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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — Avança SP 2023

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
qq839614
Banca
Avança SP
Órgão
SANEBAVI-SP
Ano
2023
Nível
Fundamental
Cargo
Motorista
Leia o texto a seguir para responder à questãos.

Ansiosos evitam relaxar para sentirem menos ansiedade, conclui pesquisa.

Pesquisadores da Universidade do Estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, descobriram que pessoas ansiosas tendem a evitar exercícios de relaxamento por um motivo controverso: essas atividades causam mais ansiedade a elas.

A conclusão faz parte de um estudo que envolveu 96 estudantes universitários e foi publicado no Journal of Affective Disorders. Na análise, os especialistas notaram que os ansiosos propositalmente evitam relaxar em exercícios de descontração. Segundo o estudo, isso acontece numa tentativa de impedir mudanças repentinas. É como se pensassem: "melhor continuar me preocupando constantemente do que relaxar e, de repente, voltar a me preocupar".

Os pesquisadores também perceberam que os voluntários mais sensíveis a mudanças negativas — passando rapidamente de um estado relaxado para um de medo, por exemplo — eram mais propensos a se sentir ansiosos durante exercícios de relaxamento. Esses momentos de descontração, então, se tornam mais estressantes do que satisfatórios.

Uma das autoras do estudo, Michelle Newman, investiga o assunto há anos e explica que, embora a ansiedade induzida pelo relaxamento seja conhecida desde os anos 1980, sua causa específica ainda era desconhecida. Em 2011, a professora percebeu que, talvez, isso acontecesse porque as pessoas tentavam evitar o contraste de sentimentos — o que foi demonstrado na nova pesquisa.

"A teoria gira em torno da ideia de que as pessoas ficam ansiosas intencionalmente como uma maneira de evitar a decepção que poderiam ter se algo ruim acontecesse", explicou Newman, em declaração à imprensa. "Isso não é realmente útil e apenas deixa você mais infeliz. Mas, como a maioria das coisas com as quais nos preocupamos acaba não acontecendo, o que é reforçado no cérebro é: 'Preocupeime e isso não aconteceu, por isso devo continuar me preocupando'.”

Hanjoo Kim, coautora do artigo, acredita que a pesquisa pode ajudar na preparação de tratamentos mais eficazes para pessoas ansiosas. "Espera-se que nossas descobertas sirvam de base para proporcionar melhores cuidados a essas populações", disse, em comunicado.

Apesar dos achados, Newman defende que os exercícios de relaxamento são positivos e acredita que incluí-los na rotina pode ser a solução para os medos dos pacientes. "O treinamento de mindfulness e outras intervenções podem ajudar as pessoas a descontraírem e viverem o momento", diz.


Revista Galileu Digital. Disponível em:< https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2019/10/ansiosos-evitam-relaxar-parasentirem-menos-ansiedade-conclui-pesquisa.html>. Acesso em: 04 abr. 2023. (Adaptado).
De acordo com as informações presentes no texto, assinale a alternativa que apresenta uma análise CORRETA.
  1. AOs pesquisadores recomendam o uso de medicamentos para o tratamento de pessoas ansiosas.
  2. BA descoberta foi feita por pesquisadores da Journal of Affective Disorders, nos Estados Unidos.
  3. CEm 2011, os estudantes indicavam que pessoas ansiosas evitavam atividades de relaxamento.
  4. DPessoas ansiosas mais sensíveis a situações negativas tinham mais chances de se sentirem ansiosas quando praticavam alguma atividade de relaxamento.
  5. EAtividades que buscam o relaxamento não são úteis para pessoas ansiosas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Pessoas ansiosas mais sensíveis a situações negativas tinham mais chances de se sentirem ansiosas quando praticavam alguma atividade de relaxamento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão de Texto — Localização de Informação Explícita

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única inteiramente sustentada pelo texto, pois reproduz, com paráfrase fiel, a informação explícita do 3º parágrafo: os voluntários mais sensíveis a mudanças negativas eram mais propensos a se sentir ansiosos durante exercícios de relaxamento. As demais alternativas ou extrapolam o que foi dito, ou contradizem o texto, ou trocam elementos da informação original.

O comando pede uma análise CORRETA "de acordo com as informações presentes no texto". Isso significa que a resposta deve ser uma recorrência — uma informação explícita, localizável diretamente no texto, sem necessidade de inferência ou de conhecimento de mundo. A técnica é simples: para cada alternativa, pergunte "onde o texto diz exatamente isto?" e confira se a paráfrase não alterou nenhum detalhe crucial (sujeito, causa, tempo, alcance).

