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Questão de Português — Colocação Pronominal — Avança SP 2023

PortuguêsColocação Pronominal
Código
qq839702
Banca
Avança SP
Órgão
SANEBAVI-SP
Ano
2023
Nível
Médio
Cargo
Técnico de Segurança do Trabalho

Papos


- Me disseram...

- Disseram-me.

- Hein?

- O correto é “disseram-me”. Não “me disseram”.

- Eu falo como quero. E te digo mais... Ou é “digo-te”?

- O quê?

- Digo-te que você...

- O “te” e o “você” não combinam.

- Lhe digo?

- Também não. O que você ia me dizer?

- Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. E que eu vou te partir a cara. Lhe partir a cara. Partir a sua cara. Como é que se diz?

- Partir-te a cara.

- Pois é. Parti-la hei de, se você não parar de me corrigir. Ou corrigir-me.

- É para o seu bem.

- Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo como bem entender. Mais uma correção e eu...

- O quê?

- O mato.

- Que mato?

- Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te. Ouviu bem?

- Eu só estava querendo…

- Pois esqueça-o e pára-te. Pronome no lugar certo é elitismo!

- Se você prefere falar errado...

- Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou entenderem-me?

- No caso... não sei.

- Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?

- Esquece.

- Não. Como “esquece”? Você prefere falar errado? E o certo é "esquece" ou “esqueça”? Ilumine-me. Me diga. Ensines-lo-me, vamos.

- Depende.

- Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-loias se o soubesses, mas não sabes-o.

- Está bem, está bem. Desculpe. Fale como quiser.

- Agradeço-lhe a permissão para falar errado que me dás. Mas não posso mais dizer-lo-te o que dizer-te-ia.

- Por quê?

- Porque, com todo este papo, esqueci-lo.


Luis Fernando Verissimo. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

No excerto “O correto é “disseram-me”. Não “me disseram.”, a personagem faz uma correção sobre o uso proclítico do pronome já que, de acordo com as regras gramaticais:
  1. Anão se inicia período por pronome átono.
  2. Bnão se antepõe pronome átono a verbo no futuro do presente.
  3. Cnão se pospõe pronome átono a verbo no futuro do pretérito.
  4. Dnão se antepõe pronome átono a verbo modificado diretamente por advérbio.
  5. Enão se pospõe pronome átono a verbo flexionado em oração subordinada.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — não se inicia período por pronome átono.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação Pronominal: Próclise e a Regra de Início de Período

Gabarito: letra A. A personagem corrige “me disseram” para “disseram-me” porque, segundo a norma culta, não se inicia período com pronome oblíquo átono — ou seja, o pronome “me” não pode abrir a frase. Essa é a regra que a alternativa A enuncia com precisão.

No texto, a fala é clara:

“O correto é ‘disseram-me’. Não ‘me disseram’.”

Aqui, “disseram-me” (ênclise) é apresentado como a forma correta, enquanto “me disseram” (próclise) é rejeitado. Por quê? Porque a frase começa com o pronome átono “me”, o que é vedado pela gramática normativa. A regra é simples: pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes) não pode iniciar período — a não ser em casos de ênfase estilística, que não se aplicam aqui.

Vamos entender o comando: a questão pede que você identifique qual regra gramatical justifica a correção feita pela personagem. Não é uma questão de interpretação de texto, mas de aplicação de norma gramatical a um caso concreto. O trecho citado é o ponto de partida: a personagem diz que “disseram-me” é o correto e “me disseram” não é. A alternativa correta deve explicar por que “me disseram” é inadequado.

A técnica para resolver: lembre-se das proibições gerais da colocação pronominal. São elas:

  1. Não iniciar período com pronome oblíquo átono (ex.: “Me dá” é errado; “Dá-me” é correto).

  2. Não usar ênclise com verbos no futuro do presente ou do pretérito (ex.: “Darei-te” é errado; “Dar-te-ei” é correto — mesóclise).

  3. Não usar ênclise com particípio (ex.: “Tinha emprestado-lhe” é errado; “Tinha-lhe emprestado” é correto).

No caso do texto, “me disseram” é uma frase que começa com pronome átono, violando a primeira proibição. A alternativa A captura exatamente isso.

Agora, vejamos por que as demais estão incorretas:

1Próclise (antes do verbo)
Palavras atrativas (advérbio, negação, conjunção)
Início de período
2Ênclise (depois do verbo)
Forma padrão
Futuro do presente/pretérito
3Mesóclise (meio do verbo)
Futuro do presente/pretérito
Colocação pronominal
LEVELsoulevel.com.br
Colocação pronominal: Próclise (antes do verbo) (Palavras atrativas (advérbio, negação, conjunção), Início de período); Ênclise (depois do verbo) (Forma padrão, Futuro do presente/pretérito); Mesóclise (meio do verbo) (Futuro do presente/pretérito)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma: “não se inicia período por pronome átono”. Isso é exatamente o que ocorre em “me disseram”: o pronome “me” está no início do período, o que é proibido. A forma correta, “disseram-me”, coloca o pronome depois do verbo (ênclise), respeitando a regra. Portanto, a alternativa está correta e é o gabarito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B diz: “não se antepõe pronome átono a verbo no futuro do presente”. Isso é uma regra verdadeira, mas não se aplica ao caso. O verbo “disseram” está no pretérito perfeito do indicativo, não no futuro do presente. A regra sobre futuro do presente se refere a casos como “Darei-te” (errado) versus “Dar-te-ei” (correto). Aqui, não há futuro. A alternativa extrapola o contexto, trazendo uma regra que não justifica a correção feita.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma: “não se pospõe pronome átono a verbo no futuro do pretérito”. Também é uma regra verdadeira (ex.: “Daria-te” é errado; “Dar-te-ia” é correto), mas o verbo “disseram” não está no futuro do pretérito. Novamente, a alternativa tangencia o tema, citando uma regra que não se aplica ao trecho.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D diz: “não se antepõe pronome átono a verbo modificado diretamente por advérbio”. Essa regra é falsa: na verdade, advérbios atraem próclise, ou seja, o pronome deve vir antes do verbo quando há advérbio antes (ex.: “Sempre me lembro de você”). A alternativa contradiz a norma. Além disso, no trecho não há advérbio antes do verbo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma: “não se pospõe pronome átono a verbo flexionado em oração subordinada”. Isso também é falso: em orações subordinadas, a tendência é usar próclise (ex.: “Espero que me ajudem”), mas a ênclise não é proibida em todos os casos. A regra correta é que palavras atrativas (como conjunções subordinativas) exigem próclise, mas não há uma proibição absoluta de ênclise em orações subordinadas. A alternativa generaliza indevidamente e não se aplica ao trecho, que é uma oração principal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura regras verdadeiras de colocação pronominal (futuro, advérbio, oração subordinada) para confundir o candidato. A chave é identificar qual regra se aplica ao caso específico: o problema é o pronome no início do período, não outra situação.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de colocação pronominal, primeiro identifique o tempo verbal e a posição do pronome na frase. Depois, verifique se há palavra atrativa (advérbio, negação, conjunção, pronome relativo etc.). A regra de “não iniciar período com pronome átono” é a mais básica e a mais cobrada.

Conclusão: A alternativa A é a única que explica corretamente por que “me disseram” é inadequado: o pronome átono não pode iniciar período. As demais alternativas citam regras que não se aplicam ao caso ou estão invertidas. Lembre-se: pronome átono no início de frase é erro clássico — a norma manda usar ênclise (disseram-me) ou, se houver palavra atrativa, próclise (não me disseram).

Gabarito: letra A

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