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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Avança SP 2023

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qq838006
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Ubatuba - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico Endocrinologista
Compostos lipídicos, similares a hormônios, que não entram na corrente sanguínea. Quando administrados por via intra-amniótica, vaginal ou intravenosa, constituem em um abortivo eficaz a partir da 14ª semana de gestação. Trata-se da:
  1. AProgesterona.
  2. BOcitocina.
  3. CProstaglandina.
  4. DEstriol.
  5. ERelaxina.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Prostaglandina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Prostaglandinas: abortivos e suas vias de administração

Gabarito: letra C (Prostaglandina). O enunciado descreve compostos lipídicos, similares a hormônios, que não entram na corrente sanguínea e que, administrados por via intra-amniótica, vaginal ou intravenosa, atuam como abortivos eficazes a partir da 14ª semana de gestação — exatamente as características das prostaglandinas, que são eicosanoides derivados do ácido araquidônico e exercem potente efeito sobre a contratilidade uterina. As demais alternativas (progesterona, ocitocina, estriol e relaxina) não se encaixam nessa descrição, seja por serem hormônios esteroides ou peptídicos, seja por não apresentarem esse perfil de uso abortivo.

As prostaglandinas são lipídios bioativos sintetizados a partir do ácido araquidônico pela ação da enzima ciclo-oxigenase (COX). Diferentemente dos hormônios clássicos, que são produzidos em glândulas e transportados pela corrente sanguínea até seus órgãos-alvo, as prostaglandinas atuam predominantemente de forma local, no tecido onde são produzidas, sendo rapidamente metabolizadas e inativadas — por isso "não entram na corrente sanguínea" de forma significativa. Essa característica é central para entender o uso clínico: quando se deseja um efeito sistêmico, como a indução do abortamento, é necessário administrá-las por vias que contornem essa rápida inativação, como a intra-amniótica, a vaginal ou a intravenosa.

Na prática obstétrica, as prostaglandinas (especialmente a PGE1, na forma de misoprostol, e a PGE2, na forma de dinoprostona) são amplamente utilizadas para amadurecimento cervical e indução do parto, bem como para abortamento medicamentoso. O misoprostol, por exemplo, é usado em esquemas que variam conforme a idade gestacional: até 12 semanas, doses de 400 a 800 µg por via vaginal, sublingual ou bucal; a partir de 12 semanas, doses de 400 µg repetidas a cada 3 horas. A eficácia abortiva a partir da 14ª semana se deve à capacidade das prostaglandinas de promover contrações uterinas intensas e de amolecer e dilatar o colo uterino, mesmo em idades gestacionais mais avançadas, quando a resposta à ocitocina pode ser menos previsível.

A distinção crucial que a questão explora é entre as prostaglandinas e os outros hormônios listados. A progesterona é um hormônio esteroide que mantém a gestação, tendo efeito contrário ao abortivo. A ocitocina é um hormônio peptídico produzido pela neuro-hipófise, que também estimula contrações uterinas, mas é inativada rapidamente e não é eficaz como abortivo isolado em idades gestacionais avançadas, além de ser administrada por via intravenosa. O estriol é um estrogênio fraco, sem papel relevante na contratilidade uterina. A relaxina, como o nome sugere, tem efeito relaxante sobre o útero, sendo importante na preparação para o parto, mas não é abortiva.

A pegadinha da banca está em associar o termo "hormônios" a todas as alternativas, levando o candidato a pensar em substâncias que circulam no sangue. As prostaglandinas, embora sejam "similares a hormônios", são autacoides — mediadores locais — e essa é a chave para identificá-las. Além disso, a menção às vias de administração (intra-amniótica, vaginal, intravenosa) é um forte indicativo, pois são exatamente as vias utilizadas para prostaglandinas em procedimentos de abortamento.

Guarde a fronteira entre hormônios clássicos (que circulam no sangue) e autacoides como as prostaglandinas (que atuam localmente): é nela que as alternativas se dividem.

1Natureza
Lipídios (ácido araquidônico)
Autacoides (ação local)
Não entram na corrente sanguínea
2Uso abortivo
Eficaz a partir da 14ª semana
Vias: intra-amniótica, vaginal, intravenosa
3Efeitos
Contrações uterinas
Amadurecimento cervical
Prostaglandinas
LEVELsoulevel.com.br
Prostaglandinas: Natureza (Lipídios (ácido araquidônico), Autacoides (ação local), Não entram na corrente sanguínea); Uso abortivo (Eficaz a partir da 14ª semana, Vias: intra-amniótica, vaginal, intravenosa); Efeitos (Contrações uterinas, Amadurecimento cervical)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A progesterona é um hormônio esteroide essencial para a manutenção da gestação, pois mantém o endométrio secretor e reduz a contratilidade uterina. Seu uso está associado à prevenção de abortamento, não à indução. A banca a inclui como distrator por ser um hormônio feminino conhecido, mas seu efeito é exatamente o oposto do descrito no enunciado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A ocitocina é um hormônio peptídico produzido pelo hipotálamo e liberado pela neuro-hipófise, que estimula as contrações uterinas. Embora seja utilizada na indução do parto e no abortamento, não é um composto lipídico e não é eficaz como abortivo isolado a partir da 14ª semana, sendo administrada principalmente por via intravenosa. Além disso, ela entra na corrente sanguínea, contrariando a descrição do enunciado.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

As prostaglandinas são compostos lipídicos derivados do ácido araquidônico, similares a hormônios, que atuam localmente e não entram significativamente na corrente sanguínea. Quando administradas por via intra-amniótica, vaginal ou intravenosa, promovem contrações uterinas e amadurecimento cervical, sendo eficazes como abortivos a partir da 14ª semana de gestação. Essa é a descrição exata do enunciado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O estriol é um estrogênio fraco, produzido principalmente pela placenta durante a gestação. Não tem efeito abortivo e não se encaixa na descrição de composto lipídico similar a hormônio que atua localmente. Sua função está relacionada ao desenvolvimento uterino e à preparação para o parto, não à interrupção da gestação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A relaxina é um hormônio peptídico que, como o nome indica, promove relaxamento da musculatura uterina e amolecimento do colo, facilitando o parto. Não é abortiva e não é um lipídio. A banca a inclui como distrator por ser um hormônio relacionado à gestação, mas seu efeito é contrário ao descrito.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre hormônios clássicos (que circulam no sangue) e autacoides como as prostaglandinas (que atuam localmente). O candidato que associa "hormônio" a "circula no sangue" elimina a prostaglandina e acaba escolhendo a ocitocina, que também estimula contrações. Mas a ocitocina é peptídica e entra na corrente sanguínea — o enunciado diz explicitamente que o composto "não entra na corrente sanguínea", o que só se aplica às prostaglandinas. Fique atento a essa característica: ela é a chave para diferenciar.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre hormônios e substâncias similares, monte uma tabela mental com a natureza química (esteroide, peptídico, lipídico), a via de administração e o efeito principal. No caso das prostaglandinas, lembre-se: são lipídios, atuam localmente, e são usadas para induzir contrações uterinas — seja no abortamento, seja na indução do parto. Essa tríade (lipídio + local + contração) resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra C

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