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Questão de Português — Sintaxe — Avança SP 2023

PortuguêsSintaxe
Código
qq840229
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Laranjal Paulista - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Texto para responder a questãp.


Halloween: a curiosa origem do Dia das Bruxas


É celebrado no dia 31 de outubro, principalmente nos Estados Unidos, mas, hoje em dia, é comemorado em diversos outros países, inclusive no Brasil. Hábitos como o de crianças se fantasiarem para sair de porta em porta atrás de doces, ou de espalhar pela casa enfeites e adereços “assustadores” como abóboras esculpidas e iluminadas (...) são cada vez mais populares. No entanto, sua origem pouco tem a ver com o significado moderno que essa festa adquiriu.

De onde vem o nome do Halloween?

O Halloween tem suas raízes não na cultura americana, mas no Reino Unido. Seu nome deriva de “All Hallows’ Eve”. “Hallow” é um termo antigo para “santo”, e “eve” é o mesmo que “véspera”. O termo designava, até o século 16, a noite anterior ao Dia de Todos os Santos, celebrado em 1º de novembro. Mas uma coisa é a etimologia de seu nome, outra completamente diferente é a origem do Halloween moderno.

Como esta festa começou?

Desde o século 18, historiadores apontam para um antigo festival pagão ao falar da origem do Halloween: o festival celta de Samhain (termo que significa “fim do verão”). O Samhain durava três dias e começava em 31 de outubro. Segundo acadêmicos, era uma homenagem ao “Rei dos mortos”. Estudos recentes destacam que o Samhain tinha entre suas maiores marcas a fogueira e celebrava a abundância de comida após a época de colheita. O problema com essa teoria é que ela se baseia em poucas evidências além da época do ano em que os festivais eram realizados. A comemoração, a linguagem e o significado do festival de outubro mudavam conforme a região. Os galeses celebravam, por exemplo, o “Calan Gaeaf”. Há pontos em comum entre esse festival realizado no País de Gales e o Samhain, celebração predominantemente irlandesa e escocesa, mas há muitas diferenças também. Em meados do século 8, o papa Gregório Terceiro mudou a data do Dia de Todos os Santos de 13 de maio - a data do festival romano dos mortos - para 1º de novembro, a data do Samhain. Não se tem certeza se Gregório Terceiro ou seu sucessor, Gregório Quarto, tornaram a celebração do Dia de Todos os Santos obrigatória na tentativa de “cristianizar” o Samhain. Mas, quaisquer que fossem seus motivos, a nova data para esse dia fez com que a celebração cristã dos santos e a do Samhain fossem unidas. Assim, tradições pagãs e cristãs acabaram se misturando.


Quando surgiu o Dia das Bruxas?

O Dia das Bruxas, o Halloween, que conhecemos hoje, tomou forma entre 1500 e 1800. Fogueiras tornaram-se especialmente populares nessa festa. Elas eram usadas na queima do joio (que celebrava o fim da colheita no Samhain), como símbolo do rumo a ser seguido pelas almas cristãs no purgatório ou para repelir a bruxaria e a peste negra. Outro costume de Halloween era o de prever o futuro – previa-se a data da morte de uma pessoa ou o nome de seu futuro marido ou mulher. (...) A comida era um componente importante do Halloween, assim como de muitos outros festivais. Um dos hábitos mais característicos envolvia crianças, que iam de casa em casa cantando rimas ou entoando orações para as almas dos mortos. Em troca, elas recebiam bolos de boa sorte que representavam o espírito de uma pessoa que havia sido liberada do purgatório. (...)


Como a festa chegou à América?

Em 1845, durante o período conhecido na Irlanda como a “Grande Fome”, um milhão de pessoas foram forçadas a emigrar para os Estados Unidos, levando junto sua história e tradições. Não é coincidência que as primeiras referências ao Halloween apareceram na América pouco depois disso. Em 1870, por exemplo, uma revista americana publicou uma reportagem em que o descrevia como feriado “inglês”. A princípio, as tradições do Dia das Bruxas nos Estados Unidos uniam brincadeiras comuns no Reino Unido rural com rituais de colheita americanos. (...) O milho era um cultivo importante da agricultura americana — e acabou entrando com tudo na simbologia característica do Halloween americano. Tanto que, no início do século 20, espantalhos — típicos de colheitas de milho — eram muito usados em decorações do Dia das Bruxas. Foi nos EUA também que a abóbora passou a ser sinônimo de Halloween. No Reino Unido, o legume mais “entalhado” ou esculpido era o turnip, um tipo de nabo. (...) A tradição moderna de “doces ou travessuras” também é americana. (...)


E quanto ao Halloween moderno?

(...) Por aqui, desde 2003, também se celebra nesta mesma data o Dia do Saci, fruto de um projeto de lei que busca resgatar figuras do folclore brasileiro, em contraposição ao Dia das Bruxas. (...) Atualmente, o festival conserva pouco de sua origem, mas, apesar de ter ganhado nova roupagem, dá oportunidade para que adultos brinquem com seus medos e fantasias. 

