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Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra SE — Avança SP 2023

PortuguêsFunções morfossintáticas da palavra SE
Código
qq839405
Banca
Avança SP
Órgão
SAEP de Pirassununga - SP
Ano
2023
Nível
Médio
Cargo
Telefonista

“Doença do Chapeleiro Maluco”: conheça a condição que inspirou o personagem

Os sintomas envolvem ansiedade, apatia e mudanças de personalidade. Curiosamente, a doença afetava principalmente fabricantes de chapéus do século 18 e 19. Entenda por quê.

A expressão “louco como um chapeleiro” (em inglês, mad as a hatter) já existia bem antes de Lewis Carroll inventar o personagem Chapeleiro Maluco no livro Alice no País das Maravilhas. O ditado começa a surgir na Inglaterra na década de 1820, quarenta anos antes da publicação do romance que consagrou Carroll. O que o autor fez, então, foi personificá-lo no homem que convida Alice para tomar chá.

Mas de onde veio a associação entre loucura e fabricantes de chapéus? Uma hipótese diz que a palavra hatter não significava “chapeleiro”, mas seria uma derivação do verbo to hatter, que pode ser entendido como “perturbar”. Outras teorias buscam a etimologia da palavra em diferentes idiomas e expressões antigas. No entanto, é bem possível que o ditado faça referência aos chapeleiros ingleses do século 18 e 19 – que, não raro, apresentavam comportamentos estranhos.

Na Época, esses fabricantes utilizavam nitrato de mercúrio para juntar e tratar os pelos de animais que iriam no chapéu. Nesse processo, a pelagem era extraída de animais pequenos (principalmente coelhos) e agrupada para formar uma espécie de feltro. Uma substância laranja que continha nitrato de mercúrio era usada para deixar o produto mais macio. Depois, esse feltro era mergulhado em água quente e secado. A técnica ficou conhecida como carroting (derivado de “cenoura”), graças à cor do composto. Geralmente trabalhando em locais fechados, os fabricantes inalavam o vapor de mercúrio liberado no processo. E, com o tempo, o metal se acumulava no corpo dos chapeleiros.

Intoxicação por mercúrio

O uso do nitrato de mercúrio na indústria de chapéus começou na França do século 17, e depois foi adotado pelos ingleses. Mesmo que os riscos de contaminação por mercúrio já·fossem conhecidos, os fabricantes atuavam sem equipamentos de proteção. Não raro os chapeleiros apresentavam tremores, timidez, irritabilidade, fala arrastada, depressão, alucinações e mudanças comportamentais. Hoje sabemos que esses são sintomas de eretismo, síndrome neurológica causada pela intoxicação por mercúrio. Pela associação com os fabricantes de chapéus, a condição ficou conhecida como “doença do chapeleiro maluco”. [...]

Inspiração de Carroll

[...] Os primeiros diagnósticos de intoxicação por mercúrio em fabricantes de chapéus surgiram em 1860 – mesma década em que Alice no País das Maravilhas foi publicado. No entanto, não sabemos se o autor teve contato com essas informações. É possÌvel que Carroll até tenha conhecido um chapeleiro com sintomas de intoxicação, mas pesquisadores concordam que o personagem literário, em si, foi inspirado em um vendedor de móveis excêntrico chamado Theophilus Carter. [...] Ele tinha ideias e invenções bizarras, tal qual o personagem fictício. Num misto de inspirações e coincidências, nasceu o chapeleiro mais famoso da literatura.

“Doença do Chapeleiro Maluco”: conheça a condição que inspirou o personagem (adaptado). Revista Superinteressante. Disponível em: <https://super.abril.com.br/cultura/doenca-do-chapeleiro-maluco-conheca-a-condicao-que-inspirou-o-personagem>

Considere as seguintes sentenças, retiradas do texto:I. “E, com o tempo, o metal se acumulava no corpo dos chapeleiros.”II.“não sabemos se o autor teve contato com essas informações.”Nas sentenças dadas, a palavra “se” atua, respectivamente, como:
  1. Aconjunção integrante e conjunção condicional.
  2. Bpronome e conjunção condicional.
  3. Cpronome e conjunção integrante.
  4. Dconjunção condicional e conjunção integrante.
  5. Epronome e pronome.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — pronome e conjunção integrante.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Funções do "SE" — Pronome Reflexivo × Conjunção Integrante

Gabarito: letra C. Na sentença I, o "se" é pronome reflexivo (o metal acumulava a si mesmo); na sentença II, é conjunção integrante (introduz oração subordinada substantiva objetiva direta, substituível por "isso"). A distinção se prova pelo teste clássico: em I, o "se" pode ser trocado por "a si mesmo" e o verbo "acumular" é transitivo direto; em II, a oração "se o autor teve contato" equivale a "isso" — "não sabemos isso".

