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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — Avança SP 2023

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
qq839523
Banca
Avança SP
Órgão
SANEBAVI-SP
Ano
2023
Nível
Médio
Cargo
Assistente Administrativo

Abelhas sem ferrão se revelam tesouro do Brasil para gastronomia, cosméticos e remédios


Funcionário público de 66 anos cria abelhas mandaguari e defende seu potencial ainda pouco conhecido, mas que começa a despertar mais interesse no país.

Luiz Lustosa retira a tampa de uma caixa de madeira, e a reação é quase imediata: de dentro de pequenas crateras de cera, brotam milhares de abelhas mandaguari, que voam, formando uma nuvem que o envolve. “Que maravilha!”, exclama o funcionário público, de 66 anos, que dedica seu tempo livre à reprodução de abelhas nativas, atividade que desperta cada vez mais interesse no Brasil por seu potencial na alta gastronomia e uso muito incipiente na indústria de cosméticos e no desenvolvimento de remédios. Lustosa veste apenas uma camiseta branca de manga comprida, jeans e um chapéu com uma rede que cobre seu rosto. A pouca proteção contra o enxame não é um descuido: as abelhas nativas, sem ferrão, convivem de forma harmônica com o homem e têm um potencial enorme na preservação ambiental.

Presidente do Instituto Abelha Nativa em Brasília, Lustosa se animou a trabalhar na reprodução de seis espécies quando percebeu, com outros pesquisadores, que elas estavam em extinção: “Mas não eram apenas as abelhas, e sim a natureza” em retrocesso. “Explicamos às crianças que as abelhas não picam. Elas são necessárias para o meio ambiente e a natureza e estão aqui para nos ajudar”, diz Lustosa no instituto, onde ministra oficinas de criação e de reprodução, além de vender favos e mel de abelhas nativas.


Potencial pouco explorado

As abelhas nativas se popularizam para além dos territórios indígenas e quilombos, onde seus benefícios foram aproveitados historicamente. Embora o interesse tenha crescido durante a pandemia, com mais adeptos da criação caseira como hobby, ou para contribuir com a preservação, as abelhas nativas são um tesouro pouco conhecido no país. “As abelhas possibilitam negócios com impacto positivo na sociedade, no meio ambiente e na agricultura”, resume Cristiano Menezes, especialista em meliponicultura da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Jataí, uruçu, mandaçaia, mandaguari... das 550 espécies sem ferrão identificadas em países tropicais e subtropicais, cerca de 250 foram encontradas no Brasil, diz Menezes. Nas fazendas, muitos apostam em favos de abelhas nativas para polinizar e aumentar a produção em cultivos de frutas vermelhas, peras e abacates, entre outros. Mas também começou a ser explorado o uso do seu mel - considerado mais saudável, devido à menor quantidade de açúcar e menor índice glicêmico - na cosmética e gastronomia. Com sabor e acidez diferente, dependendo da espécie, o mel dessas abelhas é mais cobiçado que o das abelhas com ferrão, que produzem até 30 vezes mais. [...]


Um mundo 'rico como o vinho'

As abelhas nativas foram, em boa parte, esquecidas na colonização das Américas. Atribui-se aos jesuítas a introdução de abelhas com ferrão procedentes da África. Elas eram apreciadas no começo do século XIX por produzirem uma cera mais espessa, necessária para a fabricação de velas. Diferentemente das africanas, que, muitas vezes, buscam alimento em restos de comida, ou em qualquer lugar onde encontrem açúcar, as nativas se alimentam apenas de frutos e de flores de árvores nativas. Por isso, para os criadores, plantar árvores é tão importante quanto reproduzir insetos. “Dependem de que a floresta esteja de pé. Por isso, os criadores de abelhas são agentes de preservação, têm esse interesse”, explica à AFP Jerônimo Villas-Bôas, ecologista e criador de abelhas nativas em São Paulo. Villas-Bôas ajuda comunidades tradicionais a melhorarem a cadeia produtiva do mel, para que esta se torne um negócio. [...]


G1. Olha que legal. Disponível em <https://g1.globo.com/olha-que-legal/noticia/2022/07/23/abelhas-sem-ferrao-se-revelam-tesouro-do-brasil-para-gastronomia-cosmeticos-e-remedios.ghtml>

Considere as seguintes sentenças, retiradas do texto:I. “Lustosa se animou a trabalhar na reprodução de seis espécies”II. “Atribui-se aos jesuítas a introdução de abelhas com ferrão procedentes da África.”Nas sentenças dadas, a colocação dos pronomes corresponde, respectivamente, aos tipos:
  1. Aênclise e próclise.
  2. Bênclise e mesóclise.
  3. Cpróclise e ênclise.
  4. Dpróclise e mesóclise.
  5. Emesóclise e ênclise.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — próclise e ênclise.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação Pronominal: Próclise e Ênclise nas Sentenças do Texto

Gabarito: letra C. Na sentença I, o pronome "se" está antes do verbo (próclise), atraído pela conjunção subordinativa "se" que inicia a oração; na sentença II, o pronome "se" está depois do verbo (ênclise), pois não há palavra atrativa antes de "Atribui". A alternativa C é a única que combina próclise e ênclise nessa ordem.

