- Pois esqueça-o e pára-te. Pronome no lugar certo é elitismo!
- Se você prefere falar errado...
- Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou entenderem-me?
- No caso... não sei.
- Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?
- Esquece.
- Não. Como “esquece”? Você prefere falar errado? E o certo é "esquece" ou “esqueça”? Ilumine-me. Me diga. Ensines-lo-me, vamos.
- Depende.
- Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-loias se o soubesses, mas não sabes-o.
- Está bem, está bem. Desculpe. Fale como quiser.
- Agradeço-lhe a permissão para falar errado que me dás. Mas não posso mais dizer-lo-te o que dizer-te-ia.
- Por quê?
- Porque, com todo este papo, esqueci-lo.
Luis Fernando Verissimo. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
No excerto “O correto é “disseram-me”. Não “me disseram.”, a personagem faz uma correção sobre o uso proclítico do pronome já que, de acordo com as regras gramaticais:
Anão se inicia período por pronome átono.
Bnão se antepõe pronome átono a verbo no futuro do presente.
Cnão se pospõe pronome átono a verbo no futuro do pretérito.
Dnão se antepõe pronome átono a verbo modificado diretamente por advérbio.
Enão se pospõe pronome átono a verbo flexionado em oração subordinada.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — não se inicia período por pronome átono.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Colocação Pronominal: Próclise e a Regra de Início de Período
Gabarito: letra A. A personagem corrige “me disseram” para “disseram-me” porque, segundo a norma culta, não se inicia período com pronome oblíquo átono — ou seja, o pronome “me” não pode abrir a frase. Essa é a regra que a alternativa A enuncia com precisão.
No texto, a fala é clara:
“O correto é ‘disseram-me’. Não ‘me disseram’.”
Aqui, “disseram-me” (ênclise) é apresentado como a forma correta, enquanto “me disseram” (próclise) é rejeitado. Por quê? Porque a frase começa com o pronome átono “me”, o que é vedado pela gramática normativa. A regra é simples: pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes) não pode iniciar período — a não ser em casos de ênfase estilística, que não se aplicam aqui.
Vamos entender o comando: a questão pede que você identifique qual regra gramatical justifica a correção feita pela personagem. Não é uma questão de interpretação de texto, mas de aplicação de norma gramatical a um caso concreto. O trecho citado é o ponto de partida: a personagem diz que “disseram-me” é o correto e “me disseram” não é. A alternativa correta deve explicar por que “me disseram” é inadequado.
A técnica para resolver: lembre-se das proibições gerais da colocação pronominal. São elas:
Não iniciar período com pronome oblíquo átono (ex.: “Me dá” é errado; “Dá-me” é correto).
Não usar ênclise com verbos no futuro do presente ou do pretérito (ex.: “Darei-te” é errado; “Dar-te-ei” é correto — mesóclise).
Não usar ênclise com particípio (ex.: “Tinha emprestado-lhe” é errado; “Tinha-lhe emprestado” é correto).
No caso do texto, “me disseram” é uma frase que começa com pronome átono, violando a primeira proibição. A alternativa A captura exatamente isso.
Agora, vejamos por que as demais estão incorretas:
Colocação pronominal: Próclise (antes do verbo) (Palavras atrativas (advérbio, negação, conjunção), Início de período); Ênclise (depois do verbo) (Forma padrão, Futuro do presente/pretérito); Mesóclise (meio do verbo) (Futuro do presente/pretérito)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma: “não se inicia período por pronome átono”. Isso é exatamente o que ocorre em “me disseram”: o pronome “me” está no início do período, o que é proibido. A forma correta, “disseram-me”, coloca o pronome depois do verbo (ênclise), respeitando a regra. Portanto, a alternativa está correta e é o gabarito.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B diz: “não se antepõe pronome átono a verbo no futuro do presente”. Isso é uma regra verdadeira, mas não se aplica ao caso. O verbo “disseram” está no pretérito perfeito do indicativo, não no futuro do presente. A regra sobre futuro do presente se refere a casos como “Darei-te” (errado) versus “Dar-te-ei” (correto). Aqui, não há futuro. A alternativa extrapola o contexto, trazendo uma regra que não justifica a correção feita.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C afirma: “não se pospõe pronome átono a verbo no futuro do pretérito”. Também é uma regra verdadeira (ex.: “Daria-te” é errado; “Dar-te-ia” é correto), mas o verbo “disseram” não está no futuro do pretérito. Novamente, a alternativa tangencia o tema, citando uma regra que não se aplica ao trecho.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D diz: “não se antepõe pronome átono a verbo modificado diretamente por advérbio”. Essa regra é falsa: na verdade, advérbios atraem próclise, ou seja, o pronome deve vir antes do verbo quando há advérbio antes (ex.: “Sempre me lembro de você”). A alternativa contradiz a norma. Além disso, no trecho não há advérbio antes do verbo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E afirma: “não se pospõe pronome átono a verbo flexionado em oração subordinada”. Isso também é falso: em orações subordinadas, a tendência é usar próclise (ex.: “Espero que me ajudem”), mas a ênclise não é proibida em todos os casos. A regra correta é que palavras atrativas (como conjunções subordinativas) exigem próclise, mas não há uma proibição absoluta de ênclise em orações subordinadas. A alternativa generaliza indevidamente e não se aplica ao trecho, que é uma oração principal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura regras verdadeiras de colocação pronominal (futuro, advérbio, oração subordinada) para confundir o candidato. A chave é identificar qual regra se aplica ao caso específico: o problema é o pronome no início do período, não outra situação.
PEGA ESSA DICA!
Ao resolver questões de colocação pronominal, primeiro identifique o tempo verbal e a posição do pronome na frase. Depois, verifique se há palavra atrativa (advérbio, negação, conjunção, pronome relativo etc.). A regra de “não iniciar período com pronome átono” é a mais básica e a mais cobrada.
Conclusão: A alternativa A é a única que explica corretamente por que “me disseram” é inadequado: o pronome átono não pode iniciar período. As demais alternativas citam regras que não se aplicam ao caso ou estão invertidas. Lembre-se: pronome átono no início de frase é erro clássico — a norma manda usar ênclise (disseram-me) ou, se houver palavra atrativa, próclise (não me disseram).