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Questão de Português — Sintaxe — Avança SP 2023

PortuguêsSintaxe
Código
qq834098
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Conchas - SP
Ano
2023
Nível
Médio
Cargo
Vigia
Os sinais que indicam que seu cachorro pode sofrer de ansiedade

Animais não humanos possuem a capacidade de ter sentimentos e, portanto, podem manifestar comportamento intencional. Temos a tendência de imaginar que a alegria, o medo e a tristeza são emoções exclusivas dos seres humanos. Mas a ciência está descobrindo, pouco a pouco, que esta afirmação é totalmente incorreta. No dia 7 de julho de 2012, um grupo internacional de neurocientistas se reuniu na cidade de Cambridge, no Reino Unido, e elaborou a conhecida Declaração de Cambridge sobre a Consciência. Resumidamente, os especialistas determinaram que a nossa espécie não é a única a possuir as bases neurológicas que geram a consciência. Em outras palavras, os animais não humanos possuem a capacidade de ter sentimentos e, portanto, podem manifestar comportamento intencional. Isso também se aplica à capacidade de vivenciar o sentimento, que é o tema deste artigo: a ansiedade. Tanto em cães quanto nas pessoas, a ansiedade é simplesmente uma forma de reação a certas situações problemáticas. Mas, quando ela supera certa intensidade ou ultrapassa a capacidade de adaptação, a ansiedade passa a ser patológica.

Sinais de alerta

Como podemos identificar se o nosso cachorro se encontra neste estado? Diferentes formas de comportamento indicam sua vontade de fugir da sensação de inquietação, nervosismo, insegurança e mal-estar. A ansiedade surge quando o cão tem a expectativa de que algo de ruim está para acontecer. Esta expectativa aciona o sistema nervoso simpático, responsável pelas reações do organismo diante de situações perigosas ou estressantes, fazendo com que o animal manifeste uma conduta intensa. Quando a ansiedade é patológica, os sintomas que podemos encontrar são: contínuo estado de alerta, hiperatividade, lambedura excessiva, queda de pelo, problemas digestivos, uivos, tremores, gemidos, latidos em excesso, medo exagerado, agressividade e comportamentos destrutivos, que podem aumentar quando os cães ficam sozinhos. As situações capazes de provocar essa ansiedade patológica também são diversas: medo de ficar sozinho, de barulhos como fogos de artifício, de tempestades ou trânsito... qualquer incidente que supere sua capacidade de adaptação ou que seja frequentemente repetido pode desencadear ansiedade. Muitas vezes, estes são problemas gerados pela incompreensão humana das suas necessidades, como espécie e como indivíduo.

Diagnóstico e tratamento

Se prolongada, a ansiedade patológica pode causar doenças ao longo do tempo, como transtornos do sistema gastrointestinal, aumento da incidência de tumores ou alterações do sistema imunológico, sem falar do prejuízo à convivência entre as espécies. Soma-se a isso a nossa tristeza e frustração ao ver um animal de estimação sofrendo, sem saber como ajudá-lo. O primeiro passo para o tratamento da ansiedade, depois de diagnosticada pelo veterinário, é a terapia comportamental, conduzida por um etólogo, ou especialista em comportamento animal. Pode-se recorrer à administração de medicamentos se o caso específico exigir, também sob o controle do veterinário. Esta intervenção pode ser comparada à do psicólogo e do psiquiatra em seres humanos. O psicólogo é especialista em compreender o comportamento, enquanto o psiquiatra se dedica aos transtornos mentais e seu tratamento farmacológico. Embora cada caso tenha suas próprias particularidades, a terapia comportamental deve incluir os seguintes objetivos:

Reduzir os níveis de estresse do cachorro;

Ensiná-lo a administrar situações problemáticas;

Oferecer recursos para que ele se acalme;

Reduzir sua sensibilidade aos sinais precursores da ansiedade. O animal pode interpretar nossas ações de pegar as chaves, vestir o casaco ou calçar os sapatos, por exemplo, como o passo anterior a ficar sozinho. Devemos esclarecer a ele que isso não significa, necessariamente, que vamos partir;

Atribuir ao cão uma função clara dentro da família. Precisamos fazer atividades com ele para que se sinta integrado, como brincar ou sair para passear, de modo que o cachorro e o dono se divirtam;

Fazer com que o cão tenha independência social. Ou seja, não podemos estar o tempo todo com ele, nem resolver todos os seus problemas.

