Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FUNDATEC 2023

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
qq891788
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico (Anestesiologia Pediátrica)
São consideradas cardiopatias congênitas complexas tipo mistas, em que a circulação pulmonar e circulação sistêmicas estão em paralelo todas as alternativas abaixo, EXCETO:
  1. AAtresia tricúspide.
  2. BDupla via de saída do ventrículo direito.
  3. CSíndrome da hipoplasia do ventrículo esquerdo.
  4. DTransposição das Grandes Artérias (TGA).
  5. EComunicação Interatrial (CIA).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Comunicação Interatrial (CIA).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cardiopatias congênitas: classificação e circulação em paralelo

Gabarito: letra E. A Comunicação Interatrial (CIA) é a única alternativa que não é uma cardiopatia congênita complexa do tipo mista com circulações pulmonar e sistêmica em paralelo — ela é uma cardiopatia acianótica simples, com shunt esquerda-direita e circulações em série. As demais (atresia tricúspide, dupla via de saída do ventrículo direito, síndrome da hipoplasia do ventrículo esquerdo e TGA) são malformações complexas que cursam com mistura de sangue e, na TGA, circulações em paralelo.

Para entender a questão, é preciso dominar a classificação das cardiopatias congênitas. Elas podem ser divididas em dois grandes grupos: cianóticas (com hipoxemia, por mistura de sangue venoso e arterial) e acianóticas (sem hipoxemia, geralmente por shunt esquerda-direita ou obstrução). Dentro das cianóticas, há as complexas, que envolvem alterações graves da conexão entre câmaras e grandes vasos, frequentemente com circulação em paralelo ou dependência de mistura para sobrevida.

A circulação em paralelo é o conceito-chave: na TGA, a aorta sai do ventrículo direito e a artéria pulmonar do ventrículo esquerdo, de modo que o sangue venoso sistêmico vai para o corpo sem passar pelos pulmões, e o sangue oxigenado retorna aos pulmões — as duas circulações correm lado a lado, sem se encontrar. A sobrevida depende de comunicações (CIA, CIV, PCA) que permitam mistura. Já na circulação em série (normal), o sangue passa sequencialmente: corpo → átrio direito → ventrículo direito → pulmão → átrio esquerdo → ventrículo esquerdo → corpo.

As alternativas A, B, C e D são todas cardiopatias congênitas complexas e cianóticas, que cursam com mistura de sangue e, em muitos casos, com circulação em paralelo ou fisiologia de ventrículo único. A atresia tricúspide é uma cardiopatia cianótica com hipoplasia do ventrículo direito e circulação dependente de shunt; a dupla via de saída do ventrículo direito (DVSVD) é uma conexão ventriculoarterial anômala em que ambos os grandes vasos saem do VD; a síndrome da hipoplasia do ventrículo esquerdo (SHVE) é uma malformação grave com subdesenvolvimento do VE e da aorta; e a TGA é o exemplo clássico de circulação em paralelo.

A Comunicação Interatrial (CIA), por sua vez, é uma cardiopatia acianótica e simples: há um defeito no septo interatrial que permite passagem de sangue do átrio esquerdo para o direito (em geral), mas as conexões entre câmaras e vasos são normais, e as circulações permanecem em série. Não há mistura de sangue venoso e arterial de forma significativa (o shunt é esquerda-direita, com sangue oxigenado passando para o lado direito), e não há circulação em paralelo. Por isso, ela é a exceção pedida.

A pegadinha da banca está em exigir o conhecimento da classificação funcional das cardiopatias: o candidato que apenas decora nomes pode não perceber que a CIA é um defeito septal simples, e não uma cardiopatia complexa mista. A distinção entre shunt (CIA, CIV, PCA) e mistura de sangue (TGA, atresia tricúspide, etc.) é o critério que separa as alternativas.

