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Questão de Português — Conjunções: Relação de causa e consequência — Avança SP 2023

PortuguêsConjunções: Relação de causa e consequência
Código
qq839705
Banca
Avança SP
Órgão
SANEBAVI-SP
Ano
2023
Nível
Médio
Cargo
Técnico de Segurança do Trabalho

Papos


- Me disseram...

- Disseram-me.

- Hein?

- O correto é “disseram-me”. Não “me disseram”.

- Eu falo como quero. E te digo mais... Ou é “digo-te”?

- O quê?

- Digo-te que você...

- O “te” e o “você” não combinam.

- Lhe digo?

- Também não. O que você ia me dizer?

- Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. E que eu vou te partir a cara. Lhe partir a cara. Partir a sua cara. Como é que se diz?

- Partir-te a cara.

- Pois é. Parti-la hei de, se você não parar de me corrigir. Ou corrigir-me.

- É para o seu bem.

- Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo como bem entender. Mais uma correção e eu...

- O quê?

- O mato.

- Que mato?

- Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te. Ouviu bem?

- Eu só estava querendo…

- Pois esqueça-o e pára-te. Pronome no lugar certo é elitismo!

- Se você prefere falar errado...

- Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou entenderem-me?

- No caso... não sei.

- Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?

- Esquece.

- Não. Como “esquece”? Você prefere falar errado? E o certo é "esquece" ou “esqueça”? Ilumine-me. Me diga. Ensines-lo-me, vamos.

- Depende.

- Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-loias se o soubesses, mas não sabes-o.

- Está bem, está bem. Desculpe. Fale como quiser.

- Agradeço-lhe a permissão para falar errado que me dás. Mas não posso mais dizer-lo-te o que dizer-te-ia.

- Por quê?

- Porque, com todo este papo, esqueci-lo.


Luis Fernando Verissimo. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

Considere as seguintes sentenças, retiradas do texto:I. “Parti-la hei de, se você não parar de me corrigir.”II. “Vê se esquece-me.”III. “Se você prefere falar errado…”Nas sentenças dadas, a palavra “se” atua como conjunção condicional apenas em:
  1. AI.
  2. BII.
  3. CIII.
  4. DI e III.
  5. EII e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — I e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A palavra "se" como conjunção condicional

Gabarito: letra D. A palavra "se" atua como conjunção condicional apenas nas sentenças I e III. Na sentença I, "Parti-la hei de, se você não parar de me corrigir", o "se" introduz a condição para a ação de "partir a cara". Na sentença III, "Se você prefere falar errado…", o "se" também estabelece uma condição (a preferência por falar errado) que desencadeia a discussão. Na sentença II, "Vê se esquece-me", o "se" é uma conjunção integrante, pois introduz uma oração que funciona como objeto direto do verbo "ver" (equivale a "Vê isso: esquece-me").

O comando da questão é direto: identificar em quais sentenças o "se" é uma conjunção condicional. Isso exige conhecimento de morfossintaxe — especificamente, a classificação da palavra "se" conforme o contexto. Não se trata de interpretação de texto, mas de análise gramatical aplicada a trechos do texto-base.

O texto de Luis Fernando Verissimo é uma crônica dialogada que satiriza o purismo gramatical. O personagem que corrige o outro insiste na norma culta, enquanto o outro rebate, defendendo a língua falada. As sentenças destacadas fazem parte desse embate. Para resolver, é preciso analisar a função sintática e o valor semântico de cada ocorrência do "se".

A técnica central é a substituição. A conjunção condicional "se" pode ser substituída por "caso" sem alteração de sentido. Já a conjunção integrante "se" pode ser substituída por "isso". Vamos aplicar:

  • I. "Parti-la hei de, se você não parar de me corrigir." → "Parti-la hei de, caso você não pare de me corrigir." → Mantém o sentido. É condicional.

  • II. "Vê se esquece-me." → "Vê isso: esquece-me." → Mantém o sentido. É integrante.

  • III. "Se você prefere falar errado…" → "Caso você prefira falar errado…" → Mantém o sentido. É condicional.

Portanto, apenas I e III são condicionais, o que corresponde à letra D.

"Se" (classificação)
  • 1Conjunção condicional
    • Substituível por "caso"
    • Sentença I
    • Sentença III
  • 2Conjunção integrante
    • Substituível por "isso"
    • Sentença II
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que apenas a sentença I tem "se" condicional. Erro: ignora a sentença III, que também é condicional. A alternativa é incompleta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que apenas a sentença II tem "se" condicional. Erro: na sentença II, o "se" é conjunção integrante, não condicional. A alternativa contradiz o texto e a análise gramatical.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que apenas a sentença III tem "se" condicional. Erro: ignora a sentença I, que também é condicional. A alternativa é incompleta.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que as sentenças I e III têm "se" condicional. Correta: como demonstrado, ambas aceitam a substituição por "caso", mantendo o sentido de condição.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que as sentenças II e III têm "se" condicional. Erro: inclui a sentença II, que é integrante, e exclui a I, que é condicional. A alternativa troca o conceito de conjunção condicional por integrante.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "se" condicional e "se" integrante. A sentença II parece condicional à primeira vista, mas o teste de substituição por "isso" revela sua verdadeira natureza.

PEGA ESSA DICA!

Sempre que houver dúvida entre "se" condicional e integrante, substitua por "caso" (condicional) ou "isso" (integrante). O sentido se mantém apenas com a substituição correta.

Conclusão: a questão testa a capacidade de distinguir os valores do "se" no contexto. A substituição por "caso" ou "isso" é o método infalível. Gabarito: letra D.

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