Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — Avança SP 2023
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qq832999
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Americana - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico Infectologista
Sobre a Doença do Sono, não é correto afirmar:
AO parasita que causa a doença do sono é transmitido para humanos por moscas tsé-tsé infectadas, que procriam em regiões quentes e úmidas.
BA transmissão do parasita através do contato sexual já foi documentada.
CDe acordo com a OMS, mais de 95% dos casos reportados são causados pelo parasita trypanosoma brucei gambiense, encontrado nas regiões oeste e central da África.
DA infecção ataca o sistema nervoso central, causando distúrbios neurológicos graves.
ENão é possível a transmissão mecânica através de outros insetos sugadores de sangue.
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GabaritoE — Não é possível a transmissão mecânica através de outros insetos sugadores de sangue.
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Doença do Sono (Tripanossomíase Africana Humana)
Gabarito: letra E. A alternativa E afirma que "não é possível a transmissão mecânica através de outros insetos sugadores de sangue", o que é INCORRETO — a transmissão mecânica por outros insetos hematófagos (como tabanídeos e moscas dos estábulos) é possível, embora seja um mecanismo secundário. As demais alternativas (A, B, C e D) estão corretas: a transmissão principal é pela picada da mosca tsé-tsé (Glossina spp.), a transmissão sexual já foi documentada, mais de 95% dos casos são causados pelo Trypanosoma brucei gambiense, e a infecção ataca o sistema nervoso central na fase tardia.
A Doença do Sono, ou tripanossomíase africana humana, é uma parasitose causada por protozoários do gênero Trypanosoma, especificamente pelas subespécies Trypanosoma brucei gambiense (responsável pela forma crônica, predominante na África Ocidental e Central) e Trypanosoma brucei rhodesiense (responsável pela forma aguda, na África Oriental). O vetor biológico é a mosca tsé-tsé do gênero Glossina, que se infecta ao picar humanos ou animais reservatórios e transmite o parasita em picadas subsequentes. A doença tem duas fases: a hemolinfática (inicial), com febre, linfadenopatia e hepatoesplenomegalia, e a menigoencefálica (tardia), quando o parasita atravessa a barreira hematoencefálica e causa distúrbios neurológicos graves — daí o nome "doença do sono", pelos distúrbios do ciclo sono-vigília.
A transmissão, embora seja predominantemente vetorial, não se restringe à picada da tsé-tsé. A transmissão mecânica por outros insetos sugadores de sangue (como tabanídeos e Stomoxys) é possível, pois esses insetos podem carregar o parasita em suas peças bucais ao interromper uma refeição sanguínea em um hospedeiro infectado e completá-la em outro. Além disso, há relatos de transmissão congênita (mãe para filho), transfusional, acidental em laboratório e até por contato sexual — esta última já documentada na literatura. A OMS estima que mais de 95% dos casos notificados sejam causados pelo T. b. gambiense, concentrados nas regiões oeste e central da África.
A pegadinha desta questão está em explorar o conhecimento parcial do candidato: muitos sabem que a tsé-tsé é o vetor principal, mas desconhecem a possibilidade de transmissão mecânica por outros insetos. A banca transforma essa lacuna em uma afirmação categórica de impossibilidade, que é falsa. Para acertar, é preciso conhecer não apenas o mecanismo principal, mas também as vias alternativas de transmissão.
Guarde o critério decisivo: a transmissão da doença do sono NÃO é exclusiva da picada da tsé-tsé — existem vias alternativas documentadas, incluindo a mecânica por outros insetos hematófagos. É exatamente essa fronteira que separa a alternativa correta (E) das demais.
Alternativa A — ✅ Correta
A alternativa afirma que o parasita é transmitido por moscas tsé-tsé infectadas, que procriam em regiões quentes e úmidas. Isso está correto: a Glossina é o vetor biológico, e seu habitat preferencial são as regiões tropicais úmidas da África subsaariana, onde há vegetação densa e proximidade com cursos d'água. A transmissão ocorre quando a mosca infectada pica o humano e inocula as formas metacíclicas do Trypanosoma.
Alternativa B — ✅ Correta
A transmissão do parasita através do contato sexual já foi documentada. Embora seja uma via rara, há relatos na literatura médica de transmissão sexual do Trypanosoma brucei, possivelmente pela presença do parasita em secreções genitais. A banca explora aqui o conhecimento de que a transmissão não é exclusivamente vetorial.
Alternativa C — ✅ Correta
De acordo com a OMS, mais de 95% dos casos reportados são causados pelo Trypanosoma brucei gambiense, encontrado nas regiões oeste e central da África. Isso é fato: o T. b. gambiense é responsável pela forma crônica e pela grande maioria dos casos, enquanto o T. b. rhodesiense, na África Oriental, causa a forma aguda e representa menos de 5% dos casos.
Alternativa D — ✅ Correta
A infecção ataca o sistema nervoso central, causando distúrbios neurológicos graves. Na fase tardia (menigoencefálica), o parasita invade o SNC, provocando sintomas como alterações do comportamento, distúrbios do sono (inversão do ciclo sono-vigília), tremores, ataxia e, sem tratamento, evolução para coma e morte. É a característica que dá nome à doença.
Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que "não é possível a transmissão mecânica através de outros insetos sugadores de sangue", o que é FALSO. A transmissão mecânica por outros insetos hematófagos (como tabanídeos e moscas dos estábulos) é possível, embora seja um mecanismo secundário e menos eficiente que a transmissão biológica pela tsé-tsé. Esses insetos podem interromper uma refeição sanguínea em um hospedeiro infectado e, imediatamente, picar outro hospedeiro, transferindo o parasita mecanicamente. Portanto, a impossibilidade categórica afirmada na alternativa é o erro que a torna a resposta pedida.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a lacuna de conhecimento sobre as vias de transmissão. O candidato que sabe que a tsé-tsé é o vetor principal pode assumir, erroneamente, que é o único. Mas a transmissão mecânica por outros insetos é uma realidade documentada — e é exatamente essa inversão ("não é possível" quando "é possível") que derruba a alternativa E. Fique atento a afirmações categóricas de impossibilidade em temas de transmissão de parasitoses.
Gabarito: letra E — a única alternativa incorreta, pois a transmissão mecânica por outros insetos sugadores de sangue é possível.