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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Avança SP 2023

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qq835362
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Rio Claro - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico Ambulatorial
De acordo com o Ministério da Saúde, o ECG normal não exclui a presença de obstrução coronariana. Entretanto, algumas alterações indicam ou sugerem a presença de doença isquêmica. Observe a imagem e descrição da mesma, indicando o tipo de alteração:


Q48.png (185×158)


Infradesnivelamento do ponto J e do segmento ST, com concavidade superior desse segmento nas derivações correspondentes à área isquêmica.

Fonte:
https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/infarto-agudo-do-miocardio/interpretacao-doeletrocardiograma/#pills-alteracoes-isquemicas
  1. AÁreas inativas.
  2. BAlterações sugestivas de isquemia subepicárdica.
  3. CAlterações sugestivas de isquemia subendocárdica.
  4. DAlterações da repolarização ventricular sugestivas de corrente de lesão subepicárdica.
  5. EAlterações sugestivas de corrente de lesão subendocárdica.
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GabaritoE — Alterações sugestivas de corrente de lesão subendocárdica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Eletrocardiograma na doença isquêmica: isquemia, lesão e necrose

Gabarito: letra E. O infradesnivelamento do ponto J e do segmento ST, com concavidade superior, é o padrão clássico de corrente de lesão subendocárdica — a isquemia que atinge preferencialmente a camada mais interna do miocárdio, que é a mais vulnerável à hipóxia por estar mais distante da circulação coronariana epicárdica. A alternativa correta é a E, pois descreve exatamente essa alteração.

Para entender por que essa é a resposta, é preciso dominar a sequência fisiopatológica da isquemia miocárdica e como ela se reflete no ECG. A doença arterial coronariana (DAC) reduz o fluxo sanguíneo para o miocárdio, e a primeira região a sofrer é o subendocárdio — a camada mais interna da parede ventricular, que fica mais distante dos vasos epicárdicos e, portanto, mais vulnerável à hipóxia. Quando a isquemia atinge essa camada, o ECG mostra infradesnivelamento do segmento ST, que é o sinal de "corrente de lesão subendocárdica".

A progressão da isquemia segue uma ordem: primeiro, a isquemia subendocárdica causa infra de ST; se a isquemia se torna mais grave e atinge toda a espessura da parede (transmural), ocorre supra de ST, que é a corrente de lesão subepicárdica. A isquemia subepicárdica, por sua vez, manifesta-se como inversão da onda T. A necrose (morte celular) aparece como onda Q patológica ou área inativa.

A pegadinha da banca está em inverter os conceitos: a alternativa D fala em "corrente de lesão subepicárdica", mas o infra de ST é característico da lesão subendocárdica. O supra de ST é que indica lesão subepicárdica. A alternativa B também erra ao falar em "isquemia subepicárdica" — a isquemia subepicárdica se manifesta com inversão de onda T, não com infra de ST. A alternativa C fala em "isquemia subendocárdica", mas o infra de ST já representa lesão, não apenas isquemia. A alternativa A (áreas inativas) refere-se a infartos antigos, com onda Q, não a alterações agudas de ST.

A distinção entre isquemia, lesão e necrose é fundamental para interpretar o ECG na síndrome coronariana aguda (SCA). A isquemia é a redução do fluxo sanguíneo sem morte celular; a lesão é a agressão celular mais grave, que ainda pode ser reversível; e a necrose é a morte celular irreversível. Cada uma tem um padrão eletrocardiográfico próprio, e a banca explora exatamente essa confusão.

Alterações no ECG (isquemia miocárdica)
  • 1Isquemia
    • Subendocárdica → inversão de onda T
    • Subepicárdica → inversão de onda T
  • 2Lesão
    • Subendocárdica → infra de ST
    • Subepicárdica → supra de ST
  • 3Necrose
    • Onda Q patológica / área inativa
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Áreas inativas referem-se a infartos antigos, com onda Q patológica ou complexo QS, não a alterações agudas do segmento ST. O infra de ST com concavidade superior é um sinal de isquemia/lesão aguda, não de necrose estabelecida.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A isquemia subepicárdica manifesta-se como inversão da onda T, não como infradesnivelamento do ST. O infra de ST é característico da isquemia/lesão subendocárdica, que atinge a camada mais interna do miocárdio.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Embora o infra de ST esteja associado ao subendocárdio, a descrição do enunciado fala em "corrente de lesão", não apenas em "isquemia". A isquemia subendocárdica pode causar alterações discretas de ST, mas o padrão descrito (infra de ST com concavidade superior) é o da corrente de lesão subendocárdica, que é um estágio mais avançado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A corrente de lesão subepicárdica manifesta-se como supradesnivelamento do segmento ST, não como infradesnivelamento. A alternativa inverte o conceito: o infra de ST é lesão subendocárdica, e o supra de ST é lesão subepicárdica.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O infradesnivelamento do ponto J e do segmento ST, com concavidade superior, é o padrão clássico de corrente de lesão subendocárdica. A isquemia atinge primeiro o subendocárdio, e o ECG reflete essa agressão com infra de ST nas derivações correspondentes à área isquêmica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter os conceitos de lesão subendocárdica e subepicárdica. Lembre-se: infra de ST = lesão subendocárdica; supra de ST = lesão subepicárdica. A isquemia subepicárdica causa inversão de onda T, e a necrose causa onda Q. Com esse mapa mental, você não cai nessa troca.

Gabarito: letra E

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