O texto é uma notícia científica sobre um estudo da Universidade do Estado da Pensilvânia. A tese central é que pessoas ansiosas evitam relaxar porque o relaxamento lhes causa mais ansiedade. O 3º parágrafo traz o dado que decide a questão:

"Os pesquisadores também perceberam que os voluntários mais sensíveis a mudanças negativas — passando rapidamente de um estado relaxado para um de medo, por exemplo — eram mais propensos a se sentir ansiosos durante exercícios de relaxamento."

A alternativa D diz exatamente isso: "Pessoas ansiosas mais sensíveis a situações negativas tinham mais chances de se sentirem ansiosas quando praticavam alguma atividade de relaxamento." Compare os termos: "mais sensíveis a mudanças negativas" = "mais sensíveis a situações negativas"; "eram mais propensos a se sentir ansiosos" = "tinham mais chances de se sentirem ansiosas"; "durante exercícios de relaxamento" = "quando praticavam alguma atividade de relaxamento". É uma paráfrase perfeita, sem acréscimo ou supressão de sentido.

A armadilha central da questão é a extrapolação: várias alternativas partem de uma ideia presente no texto e a levam além do que foi dito, ou trocam o sujeito/agente da informação. A banca adora fazer isso com fatos que parecem verdadeiros no mundo real (como a recomendação de medicamentos), mas que o texto não menciona. O critério de eliminação é sempre o mesmo: o texto autoriza esta afirmação, ou ela exige acrescentar algo de fora?

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não menciona medicamentos em nenhum momento. A pesquisa fala em "treinamento de mindfulness e outras intervenções" como possíveis soluções, mas isso é uma sugestão de tratamento não farmacológico, feita pela pesquisadora Newman no último parágrafo. A alternativa inventa uma recomendação de remédios que não existe no texto — é uma extrapolação com aparência de plausibilidade, mas sem qualquer base textual.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito (contradiz o texto). O texto afirma que a pesquisa foi feita por pesquisadores da Universidade do Estado da Pensilvânia e que o estudo foi publicado no Journal of Affective Disorders. A alternativa troca o agente da descoberta: atribui a descoberta ao periódico, quando o periódico é apenas o veículo de publicação. O texto diz:

"Pesquisadores da Universidade do Estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, descobriram..."

A descoberta é dos pesquisadores da universidade, não do Journal. A alternativa confunde o local da publicação com o autor da pesquisa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito (contradiz o texto). O texto diz que, em 2011, a professora Michelle Newman "percebeu que, talvez, isso acontecesse porque as pessoas tentavam evitar o contraste de sentimentos". A alternativa afirma que "em 2011, os estudantes indicavam que pessoas ansiosas evitavam atividades de relaxamento". Há duas trocas graves: o sujeito (a professora, não os estudantes) e o conteúdo da percepção (a causa do fenômeno, não o fenômeno em si). O texto nunca diz que os estudantes indicaram algo em 2011.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como demonstrado na abertura, a alternativa D é uma paráfrase fiel do 3º parágrafo. O texto afirma que os voluntários "mais sensíveis a mudanças negativas" eram "mais propensos a se sentir ansiosos durante exercícios de relaxamento". A alternativa traduz isso com sinônimos: "mais sensíveis a situações negativas" e "tinham mais chances de se sentirem ansiosas quando praticavam alguma atividade de relaxamento". Nenhum detalhe foi alterado — é a única alternativa que não extrapola, não restringe e não contradiz o texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto afirma explicitamente o contrário no último parágrafo:

"Apesar dos achados, Newman defende que os exercícios de relaxamento são positivos e acredita que incluí-los na rotina pode ser a solução para os medos dos pacientes."

A alternativa diz que "atividades que buscam o relaxamento não são úteis para pessoas ansiosas", o que contradiz diretamente a defesa de Newman de que os exercícios são positivos e podem ser a solução. A alternativa ignora a ressalva final do texto e generaliza o achado da pesquisa (que descreve um comportamento, não uma inutilidade do relaxamento).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação — alternativas que parecem verdadeiras no mundo real (como o uso de medicamentos) ou que generalizam um dado específico (como a inutilidade do relaxamento), mas que o texto não sustenta. A correta é sempre a que se ancora em uma passagem literal.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "de acordo com o texto", grife o comando e, para cada alternativa, localize a passagem que a sustenta. Se não encontrar, a alternativa está errada — mesmo que pareça lógica. Desconfie de palavras absolutas como "não são úteis" e de trocas de sujeito (quem fez o quê).

Gabarito: letra D. A regra de ouro: a resposta correta em compreensão de texto é uma paráfrase fiel de uma passagem explícita — nem mais, nem menos do que o texto diz. Qualquer alternativa que exija acrescentar informação de fora (medicamentos, autoria do periódico, papel dos estudantes) está, por definição, errada.

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