Se o processo de aprendizado for difícil porque os níveis de ansiedade são altos demais ou devido a circunstâncias específicas do animal, é preciso complementar o processo com medicamentos. Pode ser conveniente recorrer aos remédios, por exemplo, quando o cachorro sente ansiedade ao ficar sozinho e, como seus responsáveis trabalham, ele precisa ficar pelo menos oito horas sem companhia. O cão não pode ficar em um estado contínuo de angústia. É preciso também entender que, da mesma forma que na nossa espécie, há circunstâncias que geram estresse prolongado — que levam ao "estado de ansiedade" — e perfis que são mais ansiosos por natureza, o chamado "traço de ansiedade". A busca das causas da angústia patológica e seu controle não deve se restringir ao controle das consequências com o uso de medicamentos, mas também melhorar a atenção que oferecemos a eles como seres sensíveis, sociais e que precisam de atividades adequadas para cada indivíduo.
 G1

Considere o excerto “Embora cada caso tenha suas próprias particularidades, a terapia comportamental deve incluir os seguintes objetivos”. A oração adverbial que inicia o período exprime um sentido:
  1. Acondicional.
  2. Bcomparativo.
  3. Ctemporal.
  4. Dconcessivo.
  5. Econformativo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — concessivo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor Semântico da Conjunção "Embora"

Gabarito: letra D. A oração adverbial iniciada por "Embora" exprime sentido concessivo, pois introduz uma ideia de oposição/ressalva em relação à oração principal: admite-se uma objeção ("cada caso tem suas particularidades") sem que ela impeça a realização do que se afirma ("a terapia comportamental deve incluir os objetivos"). A pista decisiva é o próprio conectivo: "embora" é uma conjunção concessiva típica, ao lado de "ainda que", "mesmo que", "conquanto", "se bem que".

"Embora cada caso tenha suas próprias particularidades, a terapia comportamental deve incluir os seguintes objetivos"

A relação é de concessão: a informação da oração subordinada é uma ressalva que, em tese, poderia contrariar a principal, mas não a invalida. É o mesmo valor de "apesar de": apesar de cada caso ter particularidades, a terapia deve incluir os objetivos.

O que a questão pede

O comando é direto: identificar o sentido da oração adverbial que inicia o período. Isso é uma questão de sintaxe (classificação da oração subordinada adverbial) e de semântica (valor do conectivo). Não se trata de interpretar o texto, mas de reconhecer a relação lógica que a conjunção estabelece entre as orações.

A técnica: decore os conectivos típicos de cada valor

Cada oração subordinada adverbial é introduzida por uma conjunção ou locução que sinaliza o valor. Os principais:

Valor

Conectivos típicos

Exemplo

Concessivo

embora, ainda que, mesmo que, conquanto, se bem que, apesar de

Embora chova, sairei.

Condicional

se, caso, contanto que, desde que, a menos que

Se chover, não saio.

Comparativo

como, tal qual, assim como, mais... que, menos... que

Ele estuda como o irmão.

Temporal

quando, enquanto, logo que, assim que, depois que

Quando cheguei, ele saiu.

Conformativo

conforme, segundo, consoante

Fiz conforme o combinado.

A pegadinha da banca é oferecer valores que não correspondem ao conectivo "embora". Quem não domina a lista de conectivos pode confundir "embora" com "se" (condicional) ou com "quando" (temporal), mas a conjunção é a chave: "embora" é exclusivamente concessiva.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Condicional expressa condição ("se", "caso"). No trecho, não há nenhuma hipótese ou condição para a terapia incluir os objetivos; há uma ressalva. A banca tenta confundir com a ideia de "se cada caso tem particularidades", mas o conectivo não é "se".

Alternativa B — ❌ Incorreta

Comparativo expressa comparação ("como", "tal qual"). Não há comparação entre dois elementos no período. A oração "Embora cada caso tenha suas próprias particularidades" não compara nada; apenas opõe uma ideia à outra.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Temporal expressa tempo ("quando", "enquanto"). Não há noção de tempo no trecho. A oração não indica quando a terapia deve incluir os objetivos; indica uma circunstância de oposição.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Concessivo é exatamente o valor de "embora": admite-se uma objeção (cada caso tem particularidades) sem que ela impeça a afirmação principal (a terapia deve incluir os objetivos). É a relação de concessão: a ideia da subordinada poderia contrariar a principal, mas não a invalida. O conectivo "embora" é o marcador clássico desse valor.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Conformativo expressa conformidade ("conforme", "segundo"). Não há ideia de acordo ou conformidade com algo. A oração não diz que a terapia deve incluir os objetivos conforme cada caso; diz que, apesar de cada caso ter particularidades, os objetivos devem ser incluídos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta em quem decora os valores sem fixar os conectivos. "Embora" é a palavra-chave: se você a reconhece como concessiva, elimina as demais na hora.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver "embora", "ainda que", "mesmo que", "conquanto", marque concessão sem hesitar. São conectivos exclusivos desse valor — não há ambiguidade.

Conclusão: a oração "Embora cada caso tenha suas próprias particularidades" é uma subordinada adverbial concessiva, pois expressa ressalva/oposição à oração principal. Portanto, o gabarito é a letra D.

Gabarito: letra D

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