Questão de Medicina — Geriatria — Avança SP 2023
- Código
- qq832957
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- Prefeitura de Americana - SP
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Geriatra
- AF, F, V, V.
- BF, V, V, F.
- CV, F, V, V.
- DV, V, F, V.
- EV, F, F, V.
GabaritoB — F, V, V, F.
Gabarito: letra B — sequência F, V, V, F. A afirmativa I é falsa porque o envelhecimento reduz a pressão uretral máxima (não a aumenta), especialmente em mulheres; a II é verdadeira, pois há maior deposição de colágeno no detrusor, associada à hiperatividade vesical; a III é verdadeira, já que redução do controle neuromuscular, alterações no assoalho pélvico e redução de reflexos são esperadas; e a IV é falsa porque a incontinência urinária não é consequência inevitável do envelhecimento fisiológico, mas sim de condições patológicas (senilidade), não da senescência normal.
O envelhecimento do trato urinário inferior envolve alterações estruturais e funcionais que predispõem a sintomas, mas não os determinam obrigatoriamente. Na mulher, a deficiência estrogênica pós-menopausa contribui para atrofia urogenital, redução da pressão de fechamento uretral e maior risco de incontinência de esforço. No homem, a hiperplasia prostática benigna é a principal causa de sintomas do trato urinário inferior. Em ambos os sexos, o envelhecimento do detrusor cursa com aumento da deposição de colágeno entre as fibras musculares lisas, o que reduz a complacência vesical e favorece contrações involuntárias — a chamada hiperatividade do detrusor, mecanismo central da incontinência de urgência.
O controle da continência depende de um arco reflexo integrado: o esfíncter uretral interno (liso, involuntário), o esfíncter externo (estriado, voluntário), o assoalho pélvico e a integridade neuromuscular. Com o envelhecimento, há redução do controle neuromuscular, enfraquecimento do assoalho pélvico e diminuição dos reflexos, o que compromete a capacidade de resposta a aumentos súbitos de pressão abdominal (como tosse ou espirro) e favorece a perda urinária. Essas alterações são esperadas no processo de senescência, mas não significam que a incontinência seja inevitável — ela é uma síndrome geriátrica que resulta da interação entre fatores fisiológicos e patológicos.
A distinção entre senescência (alterações fisiológicas do envelhecimento) e senilidade (alterações patológicas) é crucial. A incontinência urinária, embora comum em idosos, não é uma consequência normal do envelhecimento; é uma condição patológica que pode ser tratada e, em muitos casos, revertida. Por isso, a afirmativa IV, ao afirmar que o envelhecimento fisiológico "causa" incontinências, está incorreta — ela confunde o processo natural com a doença.
A banca explora exatamente essa confusão entre o que é esperado no envelhecimento normal e o que é patológico. A pegadinha está em tratar a incontinência como consequência inevitável da senescência, quando na verdade é uma síndrome geriátrica que exige investigação e tratamento específicos.
A afirmativa diz que o envelhecimento aumenta a pressão uretral máxima, especialmente em mulheres. Isso está invertido: o envelhecimento reduz a pressão uretral máxima, principalmente devido à atrofia urogenital por deficiência estrogênica na pós-menopausa e à diminuição da vascularização e do tônus muscular do esfíncter uretral. A redução da pressão de fechamento uretral é um dos principais fatores que predispõem à incontinência urinária de esforço na mulher idosa.
A afirmativa está correta. O envelhecimento do músculo detrusor é caracterizado por maior deposição de fibras de colágeno entre as células musculares lisas, o que reduz a complacência vesical e favorece contrações involuntárias do detrusor — a chamada hiperatividade vesical. Essa hiperatividade é o mecanismo central da incontinência urinária de urgência, comum em idosos.
A afirmativa está correta. Redução do controle neuromuscular, alterações no assoalho pélvico e redução de reflexos são condições esperadas no envelhecimento geniturinário. O enfraquecimento do assoalho pélvico, a diminuição da condução nervosa e a perda de reflexos de continência comprometem a capacidade de manter a urina, especialmente em situações de aumento da pressão abdominal.
A afirmativa está incorreta ao afirmar que o envelhecimento fisiológico causa incontinências urinárias. A incontinência urinária não é uma consequência inevitável do envelhecimento normal (senescência), mas sim uma condição patológica (senilidade) que resulta de doenças, disfunções ou fatores de risco. Embora as alterações anatômicas e funcionais do envelhecimento predisponham à incontinência, ela não é um desfecho obrigatório — é uma síndrome geriátrica que pode ser prevenida, investigada e tratada.
Conclusão: Corretas apenas as afirmativas II e III → sequência F, V, V, F → letra B.
Gabarito: letra B
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