Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — Avança SP 2023
- Código
- qq838051
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- Prefeitura de Ubatuba - SP
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Infectologista
- ASudeste.
- BSul.
- CNordeste.
- DCentro-oeste.
- ENorte.
GabaritoA — Sudeste.
Gabarito: letra A (Sudeste). Segundo o Boletim Epidemiológico de 2015 do Ministério da Saúde, das 92.210 gestantes infectadas com HIV notificadas no Brasil entre 2000 e junho de 2015, a maioria residia na região Sudeste. Essa concentração reflete a distribuição histórica da epidemia de HIV/AIDS no país, que sempre teve o Sudeste como epicentro, embora se observe um processo de interiorização e deslocamento para outras regiões.
A questão cobra um dado epidemiológico específico, mas o raciocínio por trás dela é mais amplo e vale a pena ser compreendido. A epidemia de HIV/AIDS no Brasil, desde sua chegada no início dos anos 1980, concentrou-se inicialmente nos grandes centros urbanos do Sudeste — especialmente São Paulo e Rio de Janeiro —, que eram os polos de maior densidade populacional, de maior fluxo migratório e onde a doença foi primeiro identificada. Essa concentração inicial moldou todo o perfil epidemiológico nacional: as regiões mais populosas e urbanizadas tendem a concentrar o maior número absoluto de casos, mesmo quando as taxas de incidência (casos por 100 mil habitantes) podem ser mais altas em outras regiões.
É importante distinguir dois conceitos que frequentemente se confundem: o número absoluto de casos e a incidência proporcional. A questão pergunta onde reside a maioria das gestantes infectadas — ou seja, o maior contingente absoluto. Nesse critério, o Sudeste lidera, pois concentra cerca de 40% da população brasileira e historicamente a maior parcela dos casos de HIV/AIDS. Já quando se analisa a incidência (casos novos por 100 mil habitantes) ou a tendência de crescimento, outras regiões — como o Sul e o Norte — podem apresentar indicadores mais elevados ou crescimento mais acelerado, o que caracteriza o fenômeno da interiorização e da pauperização da epidemia.
A feminização da epidemia, mencionada no enunciado, é outro fenômeno epidemiológico relevante: a razão de sexo (número de casos em homens para cada caso em mulheres) vem diminuindo ao longo dos anos, aproximando-se da paridade. Isso se deve, entre outros fatores, à maior vulnerabilidade biológica e social das mulheres, à transmissão heterossexual como via predominante e ao diagnóstico tardio. No contexto da gestação, o rastreamento no pré-natal (testagem para HIV) é fundamental para a prevenção da transmissão vertical, e o número de gestantes notificadas reflete tanto a prevalência da infecção quanto a qualidade da assistência pré-natal em cada região.
A pegadinha desta questão é justamente a tentação de escolher uma região com base em estereótipos de "maior incidência" ou "crescimento recente" — como o Sul, que tem altas taxas de detecção — em vez de pensar no número absoluto de casos, que é o que o enunciado pede. O candidato que confunde "maioria dos casos" com "maior taxa de incidência" pode ser levado a errar. A chave é lembrar que, em números absolutos, a região mais populosa e historicamente mais afetada — o Sudeste — sempre lidera as notificações.
Guarde este critério: quando a questão falar em "maioria" ou "maior número de casos", pense em número absoluto e na região mais populosa/urbanizada (Sudeste). Quando falar em "taxa", "incidência" ou "crescimento", aí sim outras regiões podem se destacar. É essa distinção que separa as alternativas.
O Boletim Epidemiológico de 2015 do Ministério da Saúde registrou que, das 92.210 gestantes infectadas com HIV notificadas entre 2000 e junho de 2015, a maioria residia na região Sudeste. Esse dado reflete a concentração histórica da epidemia de HIV/AIDS no Brasil, que sempre teve o Sudeste como principal polo de casos absolutos, tanto pela densidade populacional quanto pela urbanização precoce e pelo fluxo migratório para os grandes centros.
A região Sul apresenta altas taxas de incidência de HIV/AIDS — em alguns períodos, as maiores do país —, mas isso não significa que concentre a maioria das gestantes infectadas em números absolutos. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que lembra que o Sul tem incidência elevada pode marcar esta opção, mas o enunciado pede a região com o maior contingente absoluto de casos, que é o Sudeste.
A região Nordeste tem registrado crescimento da epidemia e concentra grande população, mas ainda está abaixo do Sudeste em números absolutos de gestantes infectadas. Historicamente, o Nordeste recebeu a epidemia de forma mais tardia e com menor intensidade que o Sudeste, embora venha apresentando aumento proporcional nos últimos anos.
A região Centro-Oeste é uma das que mais cresceram em incidência de HIV/AIDS nas últimas décadas, especialmente em áreas de expansão agrícola e novos polos urbanos. No entanto, em números absolutos de gestantes infectadas, permanece muito abaixo do Sudeste, pois sua população total é significativamente menor.
A região Norte, embora apresente taxas de detecção elevadas em alguns estados (como Amazonas e Roraima) e seja área endêmica para outras doenças, não concentra a maioria das gestantes infectadas com HIV no país. Seu contingente populacional é o menor entre as regiões, o que limita o número absoluto de casos, mesmo com incidência proporcional relevante.
A regra de ouro para questões de distribuição regional de agravos: "maioria" e "maior número" = número absoluto → região mais populosa e historicamente afetada (Sudeste); "taxa" e "incidência" = casos por 100 mil habitantes → regiões menores podem liderar. Essa distinção resolve a questão e evita cair na armadilha de escolher a região com maior incidência proporcional.
Gabarito: letra A
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