O Comando

A questão pede que você classifique a colocação dos pronomes oblíquos átonos ("se") nas duas sentenças retiradas do texto. Isso é uma questão de gramática normativa — especificamente de colocação pronominal. Você não precisa interpretar o sentido do texto; precisa aplicar a regra de posição do pronome em relação ao verbo: antes (próclise), depois (ênclise) ou no meio (mesóclise). O comando é direto: identificar o tipo de colocação em cada caso.

O Texto e as Sentenças

As sentenças são:

I. “Lustosa se animou a trabalhar na reprodução de seis espécies” II. “Atribui-se aos jesuítas a introdução de abelhas com ferrão procedentes da África.”

Na sentença I, o pronome "se" está antes do verbo "animou". Por quê? Porque há uma palavra atrativa antes do verbo: a conjunção subordinativa "se" (que introduz a oração subordinada substantiva objetiva direta "se animou a trabalhar..."). Essa conjunção atrai o pronome para antes do verbo, caracterizando a próclise.

Na sentença II, o pronome "se" está depois do verbo "Atribui". Não há palavra atrativa antes do verbo — o período começa com o próprio verbo. Quando não há atrativo, a norma culta prefere a ênclise (pronome depois do verbo). Portanto, temos ênclise.

A Técnica que Decide

A regra central da colocação pronominal é: havendo palavra atrativa antes do verbo, usa-se próclise; não havendo, usa-se ênclise (exceto com futuro do presente/pretérito, que exige mesóclise). As palavras atrativas incluem: conjunções subordinativas (que, se, quando, embora), palavras negativas (não, nunca), advérbios, pronomes relativos, indefinidos e interrogativos.

Na sentença I, o "se" que aparece é a conjunção subordinativa (integrante), não o pronome. Ela atrai o pronome "se" (oblíquo) para antes do verbo "animou". Veja a estrutura: "Lustosa se animou..." — o pronome "se" está antes do verbo, logo, próclise.

Na sentença II, "Atribui-se" — o pronome "se" está depois do verbo, sem atrativo antes, logo, ênclise.

PEGA ESSA DICA!

Identifique primeiro se o "se" é pronome ou conjunção. Se for conjunção subordinativa, ela atrai o pronome da oração seguinte para antes do verbo. Se não houver atrativo, o pronome fica depois do verbo.

Sentença

Colocação do Pronome

Justificativa

I. “Lustosa se animou...”

Próclise

Pronome antes do verbo, atraído pela conjunção subordinativa “se”

II. “Atribui-se aos jesuítas...”

Ênclise

Pronome depois do verbo, sem palavra atrativa antes

Análise das Alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a sentença I é ênclise e a II é próclise. Erro: inverte as classificações. Na I, o pronome está antes do verbo (próclise); na II, está depois (ênclise). A banca trocou os termos para confundir.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma ênclise e mesóclise. Erro: a sentença I não é ênclise (é próclise), e a II não é mesóclise (é ênclise). Mesóclise só ocorre com verbos no futuro do presente ou do pretérito, o que não é o caso.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sentença I é próclise (pronome antes do verbo, atraído pela conjunção "se"), e a II é ênclise (pronome depois do verbo, sem atrativo). Exatamente o que a alternativa afirma.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma próclise e mesóclise. Erro: a sentença II não é mesóclise, pois o verbo "Atribui" está no presente do indicativo, não no futuro. Mesóclise exigiria forma como "Atribuir-se-á".

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma mesóclise e ênclise. Erro: a sentença I não é mesóclise, pois o verbo "animou" está no pretérito perfeito, não no futuro. A I é próclise.

Conclusão

A questão testa o reconhecimento das palavras atrativas e a posição do pronome. A única combinação correta é próclise na I e ênclise na II, portanto, gabarito: letra C.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o "se" conjunção e o "se" pronome. Na I, o primeiro "se" é conjunção (atrativa); o segundo é pronome (proclítico). Na II, o "se" é pronome apassivador, sem atrativo, ficando enclítico.

Gabarito: letra C

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