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Questão de Português — Fonologia — Avança SP 2023

PortuguêsFonologia
Código
qq840723
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Ubatuba - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Margaret Crane: a designer que criou o teste caseiro de gravidez


Crane recebeu apenas um dólar pela criação – mas revolucionou a autonomia das mulheres sobre o próprio corpo.


A gonadotrofina coriônica humana pode ser assustadora. Não só pelo nome bizarro, mas porque esse é o hormônio que interrompe a menstruação e prepara o útero para receber o embrião. Em outras palavras, ele anuncia que a mulher está grávida. Mais conhecido como hCG, ele surge em altas concentrações no sangue da gestante, e vai parar no xixi. A detecção desse hormônio é a base dos testes de gravidez atuais – tanto o de sangue, em laboratório, quanto o de xixi, em casa. Esse último só surgiu nos anos 1970, graças a uma publicitária e designer sem qualquer formação científica. Aos 26 anos, Margaret Crane trabalhava na empresa Organon Pharmaceuticals. Ela foi contratada em 1967 para desenhar uma linha de cosméticos, mas se interessou por outro tema ao visitar o laboratório da farmacêutica. Crane notou uma grande fila de provetas apoiadas sob um espelho, e perguntou do que se tratava. Um cientista disse que aqueles eram testes de gravidez, e explicou como funcionavam.



Processo demorado


A mulher com suspeita de gravidez deveria ir a um consultório médico para coletar urina, que seria enviada a um laboratório especializado. O xixi era colocado em uma proveta com reagentes químicos que interagem com o hCG, formando um círculo roxo no fundo do recipiente. Os pesquisadores usavam espelhos para refletir e observar o fundo do tubo. Se o círculo estivesse ali, significava que havia hormônio e a mulher estava grávida. Caso contrário, nada de gestação. Só então o resultado era enviado de volta ao médico, que informava o status da paciente. Todo o processo demorava até duas semanas – um período desnecessariamente grande de espera pela informação que mudaria a vida da mulher. Além disso, o processo exigia que ela passasse por um médico, sem privacidade ao receber uma notícia sensível. Crane pensou em maneiras de tornar o método mais acessível – e caseiro. Seu desafio como designer era juntar o tubo e o espelho em um único recipiente. A solução foi usar uma caixinha transparente com um espelho no fundo e um tubo acoplado em cima. O reagente seria aplicado com um conta-gotas e a caixa permitiria ver o resultado no espelho, que sairia em poucos minutos. [...]


Predictor


Crane apresentou o protótipo aos seus chefes na farmacêutica, mas eles não gostaram da ideia. Achavam que o teste caseiro acabaria com os negócios da empresa e não seria bem recebido pelos médicos. Mas a proposta foi bem aceita na sede da Organon Pharmaceuticals, na Holanda. A Europa já tinha outros produtos de venda direta ao consumidor, e os executivos acreditaram que esse também funcionaria. Duas patentes do teste Predictor, como ficou chamado, foram registradas no nome de Margaret Crane em 1969. Só que o custo do pedido de patente era muito caro, e a jovem não conseguiria arcar sozinha. Então, ela renunciou os direitos de sua invenção por um dólar, para que a empresa pagasse o registro. E esse dólar foi tudo que ela recebeu. Crane já disse em entrevistas que não se arrepende da decisão, pois o projeto não sairia do papel sem a grana. Mas que ela não faria a negociação de novo sem um advogado ou representante.


Reconhecimento veio tarde


A partir dali os testes caseiros de gravidez só se modernizaram, até chegarem nas fitinhas e visores usados hoje. Só que a contribuição de Crane ficou apagada por muito tempo. Com exceção de alguns amigos e familiares próximos, ninguém sabia que ela havia sido a inventora do teste de gravidez. Foi só em 2012, quando o teste completou 35 anos, que Margaret se apresentou como inventora. O Instituto Smithsonian, o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos e o FDA (Food and Drug Administration) estavam em busca do primeiro protótipo do teste caseiro, para registrá-lo em seus arquivos. Por sorte, Crane ainda guardava o protótipo e um dos primeiros testes comercializados, junto com suas instruções em francês e inglês. Desde então, a inventora é reconhecida por sua criação. [...]


Revista Superinteressante. (Adaptado). Disponível em: https://super.abril.com.br/historia/margaretcrane-a-designer-que-criou-o-teste-caseiro-de-gravidez
Assinale a alternativa em que todas as palavras são oxítonas.
  1. Aestereótipo, camaleão, metrô.
  2. Bfebril, apreciação, neném.
  3. Cverbos, ananás, cafezal.
  4. Dcaldo, bússola, música.
  5. Etênis, verduras, página.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — febril, apreciação, neném.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oxítonas: identificação pela sílaba tônica

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única em que todas as palavras são oxítonas — ou seja, têm a sílaba tônica (a mais forte) na última posição: febril (fe-BRIL), apreciação (a-pre-ci-a-ÇÃO) e neném (ne-NÉM). As demais alternativas misturam oxítonas com paroxítonas (sílaba tônica na penúltima posição) e proparoxítonas (na antepenúltima), como se vê na análise de cada uma abaixo.

