Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Geriatria — Avança SP 2023

MedicinaGeriatria
Código
qq832954
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Americana - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico Geriatra
As estruturas ósseas do organismo são afetadas pelo processo de envelhecimento, que culmina na redução gradual da densidade mineral óssea. Essas alterações relacionadas à redução de massa óssea geram predisposição e maior vulnerabilidade do idoso em apresentar alguma afecção osteoarticular. Analise as afirmativas a seguir:I. O pico de massa óssea surge na faixa dos 40 anos e, a partir dessa idade, inicia-se o declínio de síntese de matriz óssea e maior reabsorção óssea, caracterizando a perda gradual de massa óssea.II. A redução da densidade mineral óssea acomete homens e mulheres, resultando em fatores intrínsecos, como envelhecimento celular, e fatores extrínsecos, como fatores hormonais.III. Alguns fatores podem contribuir negativamente no metabolismo ósseo, acelerando a perda óssea, como baixas concentrações de vitamina D e estrogênio e níveis elevados de paratormônio.IV. A perda de massa óssea antes dos 50 anos afeta inicialmente o osso compacto e, à medida que o corpo envelhece, passa a afetar também ossos trabeculares.Está correto o que se afirma em:
  1. AI, II e IV, apenas.
  2. BIII e IV, apenas.
  3. CII, III e IV, apenas.
  4. DI, II e III, apenas.
  5. EI e IV, apenas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — I, II e III, apenas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Envelhecimento ósseo e osteoporose: fisiopatologia da perda de massa óssea

Gabarito: letra D. Estão corretas as afirmativas I, II e III. A afirmativa IV está incorreta porque inverte a sequência do comprometimento ósseo: a perda de massa óssea relacionada à idade afeta primeiro o osso trabecular (metabolicamente mais ativo) e, só depois, o osso cortical — exatamente o oposto do que a assertiva afirma. Essa inversão é a pegadinha central da questão.

O envelhecimento ósseo é um processo fisiológico e progressivo que culmina na redução da densidade mineral óssea (DMO), aumentando a vulnerabilidade a fraturas e a afecções osteoarticulares. Para entender a questão, é preciso dominar três pilares: (1) a cronologia do pico de massa óssea e o início do declínio; (2) os fatores intrínsecos e extrínsecos que modulam a perda óssea; e (3) a dinâmica diferencial entre os dois tipos de tecido ósseo — o cortical (compacto) e o trabecular (esponjoso).

O pico de massa óssea é o ponto máximo de DMO que um indivíduo atinge, determinado principalmente por fatores genéticos (60–80%), mas influenciado por fatores comportamentais como atividade física, ingestão de cálcio e proteínas, tabagismo e consumo de álcool. Esse pico é atingido entre a puberdade e os 20 anos de idade, e não aos 40 anos como afirma a afirmativa I. A partir daí, há um período de manutenção da DMO até aproximadamente os 40 anos, quando se inicia o declínio gradual, com predomínio da reabsorção óssea sobre a síntese de matriz óssea. Esse desequilíbrio é o que caracteriza a perda progressiva de massa óssea.

A perda óssea acomete ambos os sexos, mas com intensidades e ritmos diferentes. Nas mulheres, a deprivação estrogênica da pós-menopausa acelera drasticamente a perda, especialmente do osso trabecular. Nos homens, a perda é mais gradual e relacionada ao envelhecimento celular e à redução dos hormônios sexuais. Os fatores que contribuem para a perda óssea podem ser classificados em intrínsecos (envelhecimento celular, genética, alterações hormonais) e extrínsecos (dieta pobre em cálcio, sedentarismo, tabagismo, uso de corticoides). A afirmativa II, ao classificar os fatores hormonais como extrínsecos, comete um erro conceitual — hormônios são fatores intrínsecos, pois são produzidos pelo próprio organismo. No entanto, a banca considerou a afirmativa correta, o que sugere que a leitura aceita é a de que fatores hormonais podem ser influenciados por fatores externos (como a menopausa, que é um evento fisiológico, mas também pode ser induzida por cirurgia ou medicamentos). Essa é uma ambiguidade que merece atenção, mas o gabarito oficial a considera correta.

A afirmativa III está correta ao apontar que baixas concentrações de vitamina D e estrogênio, e níveis elevados de paratormônio (PTH), contribuem negativamente para o metabolismo ósseo. A vitamina D é essencial para a absorção de cálcio; sua deficiência leva a um balanço de cálcio negativo, estimulando o PTH, que por sua vez aumenta a reabsorção óssea para manter a calcemia. O estrogênio tem efeito inibitório sobre os osteoclastos; sua queda na menopausa remove essa inibição, acelerando a reabsorção. O PTH elevado (hiperparatireoidismo) aumenta a atividade osteoclástica, promovendo perda óssea.

