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Questão de Medicina — Geriatria — Avança SP 2023

MedicinaGeriatria
Código
qq834999
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Louveira - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico e Geriatra
Sobre a avaliação cognitiva na pessoa idosa, não é correto afirmar:
  1. AO desempenho físico e social do idoso depende da integridade de suas funções cognitivas.
  2. BA perda de memória recente e a habilidade de cálculo são indicadores sensíveis de redução dessas funções.
  3. CA avaliação da perda de memória tardia é considerada como mais adequada, dado que a escolaridade pode influenciar na avaliação da habilidade de cálculo.
  4. DSugere-se para uma primeira avaliação a realização do teste rápido, que consiste em solicitar à pessoa idosa que repita o nome dos objetos: Mesa, Maçã e Dinheiro. Após 3 minutos, pedir que os fale novamente. Se for incapaz de repeti-los, há necessidade de uma investigação mais aprofundada.
  5. EA avaliação cognitiva deve fazer parte da avaliação clínica, pois, auxilia na identificação das principais alterações na saúde mental das pessoas idosas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — A avaliação da perda de memória tardia é considerada como mais adequada, dado que a escolaridade pode influenciar na avaliação da habilidade de cálculo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Avaliação cognitiva na pessoa idosa

Gabarito: letra C. A alternativa C está incorreta porque inverte o conceito: a avaliação da memória recente (e não da tardia) é considerada mais adequada e sensível para rastreio cognitivo, enquanto a memória tardia (remota) costuma estar preservada nas fases iniciais dos quadros demenciais. A justificativa apresentada sobre a escolaridade influenciar a habilidade de cálculo é verdadeira, mas não torna a memória tardia um melhor indicador — pelo contrário, a memória recente é o domínio mais precocemente comprometido.

A avaliação cognitiva na pessoa idosa é um pilar da avaliação geriátrica ampla (AGA), pois permite distinguir o envelhecimento cognitivo normal dos quadros patológicos, como as síndromes demenciais. O objetivo central é identificar precocemente declínios que interfiram na capacidade funcional — condição essencial para o diagnóstico de demência. A queixa de memória, muitas vezes trazida por familiares, deve ser valorizada e investigada com instrumentos de rastreio validados, como o Miniexame do Estado Mental (MEEM), que avalia orientação, registro, atenção e cálculo, recordação e linguagem.

A memória pode ser classificada quanto ao tempo de retenção: memória imediata (segundos), recente (minutos a horas, dependente do hipocampo) e tardia ou remota (fatos antigos, consolidados em redes neocorticais). Nos quadros demenciais típicos, como a doença de Alzheimer, o padrão clássico é o comprometimento precoce da memória recente, com relativa preservação da memória remota até fases mais avançadas. Por isso, a avaliação da memória recente é mais sensível para detectar declínio cognitivo incipiente. Já a habilidade de cálculo, embora também seja um indicador sensível, é fortemente influenciada pela escolaridade e pelo nível educacional prévio, o que pode gerar falsos positivos em idosos com baixa escolaridade.

Na prática clínica, o rastreio inicial pode ser feito com testes rápidos, como o teste das três palavras (ex.: mesa, maçã e dinheiro), solicitando a repetição imediata e após alguns minutos. A incapacidade de recordar as palavras após o intervalo sugere comprometimento de memória recente e indica necessidade de investigação aprofundada. A avaliação cognitiva deve ser parte integrante da avaliação clínica do idoso, pois auxilia na identificação de alterações de saúde mental, como demências, delirium e depressão.

A pegadinha desta questão está na inversão do conceito de memória: a banca troca a memória recente (correta) pela memória tardia (incorreta), explorando a confusão comum entre os tipos de memória. O candidato que não domina a diferença entre memória recente e tardia, e sua relevância no rastreio cognitivo, tende a marcar a alternativa C como correta. Guarde a fronteira: memória recente = sensível para declínio cognitivo precoce; memória tardia = preservada nas fases iniciais — é exatamente nesse contraste que a alternativa C se separa das demais.

Memória (classificação temporal)
  • 1Imediata (segundos)
    • Menos específica no rastreio
  • 2Recente (minutos a horas)
    • Comprometida precocemente nas demências
    • Alta sensibilidade no rastreio
  • 3Tardia/Remota (fatos antigos)
    • Preservada nas fases iniciais
    • Baixa relevância no rastreio
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Alternativa A — ✅ Correta

A afirmativa está correta. O desempenho físico e social do idoso depende diretamente da integridade das funções cognitivas. O comprometimento cognitivo interfere na capacidade de realizar atividades da vida diária (AVDs), como gerenciar finanças, preparar alimentos e manter relações sociais. O prejuízo nas AVDs é, inclusive, condição essencial para o diagnóstico de demência, conforme destacado na avaliação geriátrica.

Alternativa B — ✅ Correta

A afirmativa está correta. A perda de memória recente e a habilidade de cálculo são indicadores sensíveis de redução das funções cognitivas. O MEEM, por exemplo, avalia a memória recente (recordação de palavras após intervalo) e a atenção/cálculo (seriado de 7 ou soletração reversa). Esses domínios são precocemente comprometidos em quadros demenciais, tornando-se bons marcadores de declínio.

Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A afirmativa está incorreta. Ela afirma que a avaliação da perda de memória tardia é considerada mais adequada, o que é um erro conceitual. A memória tardia (remota) costuma estar preservada nas fases iniciais das demências, enquanto a memória recente é o domínio mais precocemente comprometido e, portanto, mais sensível para o rastreio. A justificativa sobre a escolaridade influenciar a habilidade de cálculo é verdadeira, mas não sustenta a escolha da memória tardia como melhor indicador — na verdade, reforça a necessidade de usar instrumentos que minimizem o viés educacional, como testes de memória recente.

Alternativa D — ✅ Correta

A afirmativa está correta. O teste rápido descrito — solicitar que o idoso repita três palavras (mesa, maçã e dinheiro) e, após 3 minutos, pedir que as recorde — é um método de rastreio de memória recente amplamente utilizado. A incapacidade de recordar as palavras após o intervalo sugere comprometimento de memória recente e indica a necessidade de investigação mais aprofundada, conforme preconizado na avaliação geriátrica.

Alternativa E — ✅ Correta

A afirmativa está correta. A avaliação cognitiva deve fazer parte da avaliação clínica do idoso, pois auxilia na identificação de alterações de saúde mental, como demências, delirium e depressão. A detecção precoce de declínio cognitivo permite intervenções mais efetivas e melhor planejamento do cuidado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte o tipo de memória: troca a memória recente (correta, precocemente comprometida nas demências) pela memória tardia (incorreta, preservada nas fases iniciais). O candidato que confunde os conceitos cai na armadilha. Lembre-se: na avaliação cognitiva, o que importa é a memória recente — a tardia só se compromete em fases avançadas. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪

NÃO CAIA NESSA!

Para fixar, compare os tipos de memória:

Tipo de memória

Característica

Relevância no rastreio

Imediata

Segundos

Menos específica

Recente

Minutos a horas

Alta — comprometida precocemente

Tardia/Remota

Fatos antigos

Baixa — preservada nas fases iniciais

Na prova, desconfie de alternativas que valorizem a memória tardia como indicador precoce — é pegadinha clássica.

Gabarito: letra C — a única afirmativa incorreta, pois inverte o conceito de memória recente por tardia.

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