O Comando

A questão pede a classificação morfossintática da palavra "se" em duas ocorrências retiradas do texto. Isso exige analisar a função que o vocábulo exerce em cada contexto — não basta saber que "se" pode ser pronome ou conjunção; é preciso identificar qual valor ele assume em cada frase específica. O comando "atua, respectivamente, como" indica que a ordem das classificações deve seguir a ordem das sentenças (I e II).

O Texto e o Contexto

As sentenças vêm de um texto sobre a "doença do chapeleiro maluco". Na sentença I, "o metal se acumulava no corpo dos chapeleiros" — o metal é o sujeito, e o "se" indica que a ação recai sobre o próprio sujeito (o metal acumula a si mesmo). Na sentença II, "não sabemos se o autor teve contato com essas informações" — o "se" introduz uma oração que completa o sentido do verbo "saber" (sabemos o quê? — se o autor teve contato).

A Técnica que Decide

O teste decisivo para diferenciar pronome reflexivo de conjunção integrante:

  • Pronome reflexivo: o "se" pode ser substituído por "a si mesmo" (ou "uns aos outros", no recíproco). O verbo é transitivo direto e o sujeito pratica e sofre a ação. Ex.: "O metal se acumulava" → "O metal acumulava a si mesmo".

  • Conjunção integrante: o "se" introduz uma oração que pode ser substituída por "isso". Ex.: "não sabemos se o autor teve contato" → "não sabemos isso".

Aplicando à sentença I: "o metal se acumulava" — o metal é o agente e o paciente da ação; o "se" é pronome reflexivo (objeto direto). Aplicando à sentença II: "não sabemos se o autor teve contato" — a oração iniciada por "se" funciona como objeto direto do verbo "saber"; o "se" é conjunção integrante.

PEGA ESSA DICA!

Para classificar o "se", aplique os dois testes: troque por "a si mesmo" (reflexivo) ou por "isso" (integrante). Se nenhum funcionar, teste outras funções (partícula apassivadora, índice de indeterminação, etc.).

Sentença

Classificação do "se"

Teste de verificação

I. “o metal se acumulava”

Pronome reflexivo

Substituível por "a si mesmo" (o metal acumulava a si mesmo)

II. “não sabemos se o autor teve contato”

Conjunção integrante

Substituível por "isso" (não sabemos isso)

1Pronome reflexivo
2Teste: "a si mesmo"
3Verbo transitivo direto
4"Se" na sentença II
Conjunção integrante
Teste: "isso"
Oração subordinada substantiva
"Se" na sentença I
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"Se" na sentença I: Pronome reflexivo; Teste: "a si mesmo"; Verbo transitivo direto; "Se" na sentença II (Conjunção integrante, Teste: "isso", Oração subordinada substantiva)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o "se" é conjunção integrante na sentença I e conjunção condicional na II. Erro: na I, o "se" não introduz oração subordinada substantiva — é pronome reflexivo (o metal acumula a si mesmo). Na II, o "se" não expressa condição (não equivale a "caso"), mas sim introduz uma oração que completa o verbo "saber". A alternativa troca os conceitos de conjunção integrante e condicional.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o "se" é pronome na I e conjunção condicional na II. Erro: acerta na I (pronome reflexivo), mas erra na II — o "se" não é condicional, pois não há hipótese ou condição; é conjunção integrante ("não sabemos isso"). A alternativa restringe o valor do "se" na II ao classificar como condicional, ignorando a função de conector substantivo.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Classifica corretamente: na I, "se" é pronome reflexivo (o metal acumula a si mesmo); na II, "se" é conjunção integrante (introduz oração subordinada substantiva objetiva direta, substituível por "isso"). A alternativa está inteiramente sustentada pelo texto e pela análise sintática.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o "se" é conjunção condicional na I e conjunção integrante na II. Erro: na I, o "se" não expressa condição — é pronome reflexivo. Na II, acerta (integrante), mas o erro na I invalida a alternativa. A alternativa contradiz o valor do "se" na sentença I.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o "se" é pronome nas duas sentenças. Erro: acerta na I (pronome reflexivo), mas erra na II — o "se" não é pronome, pois não retoma nem substitui um termo; é conjunção integrante que liga a oração subordinada à principal. A alternativa generaliza indevidamente o valor pronominal para ambas as ocorrências.

Gabarito: letra C. A regra de ouro: teste o "se" trocando por "a si mesmo" (reflexivo) ou por "isso" (integrante) — a função correta é a que preserva o sentido original da frase.

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