Cardiopatia

Classificação

Tipo de circulação

Cianose

Atresia tricúspide

Complexa, mista

Em paralelo (fisiologia de ventrículo único)

Cianótica

Dupla via de saída do VD

Complexa, mista

Em paralelo (ou em série, conforme anatomia)

Cianótica

Síndrome da hipoplasia do VE

Complexa, mista

Em paralelo (fisiologia de ventrículo único)

Cianótica

Transposição das Grandes Artérias

Complexa, mista

Em paralelo (clássico)

Cianótica

Comunicação Interatrial (CIA)

Simples, acianótica

Em série (shunt E→D)

Acianótica

Cardiopatias congênitas
  • 1Cianóticas complexas (mistura)
    • Atresia tricúspide
    • Dupla via de saída do VD
    • Síndrome da hipoplasia do VE
    • Transposição das grandes artérias
  • 2Acianóticas simples (shunt)
    • Comunicação interatrial
    • Comunicação interventricular
    • Persistência do canal arterial
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ✅ Correta (não é a exceção)

A atresia tricúspide é uma cardiopatia congênita cianótica e complexa, caracterizada pela ausência ou atresia da valva tricúspide, com hipoplasia do ventrículo direito. O sangue venoso sistêmico precisa passar por um shunt (CIA ou CIV) para chegar aos pulmões, e há mistura de sangue — portanto, enquadra-se no grupo das cardiopatias mistas com circulação em paralelo (ou fisiologia de ventrículo único). Não é a exceção.

Alternativa B — ✅ Correta (não é a exceção)

A dupla via de saída do ventrículo direito (DVSVD) é uma cardiopatia congênita complexa em que a aorta e a artéria pulmonar originam-se ambas do ventrículo direito. Há mistura de sangue e, dependendo da anatomia, pode haver circulação em paralelo ou em série, mas sempre com complexidade e cianose variável. É uma cardiopatia mista, portanto não é a exceção.

Alternativa C — ✅ Correta (não é a exceção)

A síndrome da hipoplasia do ventrículo esquerdo (SHVE) é uma cardiopatia congênita grave e complexa, com subdesenvolvimento do ventrículo esquerdo, da aorta ascendente e do arco aórtico. O sangue oxigenado precisa ser desviado através do forame oval e do canal arterial para manter a circulação sistêmica — há mistura e circulação em paralelo (fisiologia de ventrículo único). É uma cardiopatia mista, portanto não é a exceção.

Alternativa D — ✅ Correta (não é a exceção)

A Transposição das Grandes Artérias (TGA) é o exemplo clássico de circulação em paralelo: a aorta origina-se do ventrículo direito e a artéria pulmonar do ventrículo esquerdo, de modo que as circulações sistêmica e pulmonar correm em paralelo, sem se encontrar. A sobrevida depende de mistura (CIA, CIV, PCA). É uma cardiopatia congênita complexa e mista, portanto não é a exceção.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A Comunicação Interatrial (CIA) é uma cardiopatia congênita acianótica e simples, caracterizada por um defeito no septo interatrial que permite shunt esquerda-direita. As conexões entre câmaras e grandes vasos são normais, e as circulações permanecem em série — não há circulação em paralelo nem mistura de sangue venoso e arterial. Portanto, ela não é uma cardiopatia complexa tipo mista, sendo a exceção pedida pelo enunciado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura cardiopatias cianóticas complexas com uma acianótica simples. O candidato que não domina a classificação pode achar que a CIA também é complexa por ser um defeito septal, mas ela não apresenta circulação em paralelo — é um shunt, não uma mistura. Lembre-se: shunt ≠ mistura.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de cardiopatias congênitas, classifique primeiro: cianótica × acianótica, e depois simples × complexa. As complexas cianóticas (TGA, atresia tricúspide, DVSVD, SHVE, tronco arterioso, etc.) cursam com mistura e frequentemente circulação em paralelo; as acianóticas simples (CIA, CIV, PCA) têm shunt e circulação em série.

Gabarito: letra E — a única que não é cardiopatia congênita complexa tipo mista com circulações em paralelo.

Link permanente: /questoes/qq891788