BBC News Brasil. Adaptado. Disponível em: 
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cn39d
7d7dnlo 
Na sentença “O Halloween tem suas raízes não na cultura americana, mas no Reino Unido.”, o emprego da conjunção “mas”, no contexto de conexão oracional, exprime:
  1. Adúvida.
  2. Breiteração.
  3. Ccausa.
  4. Dressalva.
  5. Erestrição.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — ressalva.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor Semântico da Conjunção "mas"

Gabarito: letra D. Na sentença “O Halloween tem suas raízes não na cultura americana, mas no Reino Unido.”, o "mas" exprime ressalva — uma correção/contraposição ao que foi negado antes. A conjunção liga dois termos que se opõem: a negação de uma origem (americana) e a afirmação da outra (Reino Unido). Essa é a função clássica do "mas" adversativo: introduzir uma quebra de expectativa ou correção em relação ao que foi dito.

"O Halloween tem suas raízes não na cultura americana, mas no Reino Unido."

A estrutura "não X, mas Y" é típica de ressalva: o primeiro termo é negado, e o segundo é apresentado como a informação correta. Não há dúvida, reiteração, causa ou restrição — a relação é de oposição/correção.

O que o comando pede

A questão pergunta qual valor semântico a conjunção "mas" exprime no contexto de conexão oracional. Isso é diferente de perguntar a classificação morfológica (conjunção coordenativa adversativa) — aqui, o foco é o sentido que ela estabelece entre as ideias. Você precisa analisar a relação lógica entre as partes ligadas pelo conectivo.

A técnica para resolver

  1. Identifique os termos ligados: "não na cultura americana" e "no Reino Unido".

  2. Veja a relação: o primeiro é negado, o segundo é afirmado como alternativa. Isso é contraposição — uma ideia corrige/ressalva a outra.

  3. Compare com os matizes do "mas":

    • Contraste/oposição: "Era pobre, mas honesto."

    • Ressalva: "Não quero ir, mas irei." (correção/limitação)

    • Restrição: "Casou-se, mas não com a primeira namorada." (restringe o alcance)

    • Compensação: "Errei, mas te amo."

    • Adição: "Era bela, mas principalmente rara." (raro)

No caso, a estrutura "não X, mas Y" é o padrão de ressalva: o "mas" introduz a informação que corrige a negação anterior. Não é restrição, porque não limita o alcance de algo — simplesmente substitui uma ideia por outra.

Análise das alternativas

Conjunção "mas"
  • 1Matizes semânticos
    • Contraste/oposição
    • Ressalva (correção)
    • Restrição (limita alcance)
    • Compensação
    • Adição (raro)
  • 2Estrutura "não X, mas Y"
    • Nega o 1º termo
    • Afirma o 2º como correto
    • → Ressalva
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Dúvida não é expressa por "mas". Dúvida seria marcada por conectivos como "talvez", "quem sabe" ou pela entonação interrogativa. O "mas" estabelece uma relação de certeza entre as ideias: afirma-se que a origem é no Reino Unido, não na América. Não há incerteza.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Reiteração significa repetir, reforçar a mesma ideia. O "mas" aqui não repete — ele contrapõe duas origens diferentes. Reiteração seria feita por conectivos como "ou seja", "isto é", ou pela repetição de termos. A estrutura "não X, mas Y" é de correção, não de repetição.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Causa é uma relação de motivo/consequência, marcada por "porque", "pois", "já que". O "mas" não introduz causa — ele introduz uma oposição. A frase não diz que a origem no Reino Unido é a causa de algo; apenas afirma essa origem em contraposição à americana.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Ressalva é exatamente o que o "mas" faz aqui: ele corrige/limita a afirmação anterior. A estrutura "não X, mas Y" é o uso clássico de ressalva — o primeiro termo é negado, e o segundo é apresentado como a informação válida. Veja o exemplo do material de apoio: "Outra pessoa, mas não eu, deverá cobrir a reportagem." — aqui também há uma ressalva (exclui "eu"). No texto, a ressalva é: a origem não é americana, mas britânica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Restrição é um matiz possível do "mas", mas não é o caso aqui. Restrição ocorre quando o "mas" limita o alcance de uma afirmação, como em "Casou-se, mas não com a primeira namorada" (restringe com quem casou). Na frase do texto, não há limitação — há substituição de uma ideia por outra. A origem é uma ou outra, não há gradação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece "restrição" como distrator, pois o "mas" pode ter esse matiz. Mas a estrutura "não X, mas Y" é de ressalva, não de restrição. Fique atento ao contexto: a negação + contraposição indica correção, não limitação.

PEGA ESSA DICA!

Quando vir "não... mas...", pense em ressalva/correção. Esse padrão é recorrente em provas e sempre indica que o segundo termo é a informação correta, em oposição ao primeiro.

Conclusão: a conjunção "mas" na frase exprime ressalva, pois corrige a negação anterior, apresentando a origem correta do Halloween. Portanto, gabarito: letra D.

Gabarito: letra D

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