Questão de Medicina — Angiologia — FUNDATEC 2023
- Código
- qq891766
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico (Anestesiologia Cardiovascular)
- AAlfa 1.
- BAlfa 2.
- CBeta 1.
- DBeta 2.
- EBeta 3.
GabaritoA — Alfa 1.
Gabarito: letra A. O receptor miocárdico pós-sináptico associado a arritmias de isquemia-reperfusão é o alfa-1 adrenérgico — a ativação desse receptor no miocárdio, especialmente em situações de isquemia e reperfusão, aumenta a automaticidade e a vulnerabilidade a arritmias, como a fibrilação ventricular. Os receptores beta-1, embora sejam os principais mediadores dos efeitos cronotrópicos e inotrópicos cardíacos, não são os responsáveis específicos pelas arritmias de isquemia-reperfusão; essa é uma distinção fisiopatológica que a banca explora.
O sistema nervoso simpático atua no coração por meio de receptores adrenérgicos, que se dividem em dois grandes grupos: alfa (α1 e α2) e beta (β1, β2 e β3). No miocárdio, os receptores pós-sinápticos mais relevantes são os β1, responsáveis pelo aumento da frequência cardíaca (cronotropismo positivo) e da força de contração (inotropismo positivo), e os α1, que também estão presentes nos cardiomiócitos e exercem efeitos inotrópicos positivos, porém com papel mais discreto em condições fisiológicas normais.
Durante a isquemia miocárdica e, principalmente, na reperfusão (como após uma angioplastia com implante de stent), ocorre uma liberação maciça de catecolaminas e uma sensibilização dos receptores α1-adrenérgicos no miocárdio. A ativação desses receptores α1 aumenta o influxo de cálcio nas células cardíacas, eleva a automaticidade e favorece o desenvolvimento de arritmias ventriculares, incluindo a fibrilação ventricular. Esse fenômeno é conhecido como "arritmias de isquemia-reperfusão" e é uma das causas de morte súbita em pacientes com doença arterial coronariana submetidos a procedimentos de revascularização.
Os receptores β1, por sua vez, são os principais alvos dos betabloqueadores, que são amplamente utilizados na cardiopatia isquêmica para reduzir o consumo de oxigênio e prevenir arritmias. No entanto, a arritmia específica de isquemia-reperfusão está mais relacionada à ativação α1-adrenérgica, que é exacerbada nesse contexto. Estudos experimentais demonstram que o bloqueio dos receptores α1 reduz a incidência de fibrilação ventricular após reperfusão, enquanto o bloqueio β1 tem efeito menos pronunciado nesse cenário específico.
A banca explora a confusão entre os receptores β1 e α1: muitos candidatos associam automaticamente as arritmias ao β1, por ser o receptor cardíaco mais conhecido. No entanto, a questão é específica sobre o receptor associado a arritmias de isquemia-reperfusão, e a resposta correta é o α1. É importante lembrar que os receptores α1 também estão presentes no miocárdio e sua ativação pode ser arritmogênica, especialmente em condições de estresse isquêmico.
O receptor alfa-1 adrenérgico é o único tipo de receptor miocárdico pós-sináptico associado a arritmias de isquemia-reperfusão. A ativação dos α1 no miocárdio isquêmico aumenta a automaticidade e a vulnerabilidade a arritmias ventriculares, como a fibrilação ventricular, que pode ocorrer após angioplastia e implante de stent em paciente com DAC. Essa é uma associação fisiopatológica bem estabelecida, e o bloqueio α1 tem se mostrado protetor contra essas arritmias em modelos experimentais.
Os receptores alfa-2 são predominantemente pré-sinápticos e estão localizados principalmente no sistema nervoso central e em terminações nervosas simpáticas, onde atuam como autorreceptores inibitórios da liberação de noradrenalina. No coração, os α2 têm pouca expressão pós-sináptica e não estão associados a arritmias de isquemia-reperfusão. A confusão aqui é entre α1 e α2, mas o papel arritmogênico é específico do α1.
Os receptores beta-1 são os principais receptores adrenérgicos do miocárdio, mediando os efeitos cronotrópicos e inotrópicos positivos. Embora sua ativação possa contribuir para arritmias em outras situações (como na insuficiência cardíaca), não são os responsáveis específicos pelas arritmias de isquemia-reperfusão. A banca coloca o β1 como distrator porque é o receptor cardíaco mais conhecido, mas a fisiopatologia da arritmia de reperfusão envolve preferencialmente o α1.
Os receptores beta-2 estão localizados principalmente no músculo liso brônquico e vascular, onde medeiam broncodilatação e vasodilatação. No coração, sua expressão é menor e sua ativação tem efeitos cronotrópicos e inotrópicos positivos, mas não está associada a arritmias de isquemia-reperfusão. A confusão aqui é entre β1 e β2, mas o β2 não tem papel relevante nesse contexto.
Os receptores beta-3 estão envolvidos principalmente na lipólise e na termogênese, e no coração sua ativação pode ter efeitos inibitórios sobre a contratilidade. Não há associação entre β3 e arritmias de isquemia-reperfusão. A banca inclui o β3 como distrator para completar a família dos receptores beta, mas ele não tem relevância nesse cenário.
Gabarito: letra A
Link permanente: /questoes/qq891766