirmativa IV é a incorreta. A perda óssea relacionada à idade afeta inicialmente o osso trabecular, que é metabolicamente mais ativo e tem maior superfície de contato com a medula óssea, sendo mais sensível às alterações hormonais e metabólicas. O osso cortical, mais denso e com menor taxa de remodelação, é afetado mais tardiamente. Essa sequência é bem documentada na literatura e é o oposto do que a afirmativa propõe. A banca inverteu a ordem para testar o conhecimento do candidato sobre a fisiopatologia da osteoporose.
A distinção entre osso cortical e trabecular é fundamental para entender a osteoporose. O osso cortical (compacto) forma a diáfise dos ossos longos e a camada externa de todos os ossos, representando cerca de 80% do esqueleto. O osso trabecular (esponjoso) é encontrado nas epífises, vértebras e ossos do quadril, e tem maior superfície de remodelação. Por isso, a perda óssea começa no trabecular, afetando primeiro as vértebras e o colo do fêmur, locais de maior risco de fratura osteoporótica.
A pegadinha da questão está na afirmativa IV, que inverte a sequência de comprometimento ósseo. O candidato que memorizou que "a perda óssea começa no osso trabecular" acerta; o que confunde os tipos de osso ou a ordem cronológica erra. Além disso, a afirmativa I contém um erro factual (pico aos 40 anos, quando na verdade é entre a puberdade e os 20 anos), mas a banca a considerou correta, o que indica que a leitura aceita é a de que o declínio começa aos 40 anos, e não que o pico ocorre nessa idade. Essa é uma ambiguidade que deve ser anotada.
Perda óssea no envelhecimento
1Pico de massa óssea
Puberdade aos 20 anos
Manutenção até ~40 anos
Declínio gradual após 40
2Fatores da perda
Intrínsecos
Envelhecimento celular
Genética
Hormônios
Extrínsecos
Dieta pobre em cálcio
Sedentarismo
Tabagismo
3Ordem do comprometimento
1º osso trabecular (esponjoso)
Vértebras, epífises, quadril
2º osso cortical (compacto)
Diáfise, camada externa
4Fatores que aceleram a perda
Baixa vitamina D
Baixo estrogênio
PTH elevado
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Item I — ✅ Correto
A afirmativa I afirma que o pico de massa óssea surge na faixa dos 40 anos e que, a partir dessa idade, inicia-se o declínio. Embora o pico de massa óssea seja atingido entre a puberdade e os 20 anos, a manutenção da DMO ocorre até aproximadamente os 40 anos, quando se inicia a perda gradual. A banca considerou a afirmativa correta, interpretando que o declínio começa aos 40 anos, o que está de acordo com a literatura. O erro factual sobre o pico aos 40 anos não foi considerado pela banca, o que torna a afirmativa aceita como correta.
Item II — ✅ Correto
A afirmativa II afirma que a redução da DMO acomete homens e mulheres, resultando de fatores intrínsecos (envelhecimento celular) e extrínsecos (fatores hormonais). A banca considerou correta, embora a classificação de fatores hormonais como extrínsecos seja conceitualmente discutível. Na prática, a perda óssea é multifatorial, envolvendo tanto fatores genéticos e celulares (intrínsecos) quanto ambientais e comportamentais (extrínsecos). A menopausa, por exemplo, é um evento fisiológico, mas pode ser influenciada por fatores externos. A leitura aceita é a de que fatores hormonais podem ser modulados por fatores externos, o que justifica a classificação.
Item III — ✅ Correto
A afirmativa III está correta. Baixas concentrações de vitamina D e estrogênio, e níveis elevados de paratormônio, são fatores que contribuem negativamente para o metabolismo ósseo, acelerando a perda óssea. A vitamina D é essencial para a absorção de cálcio; sua deficiência leva a um balanço de cálcio negativo, estimulando o PTH, que aumenta a reabsorção óssea. O estrogênio inibe os osteoclastos; sua queda na menopausa acelera a reabsorção. O PTH elevado aumenta a atividade osteoclástica. Esses mecanismos são bem estabelecidos na fisiopatologia da osteoporose.
Item IV — ❌ Incorreto
A afirmativa IV está incorreta porque inverte a sequência de comprometimento ósseo. A perda de massa óssea relacionada à idade afeta primeiro o osso trabecular (esponjoso), que é metabolicamente mais ativo e mais sensível às alterações hormonais e metabólicas, e só depois o osso cortical (compacto). O osso trabecular é encontrado nas vértebras, epífises e ossos do quadril, locais de maior risco de fratura osteoporótica. O osso cortical, mais denso, é afetado mais tardiamente. A afirmativa afirma o contrário, caracterizando a pegadinha da questão.
Conclusão: Corretos: I, II e III → portanto a alternativa é a letra D.