O comando

A questão pede para assinalar a alternativa em que TODAS as palavras são oxítonas. Isso significa que, para cada alternativa, é preciso classificar a tonicidade de cada palavra e verificar se todas se encaixam na mesma regra. A pegadinha clássica é apresentar alternativas em que apenas uma ou duas palavras são oxítonas, mas a terceira é paroxítona ou proparoxítona — o candidato desatento marca a alternativa que contém a palavra que ele já conhece como oxítona, sem conferir as demais.

O conceito: o que é uma oxítona?

Oxítona é a palavra cuja sílaba tônica (a pronunciada com maior intensidade) é a última. Para identificá-la, não basta olhar o acento gráfico: muitas oxítonas não são acentuadas (como febril e cafezal), e muitas palavras acentuadas não são oxítonas (como bússola e música, que são proparoxítonas). A classificação depende da posição da sílaba forte, não da presença do acento.

PEGA ESSA DICA!

Para classificar, separe a palavra em sílabas e pronuncie em voz alta. A sílaba que você "grita" é a tônica. Se ela for a última → oxítona; a penúltima → paroxítona; a antepenúltima → proparoxítona.

Análise das alternativas

1Acentuadas
metrô (me-TRÔ)
ananás (a-na-NÁS)
neném (ne-NÉM)
2Não acentuadas
febril (fe-BRIL)
cafezal (ca-fe-ZAL)
camaleão (ca-ma-le-ÃO)
3Paroxítonas (tônica na penúltima)
verbos, caldo, tênis
4Proparoxítonas (tônica na antepenúltima)
estereótipo, bússola, música
Oxítonas (tônica na última sílaba)
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Oxítonas (tônica na última sílaba): Acentuadas (metrô (me-TRÔ), ananás (a-na-NÁS), neném (ne-NÉM)); Não acentuadas (febril (fe-BRIL), cafezal (ca-fe-ZAL), camaleão (ca-ma-le-ÃO)); Paroxítonas (tônica na penúltima) (verbos, caldo, tênis); Proparoxítonas (tônica na antepenúltima) (estereótipo, bússola, música)

Alternativa A — ❌ Incorreta

estereótipo (es-te-re-Ó-ti-po) é proparoxítona — a sílaba tônica é a antepenúltima. camaleão (ca-ma-le-ÃO) é oxítona. metrô (me-TRÔ) é oxítona. Como estereótipo não é oxítona, a alternativa falha. Erro: generalização — a banca mistura uma proparoxítona com duas oxítonas para testar se você confere todas as palavras.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

febril (fe-BRIL), apreciação (a-pre-ci-a-ÇÃO) e neném (ne-NÉM) — nas três, a sílaba tônica é a última. Nenhuma delas depende de acento gráfico para ser oxítona: febril termina em L (oxítona não acentuada), apreciação termina em ÃO (oxítona acentuada por terminar em O) e neném termina em EM (oxítona acentuada por terminar em EM). Todas se encaixam na definição.

Alternativa C — ❌ Incorreta

verbos (VER-bos) é paroxítona — a sílaba tônica é a penúltima. ananás (a-na-NÁS) é oxítona. cafezal (ca-fe-ZAL) é oxítona. Como verbos não é oxítona, a alternativa está errada. Erro: generalização — novamente, apenas duas das três palavras são oxítonas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

caldo (CAL-do) é paroxítona. bússola (BÚS-so-la) é proparoxítona — a sílaba tônica é a antepenúltima. música (MÚ-si-ca) também é proparoxítona. Nenhuma das três é oxítona. Erro: generalização — a alternativa reúne apenas paroxítonas e proparoxítonas, sem nenhuma oxítona.

Alternativa E — ❌ Incorreta

tênis (TÊ-nis) é paroxítona — a sílaba tônica é a penúltima. verduras (ver-DU-ras) é paroxítona. página (PÁ-gi-na) é proparoxítona. Nenhuma é oxítona. Erro: generalização — a alternativa mistura paroxítonas com uma proparoxítona.

Resumo comparativo

Alternativa

Palavra 1

Palavra 2

Palavra 3

Todas oxítonas?

A

estereótipo (proparoxítona)

camaleão (oxítona)

metrô (oxítona)

❌ Não

B

febril (oxítona)

apreciação (oxítona)

neném (oxítona)

✅ Sim

C

verbos (paroxítona)

ananás (oxítona)

cafezal (oxítona)

❌ Não

D

caldo (paroxítona)

bússola (proparoxítona)

música (proparoxítona)

❌ Não

E

tênis (paroxítona)

verduras (paroxítona)

página (proparoxítona)

❌ Não

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre palavra acentuada e palavra oxítona. Em A, C e E, há palavras oxítonas (camaleão, metrô, ananás, cafezal), mas a alternativa inteira não é composta só por oxítonas. A regra de ouro: confira a tonicidade de cada palavra, uma a uma, antes de marcar.

Gabarito: letra B.

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