Sobre a avaliação cognitiva na pessoa idosa, não é correto afirmar:
AO desempenho físico e social do idoso depende da integridade de suas funções cognitivas.
BA perda de memória recente e a habilidade de cálculo são indicadores sensíveis de redução dessas funções.
CA avaliação da perda de memória tardia é considerada como mais adequada, dado que a escolaridade pode influenciar na avaliação da habilidade de cálculo.
DSugere-se para uma primeira avaliação a realização do teste rápido, que consiste em solicitar à pessoa idosa que repita o nome dos objetos: Mesa, Maçã e Dinheiro. Após 3 minutos, pedir que os fale novamente. Se for incapaz de repeti-los, há necessidade de uma investigação mais aprofundada.
EA avaliação cognitiva deve fazer parte da avaliação clínica, pois, auxilia na identificação das principais alterações na saúde mental das pessoas idosas.
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GabaritoC — A avaliação da perda de memória tardia é considerada como mais adequada, dado que a escolaridade pode influenciar na avaliação da habilidade de cálculo.
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Avaliação cognitiva na pessoa idosa
Gabarito: letra C. A alternativa C está incorreta porque inverte o conceito: a avaliação da memória recente (e não da tardia) é considerada mais adequada e sensível para rastreio cognitivo, enquanto a memória tardia (remota) costuma estar preservada nas fases iniciais dos quadros demenciais. A justificativa apresentada sobre a escolaridade influenciar a habilidade de cálculo é verdadeira, mas não torna a memória tardia um melhor indicador — pelo contrário, a memória recente é o domínio mais precocemente comprometido.
A avaliação cognitiva na pessoa idosa é um pilar da avaliação geriátrica ampla (AGA), pois permite distinguir o envelhecimento cognitivo normal dos quadros patológicos, como as síndromes demenciais. O objetivo central é identificar precocemente declínios que interfiram na capacidade funcional — condição essencial para o diagnóstico de demência. A queixa de memória, muitas vezes trazida por familiares, deve ser valorizada e investigada com instrumentos de rastreio validados, como o Miniexame do Estado Mental (MEEM), que avalia orientação, registro, atenção e cálculo, recordação e linguagem.
A memória pode ser classificada quanto ao tempo de retenção: memória imediata (segundos), recente (minutos a horas, dependente do hipocampo) e tardia ou remota (fatos antigos, consolidados em redes neocorticais). Nos quadros demenciais típicos, como a doença de Alzheimer, o padrão clássico é o comprometimento precoce da memória recente, com relativa preservação da memória remota até fases mais avançadas. Por isso, a avaliação da memória recente é mais sensível para detectar declínio cognitivo incipiente. Já a habilidade de cálculo, embora também seja um indicador sensível, é fortemente influenciada pela escolaridade e pelo nível educacional prévio, o que pode gerar falsos positivos em idosos com baixa escolaridade.
Na prática clínica, o rastreio inicial pode ser feito com testes rápidos, como o teste das três palavras (ex.: mesa, maçã e dinheiro), solicitando a repetição imediata e após alguns minutos. A incapacidade de recordar as palavras após o intervalo sugere comprometimento de memória recente e indica necessidade de investigação aprofundada. A avaliação cognitiva deve ser parte integrante da avaliação clínica do idoso, pois auxilia na identificação de alterações de saúde mental, como demências, delirium e depressão.
A pegadinha desta questão está na inversão do conceito de memória: a banca troca a memória recente (correta) pela memória tardia (incorreta), explorando a confusão comum entre os tipos de memória. O candidato que não domina a diferença entre memória recente e tardia, e sua relevância no rastreio cognitivo, tende a marcar a alternativa C como correta. Guarde a fronteira: memória recente = sensível para declínio cognitivo precoce; memória tardia = preservada nas fases iniciais — é exatamente nesse contraste que a alternativa C se separa das demais.
Memória (classificação temporal)
1Imediata (segundos)
Menos específica no rastreio
2Recente (minutos a horas)
Comprometida precocemente nas demências
Alta sensibilidade no rastreio
3Tardia/Remota (fatos antigos)
Preservada nas fases iniciais
Baixa relevância no rastreio
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Alternativa A — ✅ Correta
A afirmativa está correta. O desempenho físico e social do idoso depende diretamente da integridade das funções cognitivas. O comprometimento cognitivo interfere na capacidade de realizar atividades da vida diária (AVDs), como gerenciar finanças, preparar alimentos e manter relações sociais. O prejuízo nas AVDs é, inclusive, condição essencial para o diagnóstico de demência, conforme destacado na avaliação geriátrica.
Alternativa B — ✅ Correta
A afirmativa está correta. A perda de memória recente e a habilidade de cálculo são indicadores sensíveis de redução das funções cognitivas. O MEEM, por exemplo, avalia a memória recente (recordação de palavras após intervalo) e a atenção/cálculo (seriado de 7 ou soletração reversa). Esses domínios são precocemente comprometidos em quadros demenciais, tornando-se bons marcadores de declínio.
Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A afirmativa está incorreta. Ela afirma que a avaliação da perda de memória tardia é considerada mais adequada, o que é um erro conceitual. A memória tardia (remota) costuma estar preservada nas fases iniciais das demências, enquanto a memória recente é o domínio mais precocemente comprometido e, portanto, mais sensível para o rastreio. A justificativa sobre a escolaridade influenciar a habilidade de cálculo é verdadeira, mas não sustenta a escolha da memória tardia como melhor indicador — na verdade, reforça a necessidade de usar instrumentos que minimizem o viés educacional, como testes de memória recente.
Alternativa D — ✅ Correta
A afirmativa está correta. O teste rápido descrito — solicitar que o idoso repita três palavras (mesa, maçã e dinheiro) e, após 3 minutos, pedir que as recorde — é um método de rastreio de memória recente amplamente utilizado. A incapacidade de recordar as palavras após o intervalo sugere comprometimento de memória recente e indica a necessidade de investigação mais aprofundada, conforme preconizado na avaliação geriátrica.
Alternativa E — ✅ Correta
A afirmativa está correta. A avaliação cognitiva deve fazer parte da avaliação clínica do idoso, pois auxilia na identificação de alterações de saúde mental, como demências, delirium e depressão. A detecção precoce de declínio cognitivo permite intervenções mais efetivas e melhor planejamento do cuidado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte o tipo de memória: troca a memória recente (correta, precocemente comprometida nas demências) pela memória tardia (incorreta, preservada nas fases iniciais). O candidato que confunde os conceitos cai na armadilha. Lembre-se: na avaliação cognitiva, o que importa é a memória recente — a tardia só se compromete em fases avançadas. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪
NÃO CAIA NESSA!
Para fixar, compare os tipos de memória:
Tipo de memória
Característica
Relevância no rastreio
Imediata
Segundos
Menos específica
Recente
Minutos a horas
Alta — comprometida precocemente
Tardia/Remota
Fatos antigos
Baixa — preservada nas fases iniciais
Na prova, desconfie de alternativas que valorizem a memória tardia como indicador precoce — é pegadinha clássica.
Gabarito: letra C — a única afirmativa incorreta, pois inverte o conceito de memória recente por tardia.