A afirmativa IV é a incorreta. A perda óssea relacionada à idade afeta inicialmente o osso trabecular, que é metabolicamente mais ativo e tem maior superfície de contato com a medula óssea, sendo mais sensível às alterações hormonais e metabólicas. O osso cortical, mais denso e com menor taxa de remodelação, é afetado mais tardiamente. Essa sequência é bem documentada na literatura e é o oposto do que a afirmativa propõe. A banca inverteu a ordem para testar o conhecimento do candidato sobre a fisiopatologia da osteoporose.

A distinção entre osso cortical e trabecular é fundamental para entender a osteoporose. O osso cortical (compacto) forma a diáfise dos ossos longos e a camada externa de todos os ossos, representando cerca de 80% do esqueleto. O osso trabecular (esponjoso) é encontrado nas epífises, vértebras e ossos do quadril, e tem maior superfície de remodelação. Por isso, a perda óssea começa no trabecular, afetando primeiro as vértebras e o colo do fêmur, locais de maior risco de fratura osteoporótica.

A pegadinha da questão está na afirmativa IV, que inverte a sequência de comprometimento ósseo. O candidato que memorizou que "a perda óssea começa no osso trabecular" acerta; o que confunde os tipos de osso ou a ordem cronológica erra. Além disso, a afirmativa I contém um erro factual (pico aos 40 anos, quando na verdade é entre a puberdade e os 20 anos), mas a banca a considerou correta, o que indica que a leitura aceita é a de que o declínio começa aos 40 anos, e não que o pico ocorre nessa idade. Essa é uma ambiguidade que deve ser anotada.

Perda óssea no envelhecimento
  • 1Pico de massa óssea
    • Puberdade aos 20 anos
    • Manutenção até ~40 anos
    • Declínio gradual após 40
  • 2Fatores da perda
    • Intrínsecos
      • Envelhecimento celular
      • Genética
      • Hormônios
    • Extrínsecos
      • Dieta pobre em cálcio
      • Sedentarismo
      • Tabagismo
  • 3Ordem do comprometimento
    • 1º osso trabecular (esponjoso)
      • Vértebras, epífises, quadril
    • 2º osso cortical (compacto)
      • Diáfise, camada externa
  • 4Fatores que aceleram a perda
    • Baixa vitamina D
    • Baixo estrogênio
    • PTH elevado
LEVEL · soulevel.com.br

Item I — ✅ Correto

A afirmativa I afirma que o pico de massa óssea surge na faixa dos 40 anos e que, a partir dessa idade, inicia-se o declínio. Embora o pico de massa óssea seja atingido entre a puberdade e os 20 anos, a manutenção da DMO ocorre até aproximadamente os 40 anos, quando se inicia a perda gradual. A banca considerou a afirmativa correta, interpretando que o declínio começa aos 40 anos, o que está de acordo com a literatura. O erro factual sobre o pico aos 40 anos não foi considerado pela banca, o que torna a afirmativa aceita como correta.

Item II — ✅ Correto

A afirmativa II afirma que a redução da DMO acomete homens e mulheres, resultando de fatores intrínsecos (envelhecimento celular) e extrínsecos (fatores hormonais). A banca considerou correta, embora a classificação de fatores hormonais como extrínsecos seja conceitualmente discutível. Na prática, a perda óssea é multifatorial, envolvendo tanto fatores genéticos e celulares (intrínsecos) quanto ambientais e comportamentais (extrínsecos). A menopausa, por exemplo, é um evento fisiológico, mas pode ser influenciada por fatores externos. A leitura aceita é a de que fatores hormonais podem ser modulados por fatores externos, o que justifica a classificação.

Item III — ✅ Correto

A afirmativa III está correta. Baixas concentrações de vitamina D e estrogênio, e níveis elevados de paratormônio, são fatores que contribuem negativamente para o metabolismo ósseo, acelerando a perda óssea. A vitamina D é essencial para a absorção de cálcio; sua deficiência leva a um balanço de cálcio negativo, estimulando o PTH, que aumenta a reabsorção óssea. O estrogênio inibe os osteoclastos; sua queda na menopausa acelera a reabsorção. O PTH elevado aumenta a atividade osteoclástica. Esses mecanismos são bem estabelecidos na fisiopatologia da osteoporose.

Item IV — ❌ Incorreto

A afirmativa IV está incorreta porque inverte a sequência de comprometimento ósseo. A perda de massa óssea relacionada à idade afeta primeiro o osso trabecular (esponjoso), que é metabolicamente mais ativo e mais sensível às alterações hormonais e metabólicas, e só depois o osso cortical (compacto). O osso trabecular é encontrado nas vértebras, epífises e ossos do quadril, locais de maior risco de fratura osteoporótica. O osso cortical, mais denso, é afetado mais tardiamente. A afirmativa afirma o contrário, caracterizando a pegadinha da questão.

Conclusão: Corretos: I, II e III → portanto a alternativa é a letra D.

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/qq832954